quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Primeiro pré-carnaval católico de Fortaleza

Evento será no sábado, 30, em preparação para o Retiro de Carnaval Renascer, que será realizado de 7 a 9 de fevereiro
O Pré-Renascer, primeiro pré-carnaval católico de Fortaleza, será realizado no próximo sábado, 30, a partir das 14h, no bairro Messejana. O bloco trará para a capital cearense animação e oração, com uma alegria diferente que durará até depois do Carnaval. O evento é em preparação para o retiro de Carnaval Renascer 2016, que será realizado de 7 a 9 de fevereiro.
Na Região Metropolitana de Fortaleza, o Renascer acontecerá em 14 locais, com destaque para o Ginásio Paulo Sarasate. O retiro é realizado simultaneamente em mais de 80 cidades brasileiras. A entrada é gratuita.
O bloco com trio elétrico terá concentração na Praça do colégio Paulo Benevides (Rua Angélica Gurgel, 186 – Messejana). Seguirá pelas ruas Guarujá, Padre Pedro de Alencar, Coronel Francisco Pereira, José Hipólito até a rua Tenente Jurandir Alencar. O ponto final do Pré-Renascer será em frente à Igreja Matriz de Messejana (Rua Tenente Jurandir Alencar, 141 – Messejana).
Teremos entre as atrações Shalom God e Pegada Santa.  Esta é a primeira vez em que o Pré-Renascer é realizado. A entrada e gratuita, mas estaremos comercializando o kit Renascer com blusa, viseira e garrafa d’água.

  • Renascer em 14 locais
 A misericórdia de Deus e a bula de proclamação do Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia serão base das palestras das manhãs do Renascer 2016. Com o tema “Uma vida toda nova”, o evento será realizado de 7 a 9 de fevereiro. A entrada é gratuita.
O Retiro de Carnaval, que acontece em Fortaleza desde 1986, será realizado em 14 locais na capital cearense e em toda a arquidiocese de Fortaleza. A expectativa é alcançar 35 mil pessoas apenas no Ginásio Paulo Sarasate (Rua Idelfonso Albano, 2050). O evento também é sediado em mais de 50 cidades brasileiras. A realização é da Comunidade Católica Shalom.
A proposta do Renascer é ser um carnaval diferente, cuja alegria não acaba na Quarta-feira de Cinzas. A programação conta com palestras, cursos, Seminário de Vida no Espírito Santo e atrações musicais. O palco em 360 graus com quatro faces permite ao público acompanhar o evento de todos os lados do Ginásio Paulo Sarasate.
O evento conta ainda com padres para confissão, além de ministros de oração e aconselhamento. Cerca de dois mil voluntários se revezam nos diversos serviços do Renascer. O esforço é para que “cada vez mais pessoas possam participar dessa felicidade”, destacou Jeovana Freitas, responsável pelas ações de evangelização da Comunidade.

  • SERVIÇO
 Bloco Pré-renascer
Quando: Sábado, 30 de janeiro, a partir das 14h
Onde: Concentração na Praça do colégio Paulo Benevides (Rua Angélica Gurgel, 186 – Messejana)

Renascer 2015
Quando: 7 a 9 de fevereiro
Onde: Ginásio Paulo Sarasate (Rua Idelfonso Albano, 2050)
Entrada Gratuita
Fonte: Comunidade Católica Shalom

Jubileu da Vida Religiosa

Em carta, o senhor arcebispo Metropolitano convoca todas as congregações religiosas para celebrarmos juntos o Jubileu da Misericórdia dos Religiosos. O evento será dia 2 de fevereiro de 2016,  Festa da Apresentação do Senhor, na catedral Metropolitana de Fortaleza com início às 8 horas em um programa especial.
Será também momento oportuno para confraternização de todos os religiosos e religiosas como testemunho luminoso do Amor de Deus no encantamento do seguimento de Jesus – testemunho vivo no Ano da Misericórdia, nas graças de suas Indulgências.
Fonte: Arquidiocese de Fortaleza

