sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Vencer a indiferença

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte



A violência, a miséria e a exclusão social aumentam os impasses que dificultam o desenvolvimento sustentável e os entendimentos entre as pessoas. Não raramente os resultados das conferências e outras iniciativas são pífios, incapazes de contribuir para solucionar as muitas demandas da população, particularmente dos mais pobres. Há uma miopia crônica que estreita os horizontes da cultura e isso precisa ser curado para dar à sociedade um novo rumo. É necessário cultivar nas consciências e nos corações a competência para debelar a indiferença que compromete a paz.
Ensina o Papa Francisco que a paz está no horizonte de um caminhar conduzido com arte e com o adequado respeito ao sentido da vida. O passo a passo desse caminho é cada pessoa assumir a tarefa de superar o descaso e o comodismo. A prioridade, conforme sublinha Francisco, é a superação da indiferença para com Deus. Ela se revela quando a pessoa não reconhece qualquer norma acima de si e pauta a conduta individual somente a partir dos próprios parâmetros. Isso está na contramão da ética e é raiz do caos moral. 
Importante é compreender que a superação da indiferença em relação a Deus não ocorrerá, simplesmente, a partir da multiplicação de igrejas em todo canto. É preciso tratar essa questão de modo ainda mais amplo nos âmbitos governamentais e jurídicos, para evitar sérias consequências. Serve de alerta, por exemplo, reportagem exibida nacionalmente mostrando que para abrir uma empresa são necessários dois anos. Já para uma igreja, precisa-se de apenas vinte minutos.
Essa facilidade deriva do entendimento de que abrir uma igreja é objetivo de quem está a serviço da superação da indiferença em relação a Deus, agindo com respeito e diálogo. Mas o que se verifica, com certa recorrência, é a busca pelo atendimento de interesses que estão na contramão de uma cultura mais clarividente. Assim, são alimentadas práticas religiosas que arrefecem a consciência social e política, necessárias para construir uma sociedade mais justa e solidária. Esse assunto, obviamente, desdobra-se em outras temáticas, sobre a tolerância religiosa e o respeito à escolha autônoma de cada cidadão.
Superar a indiferença em relação a Deus é um caminho e vivência que não se reduzem a qualquer coisa. O ponto de partida é a certeza de que, como afirma o Papa Francisco, na mensagem para o Dia Mundial da Paz para este ano, Deus não é indiferente, importa-lhe a humanidade. Deus não a abandona.  Essa é uma convicção religiosa fundamental que, quando assumida, direciona o coração humano e o qualifica. Trata-se de compreensão que impulsiona a pessoa a recuperar a capacidade de superar o mal. A verdadeira experiência de Deus não congrega indivíduos para o atendimento de interesses de bancadas e agremiações. 
Quando se vence a indiferença em relação a Deus é reconhecida a importância do outro, cultiva-se o gosto pela escuta e a capacidade para agir solidariamente. Interesses individualistas são superados, assim como a apatia e a indiferença.  Importa, assim, investir no exercício de priorizar a dignidade e as relações interpessoais, pela proximidade e escuta, sem preconceitos e discriminações, de qualquer matiz, no esforço de se colocar como ouvinte. 
Cada pessoa precisa avaliar as próprias atitudes e posturas. Tarefa que inclui, por exemplo, perguntar-se sobre o impacto causado ao próprio coração pelas notícias que mostram catástrofes, violências, injustiças, descasos. É preciso avaliar se essas informações não estão provocando entorpecimento e, assim, prejudicando a consciência solidária, indispensável para se vencer a indiferença. O desinteresse contribui para a falta de paz com Deus, com o próximo e com a criação. O momento é de investir muito para vencer a indiferença.
Fonte: CNBB

Carta de Agradecimento da Área Pastoral São José - Retiro dos Jovens-Janeiro de 2016

Caríssimo povo de Deus,
      É com sentimento de bastante gratidão que vos agradecemos pelas contribuições que fizestes para o nosso encontro. Sabemos que a nossa juventude precisa muito do nosso apoio e atenção. Vendo a necessidade da juventude experimentar o amor de Deus, guiados pelo Espírito Santo, com o apoio dos padres e dos movimentos da Área Pastoral, planejamos um momento especial voltado para os jovens. Mas para que isso acontecesse, precisávamos de muitos operários, porque a messe era grande. Mas confiantes em Deus, que sempre é Fiel ao seu povo, que não nos deixa desabrigados diante dos desafios, resolvemos enfrentar tamanha missão.

