domingo, 15 de dezembro de 2013

O Menino Jesus desce das estrelas


geoavepor Padre Geovane Saraiva*
“Tu desces das estrelas ó Rei do céu! Vens morar numa gruta, ao frio, ao gelo!“ No advento, grande é a expectativa, na chegada do Salvador da humanidade, trazendo esperança e ânimo para o povo abatido e desanimado. Como é preciosa e imprescindível a mensagem daquele homem extraordinário, que estava preso e ouvindo falar das obras e prodígios do Filho de Deus, enviou-lhe alguns dos seus discípulos, com a seguinte pergunta: “És tu aquele há de vir ou devemos esperar outro?” Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados (…)!” (Mt 11, 3-6).
Jesus nos indica o caminho da verdade e da vida, através dele mesmo, na manjedoura, ao se encarnar e entrar no mundo, realizando a vontade do Pai. Daí a importância de olhar para a grandeza do homem que se alimentava de gafanhotos e mel da selva, figura humana e divina, que recebeu o maior do todos os elogios do seu Mestre e Senhor, ao afirmar: “Dos nascidos de mulher, ninguém é maior que João Batista” (Mt 11, 11). É por isso mesmo que somos convidados a falar bem alto, com palavras e com a própria vida, de renúncia, doação e generosidade, tendo diante dos olhos e na mente, o maior de todos os profetas, que mostrou ao mundo a salvação que chegou para todos.
João, filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, conhecido como o Precursor de Cristo pela palavra e pela vida (cf. Mc 17, 29), tendo nascido seis meses antes do Messias de Deus, não exerceu função sacerdotal, a exemplo do seu pai Zacarias, mas foi mostrado ao mundo como pregador; como um homem que desempenhou bem sua função, anunciando um batismo de penitência para o perdão dos pecados. Seu grande trunfo encontrava-se na vinda do Salvador da humanidade. Sua vocação profética desde o ventre materno reveste-se de algo extraordinário, repleto de júbilo messiânico ao preparar o nascimento do Salvador da humanidade.
Um homem foi enviado por Deus, e o seu nome se chamava João. O Evangelho de São João, logo no início, depois do prólogo, trata do batismo realizado por João no Rio Jordão, batizando o autor do batismo, tendo como ponto alto o seu encontro com Jesus, que ao vê-lo passar, reconhece-o e expressa deste modo: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29).
Para vivermos bem e realizados, é necessário que se faça o seguimento de Jesus de Nazaré, a partir da exigência, que tem origem no seu projeto de seu amor para conosco, realizado através da experiência central e decisiva, na obediência ao projeto do Pai em favor da humanidade, a exemplo de João Batista, que recebeu a indispensável missão de testemunhá-lo como luz e assim preparar um povo bem disposto a acolhê-lo.
É neste sentido que olhamos com amor e carinho para a figura de João Batista, o maior de todos os profetas, que foi imolado sem alarde e sem julgamento, vítima de maldades e intrigas na Corte Real. Sua morte brutal e violenta nos faz pensar na nossa missão de batizados, anunciadores de novos tempos, numa mística que deveria ser profundamente marcada de coragem e esperança, personificada nos seres humanos, na aspiração e no compromisso com um mundo verdadeiramente de irmãos, numa Igreja com rosto pascal. O batismo de penitência que o acompanhou no anúncio, prefigura o batismo segundo Espírito, no sentido de que as pessoas abracem a fé, transformando-se em criaturas novas.
Foi ele que preparou o povo para o início da missão pública de Jesus, dizendo com todas as letras que ele mesmo caminharia à frente do Cristo Jesus, anunciando que os sinais dos tempos chegaram e as promessas anunciadas por Zacarias estavam para se realizar. O seu vibrante convite foi de acordar o povo do sono, muitas vezes profundo, para reconhecer o Salvador, como o Sol que veio nos visitar.
Quando festejamos o nascimento de João Batista para a glória, significa para nós acolher e aceitar a luz revelada por ele, voz que clama no deserto: O Cristo Senhor! É ao mesmo tempo, proclamar bem alto, com palavras e com a própria vida, que a salvação chegou e que é uma realidade concreta para todos. É Deus mesmo a confortar, encorajar e alegrar a humanidade através desta pessoa querida. O nascimento deste menino alegrou o mundo, trazendo tempos novos e messiânicos. É a esterilidade de seu pai, Zacarias, que se transformou em fecundidade e o homem mudo se tornou um profeta corajoso e exuberante (cf. Lc 1, 57s).
Ele é lembrado como uma pessoa que viveu com muita seriedade e com muito rigor, na austeridade e na penitência, anunciador da verdade e da justiça, prometendo tempos bons e o futuro tão esperado pela humanidade. “Consagrado de tal modo, que ainda no seio materno, ele exultou com a chegada do Salvador da humanidade e seu nascimento trouxe grande alegria” (Missal Romano, p. 601).
É o futuro esperado diante de nós no Natal do Senhor! Que Sua chegada encontre morada no interior das pessoas, além de causar-lhes uma alegria transbordante, como tão bem diz a belíssima canção de natal, composição de 1744, do nosso querido padroeiro, Santo Afonso Maria de Ligório: “Tu Scendi Dalle Stelle” – Tu desces das estrelas ó Rei do céu! Veja no link: http://fgsaraiva.blogspot.com.br/2013/12/santo-afonso-maria-de-ligorio-e-o-autor.html
*Padre da Arquidiocese de Fortaleza

