quinta-feira, 6 de março de 2014

Tráfico Humano

Por : 

padre-Brendan200A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove este ano de 2014 durante a Quaresma A Campanha da Fraternidade, cuja finalidade principal é vivenciar e assumir a dimensão comunitária e social da Quaresma. Neste ano o tema da Campanha é: “Tráfico Humano e Fraternidade”, e como lema a Campanha escolheu: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl. 5,1). O Objetivo Geral da Campanha é: “Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus”.
A CF de 2014 tem também seis objetivos específicos. São: (i) Identificar as causas e modalidades do tráfico humano e os rostos que sofrem com essa exploração; (ii) Denunciar as estruturas e situações causadoras do tráfico humano; (iii) Reivindicar dos poderes públicos, políticas e meios para a reinserção das pessoas atingidas pelo tráfico humano na vida familiar e social; (iv) Promover ações de prevenção e de resgate da cidadania das pessoas em situação de tráfico; (v) Suscitar, à luz da Palavra de Deus, a conversão que conduza ao empenho transformador dessa realidade aviltante da pessoa humana; (vi) Celebrar o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, sensibilizando para a solidariedade e o cuidado às vítimas desse mal.
O Papa Francisco assim se referiu ao tráfico humano: “O tráfico de pessoas é uma atividade ignóbil, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas”. O Texto Base da CF de 2014 identifica as principais modalidades do tráfico humano mencionando entre outros: o tráfico para a exploração no trabalho; tráfico para a exploração sexual; tráfico para a extração de órgãos; tráfico de crianças e adolescentes etc.
O Texto Base da Campanha deste ano é dividido em quatro partes. A primeira parte trata da fraternidade e tráfico humano, mobilidade e trabalho na globalização, escravidão e preconceito, o enfrentamento ao tráfico humano. A segunda parte trata do lema da Campanha “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Fala sobre o tráfico humano na Bíblia, o ensino social da Igreja sobre o tráfico humano, a dignidade e os Direitos humanos. A terceira parte do texto aborda o enfrentamento ao tráfico humano, o compromisso da Igreja Católica no Brasil sobre o assunto, e oferece propostos para o enfretamento do tráfico humano e indica canais de denúncia de casos de tráfico humano. A quarta parte do livro aborda a natureza, o histórico das CFs, os objetivos permanentes etc.
Pe. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

Papa Francisco envia mensagem para a Campanha da Fraternidade 2014


papa_catequese_misericordiaPor ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2014, que aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”, o papa Francisco enviou mensagem aos bispos da CNBB e a todos os fiéis das dioceses, paróquias e comunidades do Brasil. No texto, o papa afirma que o tráfico de pessoas é uma “uma chaga social”.
“Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano!”, destacou Francisco.
Ao final da mensagem, Francisco concedeu bênção apostólica a todos os brasileiros desejando uma Quaresma de vida nova em Cristo.
Confira a íntegra da mensagem:
Queridos brasileiros,
Sempre lembrado do coração grande e da acolhida calorosa com que me estenderam os braços na visita de fins de julho passado, peço agora licença para ser companheiro em seu caminho quaresmal, que se inicia no dia 5 de março, falando-lhes da Campanha da Fraternidade que lhes recordo a vitória da Páscoa: <<É para a liberdade que Cristo nos libertou>> (Gal 5,1). Com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo libertou a humanidade das amarras da morte e do pecado. Durante os próximos quarenta dias, procuraremos conscientizar-nos mais e mais da misericórdia infinita que Deus usou para conosco e logo nos pediu para fazê-la transbordar para os outros, sobretudo aqueles que mais sofrem: <<Estás livre! Vai e ajuda os teus irmãos a serem livres!>>. Neste sentido, visando mobilizar os cristãos e pessoas de boa vontade da sociedade brasileira para uma chaga social qual é o tráfico de seres humanos, os nossos irmãos bispos do Brasil lhes propõe este ano o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”.
Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! <<A este nível, há necessidade de um profundo exame de consciência: de fato, quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado como um objeto, exposto para vender um produto ou para satisfazer desejos imorais? A pessoa humana não se deveria vender e comprar como uma mercadoria. Quem a usa e explora, mesmo indiretamente, torna-se cúmplice desta prepotência>> (Discurso aos novos Embaixadores, 12/XII/2013). Se, depois, descemos ao nível familiar e entramos em casa, quantas vezes aí reina a prepotência! Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz. Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social! Sim, há necessidade de um profundo exame de consciência. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa, sem se solidarizar com aqueles cuja liberdade aqui na terra é negada?
Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco de quê? De poder, de fama, de bens materiais… E isso – pasmem! A troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós:<< “Abbá, Pai!”>> (cf. Gal 4,6). A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! No ano passado, quando estive junto de vocês afirmei que o povo brasileiro dava uma grande lição de solidariedade; certo disso, faço votos de que os cristãos e as pessoas de boa vontade possam comprometer-se para que mais nenhum homem ou mulher, jovem ou criança, seja vítima do tráfico humano! E a base mais eficaz para restabelecer a dignidade humana é anunciar o Evangelho de Cristo nos campos e nas cidades, pois Jesus quer derramar por todo o lado vida em abundância (cf. Evangelii gaudium, 75).
Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo sobre todos os brasileiros, para que a vida nova em Cristo lhes alcance, na mais perfeita liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 21), despertando em cada coração sentimentos de ternura e compaixão por seu irmão e irmã necessitados de liberdade, enquanto de bom grado lhes envio uma propiciadora Bênção Apostólica.
Vaticano, 25 de fevereiro de 2014.
Francisco