             E sendo fiel ao chamado de Deus, vocês disseram o sim de vocês aos jovens, a Igreja e principalmente, a Deus. Não temos palavras para agradecer tamanha generosidade, tamanha doação de cada ajuda que recebemos. Isso reflete o quanto que vocês são fieis ao clamor de Deus.
           Ajudaram das mais variadas formas: com doações de alimentos, em dinheiro, com ideias, com a decoração, na realização de palestras, na limpeza, na cozinha, adorando o Santíssimo, com o espaço, carregando peso... Enfim, o trabalho era longo e árduo, mas contamos com a ajuda de muitos operários.
       Quando trabalhamos em união, nada falta, pelo contrário, os cestos de pães que Jesus multiplicou para uma multidão, como narra as sagradas escrituras, no nosso encontro também se multiplicaram. Era muita fartura, nada faltou, porque vocês partilharam com o coração, porque a graça de Deus estava presente em cada um de vocês, porque vocês se doaram ao chamado de Deus.
           Não temos como dizer o nome de cada pessoa, porque com certeza faltaria gente, mas Deus sabe as obras que cada um realizou e o quão grato Ele está por isso. Com a imensa ajuda de vocês conseguimos semear sementes da Palavra de Deus no coração daqueles jovens.
             Muitos são os testemunhos das graças que Deus realizou na vida deles naquele encontro e que continua a realizar. Estamos muito gratos pelo sim de vocês a Deus! De todo o coração o nosso muito obrigado e que Deus abençoe e proteja cada um de vocês.
               Atenciosamente,
                            Área Pastoral São José     

Área Pastoral São José -CRONOGRAMA da Assembleia de Planejamento Pastoral - 2016




CRONOGRAMA da Assembleia de Planejamento Pastoral -   
2016


• 09:30 - Boas Vindas/Acolhida (São José)
 

• 10:00 - Oração (São José)
  

• 10:30 – Palavra do Pastor (Padre Francisco)
 

• 10:45 – Apresentação CFE 2016 (Pe. Luciano)
 

• 11:30 – Dinâmicas (Heitor)
 

• 12:00 – Almoço
 

• 13:00 – Leitura do Planejamento Pastoral (Cecilia e Ivete)
 

• 14:00 – Encaminhamentos.....
 

• 15:00 –Encerramento e envio/benção final.


                                                 ESPERAMOS TODOS VOCÊS!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Registrando Momentos- Retiro dos Jovens da Área Pastoral São José- Quanto a ti : Vem e Segue-ME

   




    
 




 






 




      Domingo, encerrando o final de semana e terminando o  Retiro com a Santa Missa presidida pelo Padre Francisco Martins . A missão continua, então, VEM E SEGUE-ME. Deus abençoe a todos. Foi um fim de semana mais que abençoado, Obrigada Senhor!