Convite do arcebispo para a 5ª Festa da Vida


“Para testemunhar e mais ainda estimular a defesa e promoção da vida, a Arquidiocese de Fortaleza convida as comunidades, paróquias, párocos e vigários episcopais e paroquiais, bem como as coordenações arquidiocesanas das regiões episcopais, pastorais, CEB´s, associações, movimentos e organismos eclesiais para a 5ª Festa da Vida”. (dom José Antonio Aparecido Tosi Marques, arcebispo metropolitano)convite_V_festa_da_vida_g

3º Domingo do Advento -Liturgia Diária

Invoquemos a presença do Espírito Santo para ler e refletir a liturgia de hoje:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. 

Oremos: 

Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Oração:
Pai, dá-me discernimento para reconhecer a condição messiânica de teu Filho Jesus, enviado para devolver a esperança ao coração da humanidade abatida pelo sofrimento.
Primeira leitura: Is 35,1-6a.10
Leitura do Livro do Profeta Isaías
1Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. 2Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus.
3Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. 4Dizei às pessoas deprimidas: "Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para nos salvar".
5Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6aO coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos.
10Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos; cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmos: Sl 146
          — Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!
— Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!

— O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos,/ é o Senhor quem liberta os cativos.

— O Senhor abre os olhos aos cegos,/ o Senhor faz erguer-se o caído,/ o Senhor ama aquele que é justo,/ é o Senhor que protege o estrangeiro.

— Ele ampara a viúva e o órfão,/ mas confunde os caminhos dos maus./ O Senhor reinará para sempre!/ Ó Sião, o teu Deus reinará!
2° Leitura: Tg 5,7-9
Leitura da Carta de São Tiago
Irmãos: 7Ficai firmes até à vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele espera o precioso fruto da terra e fica firme até cair a chuva do outono ou da primavera.
8Também vós, ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.
9Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está às portas.10Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Evangelho: Mt 11,2-11
         - O Senhor esteja convosco.
          - Ele está no meio de nós.
          - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Mateus.
          - Glória a vós, Senhor.

        Naquele tempo, 2João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, 3para lhe perguntarem: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?"
4Jesus respondeu-lhes: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: 5os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. 6Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!"
7Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões sobre João: "O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis.
9Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. 10É dele que está escrito: 'Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti'.11Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele". - Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Comentário do Evangelho
A alegria da vinda do Messias

Terceiro domingo do Advento – domingo gaudete, domingo em que todos somos chamados a suplicar e viver a alegria da proximidade do nascimento do Verbo que assumiu a nossa humanidade: “Alegrem-se o deserto e a terra seca… Dizei aos aflitos: Coragem! Nada de medo! Aí está o vosso Deus […], ele vem para vos salvar” (Is 35,1.4).