Renascer apresenta números recordes-Balanço positivo


pedro-400Retiro colabora na construção da cultura de paz no período do carnaval. Para quem desejar aprofundar a experiência do evento pode participar do Renascer Valeu a Pena.
O Renascer, retiro de carnaval mais tradicional de Fortaleza, promovido pela Comunidade Católica Shalom terminou sua edição 2014 com números animadores. Uma média de 30 mil participantes passaram pelo ginásio Paulo Sarasate nos três dias da festa momina.
O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) comemora o número de bolsas de sangue coletada. Nos três dias de eventos foram 411 bolsas colidas,150 a mais em relação ao ano passado. A solidariedade foi traduzida também na arrecadação de alimentos não perecíveis. As obras de promoção humana e missionária do Shalom compartilharão as duas toneladas e meia de donativos angariados no retiro.
Quem foi ao Renascer, além de participar de atividades comunitárias como Celebrações Eucarísticas, adoração ao Santíssimo Sacramento e pregações também pode ser atendido pessoalmente. Ao todo 800 pessoas se confessaram, em preparação à Quaresma; 947 participantes foram atendidas no ministério de Oração e Aconselhamento.
“A Comunidade Católica Shalom se alegra por colaborar na cultura de paz durante o carnaval. O maior fruto que contemplamos são os de vidas e famílias transformadas durante o Renascer 2014”, avaliou Tobias Cortez, da organização do evento.
Para quem deseja aprofundar a experiência vivenciada no Renascer pode comparecer em um dos 26 Centros de Evangelização Shalom espalhados na Arquidiocese de Fortaleza no dia 11 de março, às 19h, para participar do “Renascer Valeu a Pena”.
Endereços dos Centros de Evangelização Shalom: http://www.comshalom.org/centros-fortaleza/
Por Comunidade Católica Shalom

Liturgia Diária - Quinta-feira- Quaresma

Invoquemos a presença do Espírito Santo para ler e refletir a liturgia de hoje:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. 

Oremos: 

Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as 

coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.
Oração:
Pai, dá-me a firme disposição de renunciar a todos os meus projetos pessoais, para abraçar unicamente o projeto de Jesus, mesmo devendo passar por sofrimentos.
Primeira leitura: Dt 30,15-20
Leitura do livro do Deuteronômio.

30 15 Olha que hoje ponho diante de ti a vida com o bem, e a morte com o mal.
16 Mando-te hoje que ames o Senhor, teu Deus, que andes em seus caminhos, observes seus mandamentos, suas leis e seus preceitos, para que vivas e te multipliques, e que o Senhor, teu Deus, te abençoe na terra em que vais entrar para possuí-la.
17 Se, porém, o teu coração se afastar, se não obedeceres e se te deixares seduzir para te prostrares diante de outros deuses e adorá-los,
18 eu te declaro neste dia: perecereis seguramente e não prolongareis os vossos dias na terra em que ides entrar para possuí-la, ao passar o Jordão.
19 Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a I tua posteridade, 20 amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele. Porque é esta a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais. - Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmos: Sl 1
          — É feliz quem a Deus se confia!
— É feliz quem a Deus se confia!
— Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.
— Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.
— Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
 
 
Evangelho: Lc 9,22-25
         - O Senhor esteja convosco.
          - Ele está no meio de nós.
          - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas.
          - Glória a vós, Senhor.