Tarefa fascinante

Dia é o espaço de tempo que vai, em determinados lugares da Terra, entre o instante do nascer do Sol e o seu ocaso, com claridade de luz e sol. É a esperança de cada dia que começa a despontar, circunstância durante a qual o Sol ilumina o horizonte,  para o nosso contexto dentro do planeta, com duração de vinte e quatro horas, regulada pela rotação da Terra sobre si mesma.
O dia é sinônimo de claridade, de sol. Para nós cristãos, aos olhos da fé, “sol” é uma palavra que vai muito além da definição acima, transcende, e torna-se indizível no mistério insondável de Deus, no que assevera o Livro Sagrado:  “Nunca mais o Sol a iluminará de dia, nem a Lua de noite, pois eu, o Senhor, serei para sempre a sua luz, e a minha glória brilhará sobre você” (cf. Is 60, 19).
Como é maravilhoso recordar o apóstolo Paulo, missionário por excelência; não conviveu pessoalmente com o seu Mestre e Senhor. No início, de perseguidor ferrenho da Igreja e dos cristãos, abraçou a fé na viagem para Damasco, que se deu no ápice da luz do Sol, transformando-o por completo: “Ora, aconteceu que, na viagem, estando já perto de Damasco, pelo meio-dia, de repente, uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’. Eu perguntei: ‘Quem és tu, Senhor?’. Ele me respondeu: ‘Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu estás perseguindo’” (cf. At 22, 6-8).
Jesus é o Sol da justiça, da verdade e da solidariedade a nos desafiar, nas palavras do Papa Francisco (24.01.2016), em sua costumeira alocução precedida do Ângelus, ao dizer que comunidades católicas devem se juntar aos empobrecidos marginalizados, deixando claro:  “Trata-se de oferecer a força do Evangelho de Deus, que converte os corações, cura as feridas, transforma as relações humanas e sociais segundo a lógica do amor; ser cristão com o ser ‘missionário’ implica em ‘anunciar o Evangelho com a palavra e, antes ainda, com a vida’”.
Dom Helder Câmara, força mística e poética da figura humana, nos assegura que o Sol da Justiça é dom e graça de Deus: “Há pessoas que, independente de idade, pelo que são, pelo que dizem e pelo que fazem, são sempre meio-dia”. Nesse sentido, recordando o Apóstolo dos Gentios, seja no anúncio do Evangelho e carismas, seja na missão e viagens, o Artesão da Paz, com enorme disposição e sabedoria interior, se esforçou para imitá-lo.
Guardemos as palavras do Mestre e Doutor das Nações, que intrepidamente soube anunciar a Boa-Nova do Senhor Jesus, consciente de que era para ele uma exigência, por isso mesmo sua disposição para tudo, até a própria vida por causa do Evangelho: “Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei minha corrida e guardei a fé” (2 Tm 4, 6). Amém!
Padre Geovane Saraiva*
Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência  Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – geovanesaraiva@gmail.com

O DOUTOR ANGÉLICO

No dia 28 de janeiro a Igreja Católica celebra cada ano a festa de Santo Tomás de Aquino, um de seus filhos mais famosos e admirados. Tomás de Aquino nasceu no castelo de Rocaseca, Aquino, Nápolis no ano de 1225, filho do conde Landulf de Aquino e da condessa Teodora de Theate. Fez seus estudos básicos na abadia beneditina de Monte Cassino. Completou seus estudos superiores na Universidade de Nápolis. Aos 18 anos, contrariando a vontade dos familiares, ingressou na Ordem dos Pregadores de São Domingos (Dominicanos). De 1245 a 1248 estudou em Paris sob o magistério de Santo Alberto Magno. De 1253 até 1259 foi professor na Sorbonne. Volta à Itália para desempenhar o cargo de mestre em teologia na corte pontifícia de Agnani, Orvieto.
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“Ele era antes de tudo intelectual. Conhecido como “doctor angelicus”. Imerso nos estudos, seguidamente perdia a noção do tempo”. Sem dúvida, “seus escritos constituem um dos maiores monumentos de filosofia e teologia católica”. Seus pensamentos continuam exercendo grande influência nos estudos das universidades católicas e dos seminários católicos até hoje. Entre seus muitos escritos encontramos: A Suma contra os gentios (1259-1264), A famosa e conhecida Suma Teológica (1266), Os Comentários à Sagrada Escritura, Comentários ao Mestre das sentenças, De Trinitate, De Veritatem, Quaestiones disputate, Comentários ao Credo, ao Pai Nosso, e à Ave-Maria, além dos sermões sobre os mistérios e as festividades do Senhor. Segundo Dante “Tomás foi homem muito cortês, de bom trato para conversar e suave no falar”.
Em 1264, o Papa Urbano lV solicitou ao Tomás de Aquino que compusesse os cânticos e orações para a festa de “Corpus Christi”. O resultado foi algumas das mais famosas e emocionantes composições da música sacra. Entre as quais podemos citar: “O Sacrum Convivium”, “Lauda Sion”, “Adoro Te Devote”, “Pange Lingua”, “Sacris Sollemnis”, e “Verbum Supernum” etc. Esses cânticos foram usados nos cultos católicos até 1965 quando o Concílio Vaticano ll aprovou o uso das línguas vernáculas e a Igreja parou de usar cânticos em latim.
Faleceu no dia 7 de março de 1274, no mosteiro cisterciense de Fossanova, quando regressava do Concílio de Lião, convocado pelo Papa Gregório X. Foi canonizado em 1323 pelo Papa João XXll. O Papa Pio V declarou-o Doutor da Igreja em 1567. No ano 1880 foi declarado patrono de todas as escolas católicas.  No dia 28 de janeiro de 2015 a Igreja recorda sua memória, seu exemplo de vida, suas grandes obras teológicas e filosóficas. O lema de Santo Tomás era “contemplar e transmitir aos outros o fruto da contemplação”.
Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald
Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