Calendário do Ano da Misericórdia na Arquidiocese de Fortaleza

A abertura do Ano da Misericórdia foi realizada em duas datas:
– no dia 13 de dezembro de 2015, às 10 horas, na Catedral Metropolitana, com a abertura da Porta da Misericórdia e a Festa da Vida;
– no dia 20 de dezembro em Canindé, na Basílica de são Francisco das Chagas, com a Romaria da Seca.
  • Janeiro: Curso de Formação do Clero
  • Fevereiro
– 2, terça-feira: Encerramento do Ano da Vida Consagrada – Jubileu da Vida Consagrada…
– 10, Quarta-feira de Cinzas: Envio dos missionários da Misericórdia, Abertura da CF 2016.
– 28, III Domingo da Quaresma: CAMINHADA PENITENCIAL JUBILAR
  • Durante a Quaresma: CATEQUESES E CONFISSÕES PARA OS JOVENS NAS REGIÕES – SUBSÍDIO COM 4 ENCONTROS: 1. Kerigma 2. Obras de Misericórdia 3. Indulgências e Comunhão dos Santos 4. Confissões
  • Março
20, DOMINGO DE RAMOS: Jubileu da Misericórdia com os Jovens na Catedral…
  • Abril: Jubileu da Misericórdia – enfermos, idosos, encarcerados, moradores de rua, instituições de recuperação,…
  • Maio: MISSÃO ROTA 300 – Nossa Senhora Aparecida: Jovens evangelizando jovens…
– 26, quinta-feira: CORPUS CHRISTI – Coleta para Congresso Eucarístico Nacional
  • Junho: continua ROTA 300 – Romaria a Aparecida para levar a imagem.
– 3, sexta-feira: SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – Dia de Oração para a Santificação dos Padres e Jubileu na Catedral!
  • Julho: I RETIRO DO CLERO;
– 10 a 17: MISSÃO DOS SEMINARISTAS;
– 26 a 31: JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE em Cracóvia, Polônia
  • Agosto: VOCAÇÕES
– 7 a 14: JUBILEU DA FAMÍLIA (Semana da Família);
– 15, segunda-feira: NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO – Caminhada com Maria – Salve Rainha, Mãe de Misericórdia – Coleta destinada aos cristãos perseguidos… ;
– 29, segunda-feira: Confraternização dos Padres
  • Setembro:
-7, GRITO DOS EXCLUÍDOS: – em sintonia com CF 2016 e Ano da Misericórdia
– 24 e 25, sábado e domingo: SIMPÓSIO sobre a MISERICÓRDIA : As consequências sociais da fé cristã – Doutrina Social da Igreja, Ginásio Paulo Sarasate (?).
  • Outubro: Missão da Misericórdia: periferias existenciais – hospitais, prisões, favelas, comunicadores, escolas, universidades…
  • Novembro:
2, quarta-feira, FINADOS NA MISERICÓRDIA: assumir uma ação evangelizadora em todos os cemitérios – celebrações, pregações, orações.
20, Domingo da Solenidade de Cristo Rei do Universo: Encerramento do ANO DA MISERICÓRDIA. Canindé (manhã) e Catedral (tarde).
Fonte: Arquidiocese de Fortaleza

Cinco pontos da mensagem do Papa Francisco para o 50º Dia Mundial das Comunicações

  