        9 22 Jesus acrescentou: “É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e que ressuscite ao terceiro dia”.
23 Em seguida, dirigiu-se a todos: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.
24 Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á.
25 Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?”

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
 
Comentário do Evangelho
O caminho dos discípulos não pode ser outro que o do Mestre.
Nosso texto de hoje está situado um pouco antes do início da seção central do terceiro evangelho, denominada “subida para Jerusalém”. O anúncio da paixão, morte e ressurreição tem por finalidade preparar os discípulos, como também o leitor, para entrarem no mistério pascal sem esmorecer e preveni-los contra o escândalo da paixão e morte de Jesus. Essa prolepse informa os discípulos acerca das condições do seguimento de Jesus Cristo. O caminho dos discípulos não pode ser outro que o do Mestre. Por essa razão, é preciso liberdade diante da própria vida. A decisão livre de seguir o Senhor deve ser acompanhada da atitude que caracteriza o seguimento: “Renunciar a si mesmo”. Trata-se do desafio de não permitir que seus projetos pessoais se anteponham à vontade de Deus, e exige uma atitude positiva de entregar a própria vida. A vida recebida como dom de Deus não está garantida na defesa das seguranças e privilégios pessoais, mas na disposição da própria vida em favor do “evangelho de Jesus Cristo” (cf. Mc 1,15). Nós não seremos plenamente livres enquanto persistir o medo da morte.
 
Leitura Orante

Oração Inicial

Preparo-me para a Leitura Orante, com todos os internautas, com a oração:

Mestre:
a tua vida me traça o caminho,
a tua doutrina confirma
e ilumina os meus passos;
a tua graça me sustenta
e me conduz no caminho do céu.
Tu és perfeito Mestre:
dás o exemplo,
me ensinas
e me animas a seguir-te.

1- Leitura (Verdade)

- O que a Palavra diz?
Leio, atentamente, na Bíblia, o Evangelho do Dia: Lc 9,22-25.
Aquele que quiser seguir a Jesus, participar de sua vida e de sua missão, deverá percorrer o mesmo caminho dele. E ainda, renunciar ao poder, ao reino de um messias glorioso e vencedor. A causa é dele, que afirma: quem esquece a si mesmo por minha causa terá a vida verdadeira.

2- Meditação (Caminho)

- O que a Palavra diz para mim?
Também eu posso seguir Jesus. Assumir a sua causa. Nos momentos de maiores dificuldades vou me lembrar que esta causa é primordial. O seguimento de Jesus requer renúncia, busca de justiça e doação da vida por uma boa causa.Podemos afirmar, a melhor causa. Os bispos, em Aparecida, lembraram muito bem: "Como discípulos de Jesus reconhecemos que Ele é o primeiro e maior evangelizador enviado por Deus (cf. Lc 4,44) e ao mesmo tempo o Evangelho de Deus (cf. Rm 1,3). Cremos e anunciamos “a boa nova de Jesus, Messias, Filho de Deus” (Mc 1,1). Como filhos obedientes à voz do Pai, queremos escutar a Jesus (cf. Lc 9,35) porque Ele é o único Mestre (cf. Mt 23,8). Como seus discípulos, sabemos que suas palavras são Espírito e Vida (cf. Jo 6,63.68). Com a alegria da fé, somos missionários para proclamar o Evangelho de Jesus Cristo e, nEle, a boa nova da dignidade humana, da vida, da família, do trabalho, da ciência e da solidariedade com a criação."(DAp 103).

3- Oração (Vida)

- O que a Palavra me leva a dizer a Deus?
Oração da Campanha da Fraternidade de 2014
Ó Deus, sempre ouvis o clamor do vosso povo
e vos compadeceis dos oprimidos e escravizados.
Fazei que experimentem a libertação da cruz
e a ressurreição de Jesus.
Nós vos pedimos pelos que sofrem
o flagelo do tráfico humano.
Convertei-nos pela força do vosso Espírito,
e tornai-nos sensíveis às dores destes nossos irmãos.
Comprometidos na superação deste mal,
vivamos como vossos filhos e filhas,
na liberdade e na paz.
Por Cristo nosso Senhor.
AMÉM!

4- Contemplação (Vida e Missão)

- Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou deixar de lado toda vaidade e reconhecimento humano e ajudar alguém que sofre a carregar a sua cruz.
Esta causa é de Jesus e minha também.