As obras de Cristo são desconcertantes até para João Batista. Elas exigem discernimento para poder reconhecer o tempo da visita salvífica de Deus e acolhê-lo com alegria. Por isso João, estando na prisão (v. 2), envia alguns dentre os discípulos para perguntar a Jesus: “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” (v. 3). Jesus responde sobre a base do texto do profeta Isaías: “... cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova” (vv. 4-5; cf. Is 35,5-6). A resposta de Jesus a João é suficiente para que este reconheça que o “hoje” da salvação se realiza nas palavras e em tudo o que Jesus faz. Em outros termos, Jesus é o Messias, não é preciso esperar outro. Os discípulos de João retornam a ele para comunicar não só a resposta de Jesus, mas também aquilo de que eles mesmos são testemunhas: a vida vai sendo transformada pela presença do Senhor. É a vez de Jesus dar testemunho de João. É preciso não se deixar levar pela aparência – João é mais que um profeta, é o precursor do Messias (cf. v. 10): “... entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior” (v. 11).

É tempo de firmar o coração, pois a vinda do Senhor está próxima (cf. Tg 5,8). Alegrai-vos!
Leitura Orante

Oração Inicial

Domingo da Alegria
Inicio rezando, com todos os que navegam na net:
Senhor, nós te agradecemos por este dia.
Abrimos nossas portas e janelas para que tu possas
Entrar com tua luz.
Queremos que tu Senhor, definas os contornos de
Nossos caminhos,
As cores de nossas palavras e gestos,
A dimensão de nossos projetos,
O calor de nossos relacionamentos e o
Rumo de nossa vida.
Podes entrar, Senhor em nossas famílias.
Precisamos, Senhor, de tua presença
Para aprendermos a partilhar e abençoar!

1- Leitura (Verdade)

O que diz o texto do dia?
Leio, atentamente, o texto na minha Bíblia: Mt 11,2-11:
Jesus curou doentes, expulsou demônios, deu vida, anunciou a Palavra. E se diz o Messias. Primeiro Jesus fala de sua pessoa e missão. Aponta para os milagres realizados: curou doentes, expulsou demônios, deu vida, anunciou a Palavra. Nisso ressoa um eco da profecia de Isaías: "o vosso Deus vem em pessoa e vos salvará." Os olhos dos cegos se abrem, os ouvidos dos surdos se abrirão, o coxo saltará, a língua do mudo cantará" (Is 35,5). Isso confirma a missão de Jesus como Messias. Em seguida, Jesus define a missão de João. Um verdadeiro profeta. Por seu estilo de vida atraiu o povo, e não pelo luxo, "um homem bem vestido". No deserto e não, num palácio. João é um profeta afirma Jesus. E até, mais que um profeta. E cita Malaquias:"Aqui está o meu mensageiro, disse Deus. Eu o enviarei adiante de você para preparar o seu caminho." (Ml 3,1). O anúncio de João Batista supera todas as profecias, porque anuncia a presença do Reino e do Messias.

2- Meditação (Caminho)

O que o texto diz para mim, hoje?
Para compreender a identidade de Jesus Cristo, tenho que ter o coração humilde.
Os Bispos em Aparecida nos ajudaram a compreender melhor a identidade de Jesus: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6). Ele é o verdadeiro caminho para o Pai, o qual tanto amou ao mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16). Esta é a vida eterna: "que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado" (Jo 17,3). A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida.´ (DAp 101).

3- Oração (Vida)

O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo, espontaneamente, com salmos ou outras orações e concluo com a oração:
3º Domingo:
A terceira vela hoje acendemos
E cantamos: "Alegrai-vos no Senhor!"
No deserto, uma voz escutemos:
Praticai a justiça e o amor!

Uma vela, na coroa, acendemos,
Toda sombra se esvai com sua luz;
Vigilantes, o Senhor esperemos:
Chegou o tempo do Advento de Jesus !

4- Contemplação (Vida e Missão)

Qual meu novo olhar, minhas novas atitudes?
Vou alimentar minha fé, esta porta de entrada para a vida.