O “poder da comunicação” é a “proximidade”. A proximidade desencadeia uma tensão bipolar de aproximação e de afastamento e, em seu interior, apresenta uma oposição qualitativa: aproximar-se bem e aproximar-se mal. Essa é a tarefa daqueles que hoje estão comprometidos na comunicação.
Com a sua Mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco quis conectar o tema da “Comunicação” ao da “Misericórdia”. A aproximação não é óbvia. O que significa comunicar de maneira misericordiosa? Como se faz para comunicar a misericórdia?
Assinalo em seguida cinco pontos a meu ver centrais na mensagem do papa.
1) A comunicação é “credível” se é “confiável”
O pressuposto de base dessa mensagem é que tudo o que fazemos é comunicação. O amor é comunicação: quando é amor verdadeiro, não pode se isolar. Se fosse isolado, seria uma forma espiritualista de egoísmo. Portanto, justamente no modo em que tentamos viver com todo o nosso ser o que estamos comunicando, contribuiremos para restituir credibilidade à comunicação humana. Esse é o sentido do início da mensagem. A comunicação é “credível” não só se objetivamente corresponde à verdade, mas se é “confiável”, isto é, expressão de uma relação de confiança, de um compromisso do comunicador de viver bem a sua relação com quem ouve ou com quem participa do evento comunicativo.
2) A comunicação da Igreja não é “exclusiva”
Francisco começa logo a falar da comunicação eclesial. E diz que ela deve ser inclusiva, de Mãe, capaz de “tocar os corações das pessoas e sustentá-las no caminho”. Devemos comunicar como filhos de Deus com outros filhos de Deus, sem distinção de credo, ideia, visão de mundo. Portanto, devemos parar o processo de degradação das palavras, o nominalismo da nossa cultura. As pessoas estão cansadas de palavras sem peso próprio, que não se fazem carne, que, na nossa pregação, fazem com que Cristo não se manifesta mais como pessoa, mas como ideia, conceito, teoria doutrinal abstrata. Restitua-se à palavra – especialmente a da pregação – a sua “centelha” que a torna viva e que dá calor e odor humano às palavras da fé.
3) A comunicação não excomunga
“A comunicação tem o poder de criar pontes, de favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade”, escreve o papa. E “as palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos”. Até mesmo quando “deve condenar com firmeza o mal, procura não romper jamais a relação e a comunicação”. A comunicação, justamente por estimular a criatividade, sempre deve criar pontes, favorecer a acessibilidade, enriquecer a sociedade. Devemos nos alegrar com o poder de palavras e ações escolhidas com cuidado para superar as incompreensões, curar as recordações e construir paz e harmonia. As palavras constroem pontes, são “pontífices” entre as pessoas. E isso em toda a parte: tanto no ambiente físico quanto no digital. Palavras e ações devem nos ajudar a fugir do círculo vicioso da condenação e da vingança que continua enjaulando os indivíduos, as pessoas e as nações, e que, depois, se exprime com mensagens de ódio.
A palavra do cristão, em particular, deve tender à comunhão e, portanto, livrar-se da atitude de “excomunhão”. Recordamos que “a memória das mútuas sentenças de excomunhão, junto com as palavras ofensivas e as reprimendas infundadas por muitos séculos, representou um obstáculo à reaproximação”, mesmo entre os cristãos. “A lógica do antagonismo, da desconfiança e da hostilidade, simbolizada pelas excomunhões recíprocas”, deve ser “substituída pela lógica do amor e da fraternidade”, escrevera o Papa Francisco na sua Mensagem à Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico, para a festa de Santo André, em 2015.
Para não romper a comunhão, é importante saber ouvir, isto é, “ser capaz de compartilhar perguntas e dúvidas, de percorrer um caminho lado a lado, de se livrar de qualquer presunção de onipotência e colocar humildemente as próprias habilidades e os próprios dons a serviço do bem comum”.
4) A misericórdia é política
“Gostaria, portanto, de convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder da misericórdia de curar as relações dilaceradas e de restaurar a paz e a harmonia”, escreve o Papa Francisco, salientando que “isso também vale para as relações entre os povos”. Assim, “é desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido” Esse é o sentido da “diplomacia da misericórdia” para Francisco: não considerar jamais nada por perdido na relação entre povos e nações. Para isso deve servir a comunicação política, portanto.
O papa convida aqueles que estão presos em velhas hostilidades a tomarem o caminho da misericórdia; a reconhecer as próprias responsabilidades; e a pedir perdão e mostrar misericórdia para com aqueles que lhe fizeram mal. Vamos além da distinção entre “vítimas” e “carrascos”.
Mas também devemos superar outra lógica: a que contrapõe “vencedores” e “vencidos”. Vivemos em um mundo onde estamos acostumados a ter que provar o quanto valemos, a ter que conquistar o respeito e a admiração dos outros. Muitas vezes, tal reconhecimento é reservado para aqueles que alcançaram o sucesso através do bem estar, do poder e da fama. Como resultado, podemos notar um fosso crescente entre aqueles que são vistos como vencedores e aqueles que são julgados como perdedores. Na sociedade, as pessoas competem para impor o seu próprio valor e dignidade, e quem está no topo quer manter os outros embaixo. Tal visão enfraquece a dignidade das pessoas e, em particular, tem como resultado que aqueles que fracassaram ou que são julgados como não à altura das expectativas são marginalizados e rejeitados. O nosso modo de comunicar, portanto, nunca deve expressar o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhar aqueles que são descartados, que são considerados “perdedores” e são abandonados. A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e oferecer calor para aqueles que só conheceram a frieza do juízo. Um homem pode olhar para outro homem de cima para baixo apenas para ajudá-lo a se levantar.
Por fim – lemos – “o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas”. De fato, “palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa”.
5) A rede constrói cidadania
Se a comunicação tem uma relevância política, ela também tem um peso cada vez mais forte no fato de nos sentirmos cidadãos, na construção da cidadania. Reconhecendo a rede como lugar para uma “comunicação plenamente humana”, o papa afirma que, “em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha”.
O “poder da comunicação” é a “proximidade”. A proximidade desencadeia uma tensão bipolar de aproximação e de afastamento e, em seu interior, apresenta uma oposição qualitativa: aproximar-se bem e aproximar-se mal. Essa é a tarefa daqueles que hoje estão comprometidos na comunicação: “Em um mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade”.
Fonte: Aleteia