Bênção

- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
Fonte: Catequese Católica

quarta-feira, 5 de março de 2014

Lançamento da CF-2014 na Arquidiocese de Fortaleza e Coletiva de Imprensa




Uma vez mais a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove, em âmbito nacional, durante a quaresma, a Campanha da Fraternidade (CF). Essa feliz iniciativa vem mobilizando, cada ano, toda a Igreja Católica e sociedade em favor da vida digna, justiça social, fraternidade e paz para todos os brasileiros e essa já é 51ª Campanha.

“Fraternidade e Tráfico Humano” é o tema da Campanha da Fraternidade 2014, escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, para nossa reflexão sobretudo, no tempo de quaresma que se aproxima. O tema não é só de interesse para os fiéis católicos, mas para toda a sociedade, independente de raça, cor ou religião, pois trata de um dos modos atuais de escravidão, fruto da cultura que vivemos. O lema é inspirado na carta aos gálatas “é para a liberdade que cristo nos libertou” (5,1).
A CF-2014 tem como objetivo geral identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vista ao resgate da vida dos filhos e das filhas de Deus. (Texto-Base da CF 2014)
Os criminosos deste tráfico exploram pessoas de várias atividades: construção, confecção, entretenimento, sexo, serviços agrícolas e domésticos, adoções ilegais, remoção de órgãos e outras. As vítimas normalmente são aliciadas com falsas promessas de melhores condições de vida em outras cidades ou países. Por isso, o tráfico humano é frequentemente vinculado à migração, sobretudo quando o migrante está sob alguma forma de ilegalidade dentro ou fora do país. (Texto-Base da CF 2014)
A abertura da CF-2014 na Arquidiocese de Fortaleza será feita em dois momentos: no dia 5 de março, Quarta-feira de Cinzas, às 18h30min abrindo o tempo da Quaresma, na Catedral Metropolitana de Fortaleza, em Missa presidida por Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques, arcebispo de Fortaleza; no dia 6 de março, às 15 horas, no Centro de Pastoral “Maria, Mãe da Igreja” com a presença dos representantes de setores eclesiais e civis relacionados ao tráfico humano, em sessão de abertura da CF. Na ocasião será realizada a tradicional entrevista coletiva aos meios de comunicação.
O Centro de Pastoral “Maria, Mãe da Igreja” está localizado na Rua Rodrigues Júnior, 300, Centro – Fortaleza, CE. Informações com Janayna Gomes – Setor de Comunicação (85) 99216701 ou (85) 33888703 / Secretariado de Pastoral (85) 3388 8701 ou (85) 33888702.

Na Quaresma o Papa pede fé, conversão e abertura aos irmãos

Papa Francisco. Foto: Grupo ACI
Vaticano, 05 Mar. 14 / 01:13 pm (ACI/EWTN Noticias).- Na sua catequese semanal, durante a Audiência Geral realizada hoje na Praça São Pedro, o Papa Francisco assegurou que a Quaresma é um tempo forte, no qual estamos chamados a viver, como elementos essenciais, uma fé autêntica, conversão e abertura de coração aos irmãos.


Continuando, a íntegra da Catequese do Papa:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Começa hoje, Quarta-Feira de Cinzas, o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa salvação.

A Quaresma nos prepara para este momento tão importante, por isto é um tempo “forte”, um ponto de reviravolta que pode favorecer em cada um de nós a mudança, a conversão. Todos nós temos necessidade de melhorar, de mudar para melhor.

A Quaresma nos ajuda e assim saímos dos hábitos cansados e do preguiçoso costume ao mal que nos engana. No tempo quaresmal, a Igreja nos dirige dois importantes convites: adotar uma consciência mais viva da obra redentora de Cristo; viver com mais empenho o próprio Batismo.

A consciência das maravilhas que o Senhor fez para a nossa salvação dispõe a nossa mente e o nosso coração a uma atitude de gratidão para Deus, por quanto Ele nos deu, por tudo aquilo que realiza em favor do seu povo e de toda a humanidade.

Daqui parte a nossa conversão: essa é a resposta grata ao mistério maravilhoso do amor de Deus. Quando nós vemos este amor que Deus tem por nós, sentimos a vontade de nos aproximarmos Dele: esta é a conversão.

Viver a fundo o Batismo – eis o segundo convite – significa também não se habituar às situações de degradação e de miséria que encontramos caminhando pelos caminhos das nossas cidades e dos nossos países.

Há o risco de aceitar passivamente certos comportamentos e de não se surpreender diante das tristes realidades que nos cercam. Nós nos acostumamos com a violência, como se fosse uma notícia cotidiana deduzida; habituamo-nos aos irmãos e irmãs que dormem pelas ruas, que não têm um teto para abrigar-se.