Bênção

Jesus Menino coloque a sua mãozinha
sobre tua cabeça
e derrame sobre ti
a sua luz, conforto e alegria.
Amém!
- Abençoe-nos Deus misericordioso,
Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
Fonte :Catequese Católica

Papa Francisco eleito 'Homem do Ano' pela revista Time

Papa Francisco eleito 'Homem do Ano' pela revista Time

2013-12-11 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) – A revista norte-americana Time elegeu o Papa Francisco como ‘Homem do ano’. O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, comentando a escolha, afirmou que representa “um sinal positivo”, pois o título é atribuído a quem anuncia no mundo valores espirituais, e trabalha em favor da paz e da justiça.
“A escolha não surpreende - disse Lombardi - dada a repercussão e a grande atenção da eleição do Papa Francisco e do início do Pontificado. É um sinal positivo, que um dos reconhecimentos mais prestigiosos no âmbito da imprensa internacional seja atribuído a quem anuncia no mundo valores espirituais, religiosos e morais e fala com eficiência a favor da paz e de uma justiça maior”.
Padre Lombardi observou que o Papa Francisco “não busca fama e sucesso, pois faz o seu serviço do anúncio do Evangelho por amor a Deus e por todos. Se isto atrai homens e mulheres e lhes dá esperança, o Papa está contente.”. “Se esta escolha de ‘homem do ano’ – acrescenta o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé - significa que muitos entenderam, ao menos implicitamente esta mensagem, ele certamente se alegra por isto”.
Ao dar a notícia no seu site, a revista norte-americana sublinhou como “o primeiro Papa não europeu em 1.200 anos, poderia transformar um lugar onde as mudanças ocorrem nos séculos”.
“Mas o que torna este Papa assim importante – continua o artigo - é a velocidade com a qual ele atraiu a imaginação de milhares de pessoas que haviam perdido todas as esperanças em relação à Igreja. Em poucos meses, Papa Francisco elevou a missão de uma Igreja que leva conforto às pessoas necessitadas em um mundo sempre mais duro”.
O Papa Bergoglio é o terceiro Pontífice da história a ser eleito ‘Homem do ano’ pela revista Time, após João XXIII em 1962 e João Paulo II em 1994. (JE)

Fonte: News.VA

sábado, 30 de novembro de 2013

Coroa do Advento



Coroa do advento

A coroa do advento é uma coroa de ramos de abeto, com quatro velas (círios), que se acendem uma após a outra nos quatro domingos do advento. Este costume é relativamente recente, que remonta talvez ao século XIX, e que se difundiu a partir da I Guerra Mundial.
Este ramo está pleno de simbolismo. A sua forma circular representa a eternidade e a sua cor remete para a esperança e vida. Em muitas coroas, existe uma fita vermelha, que simboliza o amor de Deus pela humanidade e o amor das pessoas que esperam o nascimento de Jesus.
As quatro velas da coroa representam cada uma das quatro semanas e são acesas em cada Domingo do Advento.

Sempre vigilantes

A Igreja abre o tempo do Advento e o novo ano litúrgico (Ano A) com o convite do Evangelho de Mateus para a vigilância: "Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor". Para ilustrar isso, o evangelista usa algumas figuras expressivas: o dilúvio, o trabalho no campo e o ladrão. 

Ser vigilantes significa estar atentos aos sinais do tempo em que estamos vivendo; em outras palavras, significa estar bem alertas e perceber os sinais pelos quais Deus se manifesta no dia a dia, principalmente nesta época de rápidas e grandes mudanças. 

Diante das muitas possibilidades apresentadas pela sociedade atual, é fundamental saber escolher os caminhos que conduzem à vida e à dignidade para todos. O Documento de Aparecida nos diz que os caminhos da vida verdadeira e plena "são aqueles abertos pela fé que conduzem à plenitude de vida que Cristo nos trouxe: com esta vida divina também se desenvolve em plenitude a existência humana, em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural" (n. 13).