No Ano da Misericórdia, a construção da Paz.

“VENCE A INDIFERENÇA E CONQUISTA A PAZ.” Com este lema o Santo Padre Francisco iniciou sua mensagem para o Dia Mundial da Paz que é celebrado no dia 1º. de janeiro de cada ano. O mesmo Papa tem chamado a atenção dos fiéis da Igreja Católica e de todas as pessoas de todo o mundo para esta realidade: “Não há dúvida de que o comportamento do indivíduo indiferente, de quem fecha o coração desinteressando-se dos outros, de quem fecha os olhos para não ver o que sucede ao seu redor ou se esquiva para não ser abalroado pelos problemas alheios, caracteriza uma tipologia humana bastante difundida e presente em cada época da história; mas, hoje em dia, superou decididamente o âmbito individual para assumir uma dimensão global, gerando o fenômeno da «globalização da indiferença».”
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E diante da indiferença generalizada e cultural que perpassa a humanidade de hoje, chama à confiança do Evangelho e a conservar as razões da esperança, pois embora “o ano passado (2015) tenha sido caracterizado, do princípio ao fim, por guerras e atos terroristas, com as suas trágicas consequências de sequestros de pessoas, perseguições por motivos étnicos ou religiosos, prevaricações, multiplicando-se cruelmente em muitas regiões do mundo, a ponto de assumir os contornos daquela que se poderia chamar uma “terceira guerra mundial por pedaços”, todavia alguns acontecimentos dos últimos anos e também do ano passado incitam-me, com o novo ano em vista, a renovar a exortação a não perder a esperança na capacidade que o homem tem, com a graça de Deus, de superar o mal, não se rendendo à resignação nem à indiferença. Tais acontecimentos representam a capacidade de a humanidade agir solidariamente, perante as situações críticas, superando os interesses individualistas, a apatia e a indiferença.” Há muitos sinais de solidariedade em nosso mundo, mais do que se propaga pelos meios de comunicação social, pois parece que o mal faz mais barulho que o bem.
“Variadas são as razões para crer na capacidade que a humanidade tem de agir, conjunta e solidariamente, reconhecendo a própria interligação e interdependência e tendo a peito os membros mais frágeis e a salvaguarda do bem comum. Esta atitude de solidária corresponsabilidade está na raiz da vocação fundamental à fraternidade e à vida comum. A dignidade e as relações interpessoais constituem-nos como seres humanos, queridos por Deus à sua imagem e semelhança. Como criaturas dotadas de inalienável dignidade, existimos relacionando-nos com os nossos irmãos e irmãs, pelos quais somos responsáveis e com os quais agimos solidariamente. Fora desta relação, passaríamos a ser menos humanos. É por isso mesmo que a indiferença constitui uma ameaça para a família humana. No limiar dum novo ano, quero convidar a todos para que reconheçam este fato a fim de se vencer a indiferença e conquistar a paz.”
Foi nesta perspectiva que foi instituído o já iniciado Jubileu da Misericórdia, com o qual quis o Papa “convidar a Igreja a rezar e trabalhar para que cada cristão possa maturar um coração humilde e compassivo, capaz de anunciar e testemunhar a misericórdia, de «perdoar e dar», de abrir-se «àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática», sem cair «na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói».”