Verdade e perseguição

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)


Jesus diz que a verdade liberta, apesar de o processo de libertação exigir grande esforço, busca de ideal elevado, honestidade e remar contra a correnteza de quem é corrupto e não quer saber da verdade. Esta inclui valores de cidadania, honradez, grandeza de caráter, ética e atitude moral de quem valoriza a vida com suas virtudes humanas.
Por falar a verdade e criticar a incredulidade dos judeus reunidos na sinagoga, eles se colocaram contra o Mestre, expulsaram-no da cidade e queriam matá-lo (Cf. Lucas 4,25,30). As agressões contra as pessoas que defendem o bem, a justiça e a verdade muitas vezes acontecem. Em muitas campanhas eleitorais assistimos agressões verbais, perseguições, mentiras e até mortes de opositores políticos. Mesmo durante o mandato de alguns políticos vemos perseguições em relação a quem defende a ética na política. Acontece muito a reprovação contra quem compra e quem vende o voto, sendo corruptos ou corruptores, bem como o modo imoral de governar e legislar, o roubo e o caixa dois na arrecadação ou na prestação de contas em relação a verbas de campanha. 
Não podemos ter medo de defender a verdade e o bem comum, assim como a lisura nas campanhas políticas, nas eleições e no mando político. Afinal, a boa política é a melhor forma de fazer a caridade, conforme nos lembraram alguns Papas, como Pio XI e Paulo VI. De fato, a verdade defendida também no bom encaminhamento da promoção da coisa pública, ajuda  o serviço ao bem comum e, principalmente, aos que são injustiçados na convivência social.
A verdade, fundamentada nos valores inerentes à obra criada por Deus e revelados por Ele através de seu Filho, não pode ser negada sem o efeito danoso para quem vive enganando os outros. Usa-se, então, da mentira, da irracionalidade e da ofensa à dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança do Criador. A mentira ou a falsidade não se coaduna com quem tem o coração realmente humano, superando atitudes desumanas com o próximo . Viver enganando ou sendo enganada, faz a pessoa de pequeno ou de nulo porte de caráter. Ninguém pode trocar a riqueza ilícita e qualquer vantagem social pela grandeza moral e de caráter. O pouco com honestidade vale muito mais do que o muito com desonestidade!
Paulo nos lembra a grandeza do amor ou da caridade, que é fruto da verdade ou da bondade de Deus e de quem O tem na prática da convivência com o semelhante: “A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniqüidade, mas se regozija com a verdade” (1 Coríntios 12,4-6).
Quem é da verdade, é do bem não persegue, não derruba, não diminui os outros, não se vinga, sabe colaborar com o bem do semelhante, ajuda-o a corrigir-se com método fraterno e misericordioso. Saber rever-se e corrigir seu modo de se relacionar, de exercer liderança e de colaborar com o bem comum. Sabe exercer cargos para servir e não para tirar proveito de modo ilícito, desonesto e irresponsável. É humilde em aceitar crítica, correção e sugestões. Por reconhecer a verdade de si, dos outros e de Deus não se julga superior aos outros e sim servidor e responsável. Colabora com a promoção da justiça e da dignidade humana, tendo afeição e compromisso principalmente com os mais fragilizados.
Hoje precisamos de quem realmente promova, defenda e viva os valores humanos e sociais, com a ação de implantar a verdade na família, na comunidade e sociedade. Isso faz a pessoa até  enfrentar corruptos e imorais que  ofendem o bem do ser humano.
Fonte: CNBB