No agitado mundo em que vivemos, onde tudo é programado e calculado, Cristo pode nos surpreender com suas visitas inesperadas e nos propor uma mudança radical que quebre e transforme a rotina cotidiana. O encontro com ele não pode ser programado, mas deve ser esperado a todo momento em face das pessoas, dos fatos e dos acontecimentos. Nossa vida deve abrir espaço para a sua presença.

No nosso agir cotidiano, não podemos negligenciar a possibilidade de surpresas, pois é ali que Cristo se manifesta. Cabe-nos estar atentos ao extraordinário de Deus no ordinário da vida. Vigiar é comunhão com Cristo e compromisso com as pessoas com as quais convivemos. Somos chamados a viver o tempo atual com os olhos dirigidos à frente, pois a vinda de Cristo no fim da história determina a vida no presente.

Pe. Nilo Luza, ssp

1º Domingo do Advento - A

 Por: Padre Wagner Augusto Portugal
A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera"(cf. Sl. 24,1 ss)


Meus queridos irmãos,

Chegamos ao início de mais um ano litúrgico, o ano chamado A, dedicado ao estudo do Evangelho de São Mateus. Assim começamos o chamado tempo do Advento. O que vem a ser o Advento? O Advento quer dizer espera das coisas que hão de vir. E o centro destas coisas é Jesus Cristo, o Salvador da humanidade. Advento é o tempo propício de espera. Espera que deve estar unida à esperança, à doce esperança dos cristãos contra toda a esperança humana.

Advento que nos ensina a esperança. Esperamos Aquele que já está conosco, que está no meio de nós, por isso cantamos: “O Senhor Esteja Convosco! R. Ele Está no meio de nós!”. Realmente Jesus está no meio de nós, caminhando na história e sendo o início e o fim da vida humana.

Somos chamados neste ano a estudar, refletir e viver o Evangelho escrito pelo evangelista Mateus. Com Mateus caminharemos neste ano chamado de ano litúrgico A. Para entender bem o Evangelho de São Mateus é necessário termos presentes as cinco linhas mestras de seu Evangelho: o Sermão da Montanha, o discurso sobre a missão dos apóstolos, o discurso sobre as parábolas do Reino de Deus, o discurso sobre a instrução dos apóstolos e o discurso escatológico, isto é, sobre as últimas coisas que acontecerão com o homem e a mulher.

Estimados irmãos,

A escatologia será o tema principal dos quatro domingos do Advento, nos preparando assim para o Natal. Temos que ter presente que a escatologia é o tratado da teologia que estuda as últimas coisas que acontecerão ao homem. Costuma-se mencionar a morte, o juízo, o inferno e o paraíso. Seriam os novíssimos, porque aos olhos dos homens seriam as últimas coisas que nos aconteceriam. Mas no contexto de Deus são as coisas primeiras, porque trata do destino de nossa vida na vida que nos é reservada depois de nossa jornada neste vale de lágrimas.

Refletimos hoje sobre a parusia. Parusia que é a vinda de Jesus glorioso conforme a palavra de São Paulo Apóstolo: “Que todo o vosso espírito, toda a vossa alma e corpo se conservem sem mancha para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”(Cf. 1Tes 5,23). Trata-se do encontro pessoal entre o homem e o Cristo salvador. É o Natal do homem que entendeu e viveu o Natal de Jesus. É a realização plena de todas as promessas.
            
Caros irmãos,

A Primeira Leitura(cf. Is 2,1-5) nos mostra a utopia messiânica e o caminho dos homens ao recinto de Deus. Sião é o lugar da presença de Deus. Para aí subirão as nações no tempo messiânico, para procurar a Palavra e a Sabedoria de Deus. Profecia proclamada pelos anos 700 a.C; o profeta já não espera a salvação da estratégia política e militar, mas do Deus de Sião e do universo. O oráculo, pronunciado num momento de crise político-religiosa - o povo procura alianças humanas e não com Deus - manifesta o objeto das intervenções de Deus na história de Israel, aqui simbolizado no monte Sião. a história do povo eleito tende a reunir todos os povos sob a lei do único Deus, banindo da humanidade a guerra. 