Habituamo-nos aos refugiados em busca de liberdade e dignidade, que não são acolhidos como se deveria. Habituamo-nos a viver em uma sociedade que pretende fazer pouco de Deus, na qual os pais não ensinam mais aos filhos rezar nem fazer o sinal da cruz.

Eu pergunto a vocês: os vossos filhos, as vossas crianças sabem fazer o sinal da cruz? Pensem. Os vossos netos sabem fazer o sinal da cruz? Vocês ensinaram a eles? Pensem e respondam no vosso coração. Sabem rezar o Pai Nosso? Sabem rezar à Nossa Senhora com a Ave Maria? Pensem e respondam. Este costume a comportamentos não cristãos e de comodismo narcotiza o nosso coração!

A Quaresma vem a nós como tempo providencial para mudar a rota, para recuperar a capacidade de reagir diante da realidade do mal que sempre nos desafia. A Quaresma seja vivida como tempo de conversão, de renovação pessoal e comunitária mediante a aproximação a Deus e a adesão confiante ao Evangelho.

Deste modo, permite-nos também olhar com olhos novos para os irmãos e as suas necessidades. Por isto a Quaresma é um momento favorável para se converter ao amor para com Deus e para com o próximo; um amor que saiba fazer propriamente a atitude de gratuidade e de misericórdia do Senhor, que “fez-se pobre para enriquecer-nos com a sua pobreza” (cfr 2 Cor 8, 9).

Meditando sobre os mistérios centrais da fé, a paixão, a cruz e a ressurreição de Cristo, perceberemos que o dom sem medida da Redenção nos foi dado por iniciativa gratuita de Deus.

Dar graças a Deus pelo mistério do seu amor crucificado; fé autêntica, conversão e abertura de coração aos irmãos: estes são elementos essenciais para viver o tempo da Quaresma.

Neste caminho, queremos invocar com particular confiança a proteção e a ajuda da Virgem Maria: seja Ela, primeira crente em Cristo, a nos acompanhar nos dias de oração intensa e de penitência, para chegar a celebrar, purificados e renovados no espírito, o grande mistério da Páscoa do seu Filho.

Fonte: Acidigital

Quarta-feira de cinzas - A

Por: Padre Wagner Augusto Portugal


Meus queridos Irmãos,

Com a Quarta-Feira de Cinzas, inicia-se o tempo da Quaresma. São quarenta dias, de um grande retiro de penitência e conversão, que vai até a 4a. feira Santa. Na solenidade de Cinzas o tema central é a PENITÊNCIA. A Liturgia insiste, hoje, na autenticidade da penitência, como “rasgar o coração, não apenas as vestes”, como anuncia a Primeira Leitura, retirada da Profecia de Joel. Também, a Liturgia ressalta o caráter interior do jejum, juntamente com as outras “boas obras”, como a esmola e a oração, conforme o ensinamento do Evangelho. A Segunda Leitura retirada da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, por sua vez, proclama o “tempo da reconciliação” com Deus, pregada por São Paulo com vistas à iminência da Parusia.

Estimados Irmãos,

A simbologia do número quarenta na Sagrada Escritura é vasta e rica de significados. Quarenta foram os dias em que Jesus jejuou e rezou no deserto(Cf. Mt 4,3), antes de começar a sua vida pública de anúncio do Reino de Deus. Quarenta foram os dias em que Moisés permaneceu no monte em diálogo com Deus (Cf. Ex 24,18), antes de receber as tábuas da Lei, que significavam a aliança de Deus com o povo. Quarenta anos foram o tempo em que o povo judeu perambulou pelo deserto rumo à Terra prometida (Cf. At 7,36). Quarenta foram os dias que os ninivitas fizeram penitência de seus pecados (Cf Jn 3,4) e quarenta foram os dias que Jesus permaneceu na terra depois de ressuscitado, confirmando os apóstolos na continuidade de sua missão redentora e salvadora.

Assim vamos viver os quarenta dias da Quaresma deste ano lembrando de nossa condição de pecadores, em profundo jejum e continuada oração, aspirando um dia gozar das alegrias eternas, em perfeita sintonia na fidelidade à aliança com Deus, preparando-nos para uma nova missão, que é a purificação de nossos pecados e a conseqüente penitência, numa palavra especial: a conversão sincera, isto é, o retorno a Deus, que implica um voltar-se também para as necessidades do próximo.