Padre, o pastor-missionário

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta (RS)


Nos meses de janeiro e fevereiro são realizadas as mudanças de paróquia e funções de vários padres em nossa Diocese. É bom lembrar padre é um dom para uma paróquia. Em primeiro lugar porque sua vocação parte de Deus, que o chama e consagra para uma missão na Igreja. Tem sua identidade e sua missão próprias. Não tira o lugar que os leigos, pelo seu batismo, devem assumir na evangelização e na administração. Antes, é chamado a promover o protagonismo dos leigos. Ele, configurado a Cristo, Bom Pastor, pelo sacramento da ordem, tem uma missão específica no anúncio da Palavra, na presidência dos sacramentos e na condução do povo a ele confiado. É o primeiro responsável pela pastoral paroquial. “O pároco é o pastor próprio da paróquia a ele confiada: exerce o cuidado pastoral da comunidade que lhe foi entregue, sob a autoridade do bispo diocesano, em cujo ministério de Cristo é chamado a participar, a fim de exercerem em favor dessa comunidade o múnus de ensinar, santificar e governar.” (CIC, cân. 519).

Pastor-missionário

Hoje, insiste-se na dimensão missionária de todos os batizados, de uma “igreja em saída”, em “estado permanente de missão”. Neste estilo evangelizador, apresentado pelo Documento de Aparecida (2007) e reafirmado pelo magistério do Papa Francisco, o agir do padre teráum especial cunho missionário. Deverá ter coragem para superar esquemas pastorais ultrapassados. Será o pastor-missionário, que, juntamente com as noventa e nove ovelhas que estão no redil, vão em busca daquela que se perdeu. Sentir compaixão, partilhar a dor do outro, compreender, acolher, perdoar e se entregar constituem o jeito de ser e agir do pastor. O padre prolonga e atualiza a presença do Senhor na história dos homens de todos os tempos. Ele é chamado a fazer de sua voz, a voz do Pastor que anuncia com ousadia a Palavra que congrega e guia; do seu olhar, o mesmo olhar amoroso do Mestre; de suas mãos, mãos que seguem curando e enfaixando as feridas com “o bálsamo da misericórdia” (Papa Francisco) que devolve a vida, o perdão e a dignidade.

Evangelizador com Espírito

O Papa Francisco apresentou duas características do evangelizador, portanto, também aos padres. A primeira é a do “evangelizador com Espírito”, porque “Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa-Nova, não só com palavras, mas, sobretudo, com uma vida transfigurada pela presença de Deus.” (EG 259). Para isto, são indispensáveis os “momentos prolongados de adoração, de encontro orante com a Palavra, de diálogo sincero com o Senhor.” (EG 262). Padres que rezam e trabalham, que compreendem a si mesmos totalmente e unicamente padres, que “sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária.” (EG 266).

Alegria de ser povo

O padre é chamado a amar seu povo e deixar-se amar por ele. Assim, vai descobrindo que estar com as pessoas, partilhar de sua vida, visitar, ouvir, aconselhar, festejar ou celebrar é fonte de alegria. Jesus “toma-nos do meio do povo e envia-nos ao povo, de tal modo que a nossa identidade não se compreende sem esta pertença.” (EG 268).
A todos os padres de nossa Diocese, desejo um alegre e frutuoso ministério pastoral-missionário.
Fonte: CNBB