A Segunda Leitura(cf. Rm 13,11-14) São Paulo aduz que todos somos convidados a levantar do sono, pois a salvação está perto. Com a vinda de Cristo, chega o “dia” decisivo: a luz do “dia” brilha para todos os homens. Desde nosso nascimento no batismo, vivemos para o dia que agora chegou: o dia do encontro com Cristo. Sua luz orienta nossa vida. O Kairós de Deus, isto é, o momento em que Deus opera a salvação, impõe ao cristão um determinado comportamento ético, que se concretiza na vigilância e na mortificação,no fazer as obras da luz, no ser construtores da paz e não de discórdia.

Irmãos e Irmãs,

O Evangelho de hoje(Mt 24,37-44) mostra o vigilante dono da casa, na expectativa escatológica. O Filho do Homem virá arrematar a história e julgar toda a existência, mas ninguém conhece a hora. Apesar dos presságios, Ele vem de repente.

Meus caros irmãos,

A decisão de seguir a Jesus e ter acesso à vida eterna é uma decisão muito pessoal que o fiel deve tomar com toda a sua liberdade. Vive plenamente o Natal o homem e a mulher que se define pelo Cristo, a partir do momento em que a pessoa se define pelo Ressuscitado, que já está em nosso meio, que vem e já veio para a salvação de todos.

Somos chamados hoje para que prestemos atenção a tudo que nos envolve e em nossas vidas, em nossas atitudes, no nosso cotidiano. Somos chamados a fazer um doce exame de consciência a respeito de nossa vida e de nossas atitudes. Somos chamados a nos contrapor a nossa caminhada. Devemos estar vigilantes, porque não sabemos nem o dia e nem a hora que o Senhor virá ao nosso encontro.

A necessidade da vigilância é reforçada com a lembrança do dilúvio, que purificou a terra. O advento deve purificar a nossa vida para viver bem o Natal. Como o dilúvio veio à morte também virá e é uma certeza inexorável. Como Deus salvou Noé por causa da fé e da fidelidade, também salvará os que crerem em Jesus e forem fiéis aos seus ensinamentos.

O homem tem um víeis para a eternidade. O homem encontra a felicidade no tempo, preparando-se assim para a eternidade. O homem encontra o equilíbrio na vida presente e efêmera, construindo a vida futura, a definitiva, e eterna junto de Deus. Isso é a doce vigilância que é o centro da liturgia deste domingo.

Vigiar com compromisso, com ardor missionário que passa não só pela individualidade, mas, sobretudo, pela vigilância que quer significar um compromisso com a nova evangelização, um compromisso missionário renovador e santo. Vamos, pois, construir o Reino de Deus aqui e agora fazendo dos mistérios da salvação o quotidiano da nossa futura salvação.

Meus caros irmãos,

O Advento nos desperta três atitudes: 1. Ficai preparados; 2. Esperar o Cristo e 3. Esperar o Senhor da Paz. 
Assim devemos ser vigilantes, agindo com prudência e desapego, esperando o Cristo. Entretanto Cristo não pode ser programado: deve ser esperado; devemos deixar em nossa vida espaço para a sua presença. A vigilância cristã permite ler em profundidade os fatos para neles descobrir a “vinda” do Senhor. Exige coração suficientemente missionário para ver essa vinda nos encontros com os outros.

O Senhor Jesus não vem no meio do ruído, não se encontra na agitação e na confusão. Veio na paz e para a paz. A hora de Deus chega até nós, porque cada instante da nossa vida contém a eternidade de Deus. É preciso não nos basearmos unicamente na sabedoria humana, e não esperarmos uma intervenção ostensiva da parte de Deus. É no momento atual que é dada a salvação. Toda opção que se faz no presente, entre a luz e as trevas, é um sinal da vinda do Filho do Homem.

Vigilantes, acordados, livres, vamos caminhando na “luz do Senhor”, conforme nos recorda o profeta Isaías na primeira leitura ou como nos lembra o apóstolo Paulo na segunda leitura, que nos pede coragem de deixar o mundo do pecado e das trevas para praticar o bem, a caridade e o amor.

Bom advento a todos! Que todos possamos viver unicamente o amor de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, Amém!