Irmãos e Irmãs,

Ao impor as cinzas nos fiéis o Celebrante irá anunciar: “Lembra-te que és pó e ao pó tornarás” ou a outra antífona: “Convertei-vos e crede no evangelho!” A primeira alocução nos liga ao início da Sagrada Escritura, quando se diz que Deus fez o homem de barro, e lembra muito concretamente o que sobra do corpo humano. Viemos do barro e voltaremos ao pó. Mas sobre o barro que somos, Deus soprou sua vida divina (Cf. Gn 2,7) e nele plantou sementes incorruptíveis (Cf. 1 Pd 1,23). Nosso destino nunca foi o pó e nem será. Nosso destino é o horizonte da imortalidade, a vida eterna. Por isso, a ressurreição de Jesus é a garantida da nossa sobrevivência, se formos fiéis ao seu Evangelho de Salvação, conversão sincera e a reta mudança de vida e de comportamento. 

As cinzas nos alertam para as nossas origens e para a nossa morte corporal, nossa origem divina e destino eterno.

O Tempo da Quaresma tem exatamente o significado de morrer para a velha vida e renascer para a vida da santidade. Ou como nos ensina São Paulo, Apostolo das Gentes, de “nos despojar do homem velho e corrompido... para nos revestir do homem novo, criado segundo Deus, em justiça e verdadeira santidade”(Cf. Ef 4,22-24).

Estimados amigos,

O homem, quando queima no fogo da penitência seus apetites mundanos e seus ídolos, o que sobra são cinzas castas, um coração puro, inteiramente pronto para, da morte, passar para a vida eterna. Devemos gemer de dor pelos dores dos pecados e erros cometidos. Por isso, as cinzas devem significar uma morte a um passado errado e o compromisso de uma vida nova para o dia de amanhã. Causa dor a muitos que, vendo o erro, mesmo procurando uma conversão sincera, não conseguem de muitos irmãos e irmãs de caminhada uma compreensão de sua conversão sincera e de seu propósito de vida. E isso brada aos céus, que pede que perdoemos os pecadores arrependidos quantas vezes forem necessárias, para que sejam associados ao Reino de Deus.

A cinza, simbolizando a dor e o sofrimento dos pecados, nos quer lembrar que a Quaresma quer ser um retorno aos valores duradouros. É um propício templo de reflexão sobre a transitoriedade das coisas, por mais ricas, preciosas e caras que sejam. As coisas deste mundo, lembra o salmista “são como a erva: de manhã floresce e viceja, de tarde murcha e seca”(Cf. Sl. 90,6). Também a palavra e as promessas humanas passam. Viva e eterna é a palavra Salvadora de Deus (Cf. 1Pd 1,23). O tempo da Quaresma, portanto, é propício para fazermos um balanço das coisas perecíveis e das coisas eternas.

Que as cinzas, impostas em sinal de Cruz na fronte de cada fiel, oriundo dos ramos do domingo de Ramos do ano precedente, nos lembre a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, nos lembrando que é preciso morrer para o pecado, porque é morrendo que se vive para a vida eterna. 

Caros irmãos,

Com a Quaresma se inicia a Campanha da Fraternidade de 2014, tem como Tema: “FRATERNIDADE E TRÁFICO HUMANO” e como Lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”(Gl 5,1). O objetivo geral da Campanha da Fraternidade de 2014 é “identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-las como violação da dignidade e da liberdade humanas, mobilizando cristãos e pessoas de boa vontade para erradicar este mal com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus”. Objetivos específicos: Identificar as causas e modalidades do tráfico humano e os rostos sofridos por esta exploração; Celebrar o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, sensibilizando para a solidariedade e o cuidado às vitimas dessas práticas; Suscitar, à luz da Palavra de Deus, a conversão que conduza ao empenho transformador desta realidade aviltante da pessoa humana; Denunciar as estruturas e situações causadoras do tráfico humano; Promover ações de prevenção e de resgate da cidadania dos atingidos; Reivindicar, aos poderes públicos, políticas e meios para a reinserção das pessoas atingidas pelo tráfico humano na vida familiar, eclesial e social. O Jesus que jejua, o Jesus que se dedica à oração, deve ser visto à luz do Cristo transfigurado. Toda a caminhada de conversão dos cristãos só tem sentido à luz da ressurreição pregustrada no Tabor. Celebremos, pois, com estas cinzas a vocação do ser humano, chamado à imortalidade feliz, contanto que realize o mistério pascal de morte e vida em sua vida terrena. Amém!