Filhos abandonados dentro da própria casa

Encontrar filhos abandonados emocionalmente pelas famílias é uma dura realidade

Hoje, vivemos um tempo de grande transformação nos relacionamentos sociais. Em pouco tempo, evoluímos enormemente nas possibilidades de comunicação pessoal a distância. Eu, por exemplo, peguei a época em que só existia telefone fixo (com fio) e “orelhões” de rua (sem celular ou internet), e a comunicação escrita era feita por carta. Na minha adolescência, passei muitas horas (todos os dias!) brincando e conversando na rua com os amigos, e em casa com a família. Quando alguém estava presencialmente com outra pessoa, havia muito pouca distração. Tínhamos de investir no relacionamento “ao vivo”, demonstrar sentimentos, conquistar a simpatia dos outros. Mas os tempos mudaram e estima-se que o brasileiro passa, aproximadamente, de três a quatro horas por dia conectado, interagindo via internet, o que reduz muito sua convivência física com amigos e familiares.

Estamos esquecendo como amar

Fico impressionada quando vejo o desenvolvimento de formas de demonstrar emoções via internet (desenhos, “se sentindo…”, carinhas de todos os tipos). As pessoas estão se tornando ótimas no marketing emocional externo, mas estão esquecendo como amar, como fazer carinho físico, como olhar nos olhos e dar atenção a quem está perto. Será que isso não é reflexo da dificuldade de nos abrirmos aos laços emocionais reais e fortes na nossa intimidade?

Medo de expor traumas e fraquezas

Será que não é medo de expor nossos traumas e fraquezas? Digo isso, porque, apesar da internet ser um meio real de conhecimento pessoal e uma forma de diálogo, há um fator limitante que tendencia essa experiência a ser uma ilusão: eu mostro somente o que quero mostrar. Já no convívio concreto, não tenho tanto o domínio sobre a exposição, porque meus gestos, minha entonação de voz, a linguagem corporal, a resposta imediata frente aos estímulos e minhas atitudes reais tornam-me muito mais vulnerável a ser realmente conhecido de maneira mais completa, inclusive naquilo que ainda não está bem equilibrado em mim.

Consequências da ausência dos pais

Claro que essa desconexão dos relacionamentos concretos é um problema. Ele se torna muito mais grave (e com fortes repercussões) quando a conexão enfraquecida é o laço familiar com uma criança ou adolescente. A criança nasce completamente dependente da atenção dos pais. À medida que vai crescendo, vai aprendendo a ter autonomia e tornando-se mais independente. Porém, a atenção real dos pais é indispensável para o saudável desenvolvimento emocional dos filhos. Vários estudos mostram que as consequências da ausência dos pais são graves e podem causar agressividade, tristeza, desenvolvimento de tiques e problemas na escola.

Presentes e ausentes ao mesmo tempo

A questão que quero levantar é que, hoje, muitos pais estão presentes e ausentes ao mesmo tempo. Em corpo estão ali, mas envolvidos com outras coisas. A criança se sente ignorada emocionalmente. Celular, Ipad, notebook, TV… Corpo presente, mente e atenção em outro lugar, com outro foco. Essa falta de atenção gera o sentimento de não ser importante, de não ser amado, de não ser suficiente para atrair a mãe e pai. Os filhos precisam sentir que há envolvimento dos pais, que eles sentem prazer em estar em sua companhia, que estão se divertindo ao brincar com eles. O contato físico e o carinho representam estabilidade e segurança para que eles aprendam o que é um relacionamento afetivo.

Degraus do amadurecimento humano

Sei que a vida é corrida, por isso mesmo é preciso que o tempo designado para estar com os filhos seja de grande qualidade. São preferíveis trinta minutos de exclusividade do que mais tempo ao lado deles, porém fazendo uso das redes sociais. Um dos grandes degraus do amadurecimento humano é aprender a dar importância ao que é importante. Sei que seus filhos e sua família são importantes para você; então, simplesmente esteja ali, de verdade, por inteiro onde estiver. O amor de Deus age por meio de nós, para nos ensinar novas formas de demonstrar o que nós sempre sentimos, o amor que temos aos que nos são preciosos. Você vai se surpreender com a resposta dos seus filhos ao se conectarem com você de verdade.

Roberta Castro Roberta Castro - www.cancaonova.com
Ginecologista e especialista em terapia familiar. Coordenadora do Ministério de Música e Artes da Renovação Carismática Católica no Estado do Espírito Santo. Escritora pela editora Canção Nova