Pois, em “seu Filho Jesus, Deus desceu ao meio dos homens, encarnou e mostrou-Se solidário com a humanidade em tudo, exceto no pecado. Jesus identificava-Se com a humanidade: «o primogênito de muitos irmãos» (Rm 8, 29). Não se contentava em ensinar às multidões, mas preocupava-Se com elas, especialmente quando as via famintas (cf. Mc 6, 34-44) ou sem trabalho (cf. Mt 20, 3). O seu olhar não Se fixava apenas nos seres humanos, mas também nos peixes do mar, nas aves do céu, na erva e nas árvores, pequenas e grandes; abraçava a criação inteira. Ele vê sem dúvida, mas não Se limita a isso, pois toca as pessoas, fala com elas, age em seu favor e faz bem a quem precisa. Mais ainda, deixa-Se comover e chora (cf. Jo 11, 33-44). E age para acabar com o sofrimento, a tristeza, a miséria e a morte. Jesus ensina-nos a ser misericordiosos como o Pai (cf. Lc 6, 36).”
Como Ele o faz, ensina a seus discípulos “a parar junto dos sofrimentos deste mundo para aliviá-los, junto das feridas dos outros para tratá-las com os recursos de que disponham, a começar pelo próprio tempo apesar das muitas ocupações. Na realidade, muitas vezes a indiferença procura pretextos: na observância dos preceitos rituais, na quantidade de coisas que é preciso fazer, nos antagonismos que nos mantêm longe uns dos outros, nos preconceitos de todo o género que impedem de nos fazermos próximo.” “A misericórdia é o coração de Deus. Por isso deve ser também o coração de todos aqueles que se reconhecem membros da única grande família dos seus filhos; um coração que bate forte onde quer que esteja em jogo a dignidade humana, reflexo do rosto de Deus nas suas criaturas. Jesus adverte-nos: o amor aos outros – estrangeiros, doentes, encarcerados, pessoas sem-abrigo, até inimigos – é a unidade de medida de Deus para julgar as nossas ações. Disso depende o nosso destino eterno.”
E aos discípulos sempre será lembrado, como o faz São João, o Evangelista, que escreve: “Se alguém possuir bens deste mundo e, vendo o seu irmão com necessidade, lhe fechar o seu coração, como é que o amor de Deus pode permanecer nele?” (1Jo 3, 17; cf. Tg 2, 15-16).
E o Papa Francisco: “É por isso que «é determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia. A primeira verdade da Igreja é o amor de Cristo. E, deste amor que vai até ao perdão e ao dom de si mesmo, a Igreja faz-se serva e mediadora junto dos homens. Por isso, onde a Igreja estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai. Nas nossas paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma, onde houver cristãos –, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia».”
“Deste modo, também nós somos chamados a fazer do amor, da compaixão, da misericórdia e da solidariedade um verdadeiro programa de vida, um estilo de comportamento nas relações de uns com os outros. Isto requer a conversão do coração, isto é, que a graça de Deus transforme o nosso coração de pedra num coração de carne (cf. Ez 36, 26), capaz de se abrir aos outros com autêntica solidariedade. Com efeito, esta é muito mais do que um «sentimento de compaixão vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, próximas ou distantes». A solidariedade «é a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos», porque a compaixão brota da fraternidade.” (Mensagem do Santo Padre Francisco para a celebração do XLIX Dia Mundial da Paz – 1º de Janeiro de 2016).
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza