quinta-feira, 18 de setembro de 2014

24º Semana Comum - Quinta- feira - Liturgia Diária

Invoquemos a presença do Espírito Santo para ler e refletir a liturgia de hoje:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. 

Oremos 

Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.
Oração
Pai, faze-me nutrir um amor tão entranhado a Jesus a ponto de não ter vergonha de manifestá-lo em nenhuma circunstância, mesmo correndo o risco de ser mal-compreendido
Primeira leitura: 1Cor 15,1-11
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
1Irmãos, quero lembrar-vos do evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo teríeis abraçado a fé em vão.
3Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras, 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo.
9Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10É pela graça de Deus que eu sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril: prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos – não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo.
11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes.
. - Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmos: Sl 118
          — Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!
— Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!

— Dai graças ao Senhor porque ele é bom. Eterna é a sua misericórdia. A casa de Israel agora o diga: Eterna é a sua misericórdia.

— A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas. Não morrerei, mas ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor.

— Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço. Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores
 
 
Evangelho: Lc 7,36-50
         - O Senhor esteja convosco.
          - Ele está no meio de nós.
          - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas.
          - Glória a vós, Senhor.

        Naquele tempo, 36um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa.
37Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume.
39Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: “Se este homem fosse um profeta, saberia que40tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora”.
Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para te dizer”. Simão respondeu: “Fala, mestre”!41“Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro cinquenta. 42Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?” 43Simão respondeu: “Acho que é aquele ao qual perdoou mais”. Jesus lhe disse: “Tu julgaste corretamente”.
44Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: “Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor”. 48E Jesus disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”.49Então, os convidados começaram a pensar: “Quem é este que até perdoa pecados?” 50Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
 
Comentário do Evangelho
Uma profissão de fé sem palavras.Jesus não se recusa ir à casa de quem quer que seja. Vai à casa até mesmo daqueles que lhe fazem oposição. É a terceira vez que é convidado e aceita ir à casa de um fariseu (5,29-32; 19,1-10). Estando à mesa na casa de Simão, o fariseu, uma pecadora da cidade entra na casa e faz como que os gestos típicos da lei de hospitalidade. A objeção de Simão informa o leitor que não se pode se deixar tocar por uma pecadora. Para responder à objeção do fariseu, Jesus conta uma parábola seguida imediatamente de uma pergunta a Simão. A parábola ressalta a gratuidade do credor: é ele quem perdoa, não importa qual o tamanho da dívida. Deus perdoou a mulher por sua fé em Jesus. Os gestos da mulher não exprimem simplesmente arrependimento, mas profunda fé naquele que a pode salvar. É uma profissão de fé sem palavras. Aqui, os gestos são muito mais eloquentes. Em Jesus ela encontra acolhida, pode experimentar a misericórdia de Deus e ver descortinar a possibilidade de uma vida nova. Não é em razão de sua fé que ela foi perdoada, mas a fé em Jesus é necessária para acolher o dom do perdão.
 
Leitura Orante

Oração Inicial

Saudação
- A nós, a paz de Deus, nosso Pai,
a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo,
no amor e na comunhão do Espírito Santo.
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Espírito Santo, Deus de amor,
concede-me: a inteligência que te conheça;
a angústia que te procure;
a sabedoria que te encontre;
a vida quete agrade;
a perseverança que enfim te possua.
Amém.
Santo Tomás de Aquino

1- Leitura (Verdade)

O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Lc 4,38-44, e observo pessoas, palavras, relações, lugares.
Jesus aceitou o convite do fariseu e foi fazer jantar na casa dele. Aproveita a ocasião para ensinar.Os comensais estão reclinados em almofadas. Embora a sala estivesse aberta, não era comum que uma mulher de “má fama” entrasse. A mulher soube que Jesus estava ali e não se importou com o que pudesse dizer. Entrou com um frasco de perfume. O que ela fez foi tão afetuoso, tão penitencial , reconhecido e tão amoroso! Mas, para aquelas pessoas que tinham o costume de julgar, ,foi tão escandaloso. A mulher soltou os cabelos. Lavou os pés de Jesus com suas lágrimas, enxugou-os com os cabelos, os beijava e derramou sobre eles o perfume. Jesus a deixa se expressar, sem rejeitá-la ou colocar resistência. O anfitrião se escandalizou e pensou: “Se ele fosse um profeta saberia quem é esta mulher pecadora que o está tocando...” Jesus vê o pensamento de Simão e responde a ele contando-lhe a parábola dos dois homens que tinham a dívida. Aquele a quem mais foi perdoado de sua dívida vai estimar mais o homem. Pelos gestos da mulher, Jesus diz que ela teve um grande amor e por isso os seus “muitos pecados já foram perdoados”. Amar pode equivaler a agradecer, conforme a origem da palavra. Para a mulher ele diz: “A sua fé salvou você!”

2- Meditação (Caminho)

O que o texto diz para mim, hoje? Qual palavra mais me toca o coração?
Entro em diálogo com o texto. Reflito e atualizo. O que o texto me diz no momento?
Se Jesus viesse jantar em sua casa, em qual posição você estaria: na de Simão? Dos outros convidados? Ou da mulher?
Na Conferência de Aparecida, os bispos falaram da dignidade humana: "
"Bendizemos a Deus pela dignidade da pessoa humana, criada à sua imagem e semelhança. Ele nos criou livres e nos fez sujeitos de direitos e deveres em meio à criação. Agradecemos a ele ter-nos associado ao aperfeiçoamento do mundo, dando-nos inteligência e capacidade para amar; e lhe agradecemos a dignidade, que recebemos também como tarefa que devemos proteger, cultivar e promover. Bendizemos a Deus pelo dom da fé que nos permite viver em aliança com ele até o momento de compartilhar a vida eterna. Bendizemos a Deus por nos fazer suas filhas e filhos em Cristo, por nos haver redimido com o preço de seu sangue e pelo relacionamento permanente que estabelece conosco, que é fonte de nossa dignidade absoluta, inegociável e inviolável. Se o pecado deteriorou a imagem de Deus no homem e feriu sua condição, a boa nova, que é Cristo, o redimiu e o restabeleceu na graça (cf. Rm 5,12-21)." (DAp 104).
Minha vida reflete o que o texto diz? Em quê? O meu Projeto de vida é o do Mestre Jesus Cristo?

3- Oração (Vida)

O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo com o bem-aventurado Alberione:
Jesus Mestre, disseste que a vida eterna consiste
em conhecer a ti e ao Pai.
Derrama sobre nós, a abundância
do Espírito Santo!
Que ele nos ilumine, guie e fortaleça no teu seguimento,
porque és o único caminho para o Pai.
Faze-nos crescer no teu amor,
para que sejamos, como o apóstolo Paulo
testemunhas vivas do teu Evangelho.
Com Maria,
Mãe Mestra e Rainha dos Apóstolos,
guardaremos tua Palavra,
meditando-a no coração.
Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, tem piedade de nós.

4- Contemplação (Vida e Missão)

Qual meu novo olhar a partir da Palavra? Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou eliminar do meu modo de pensar e agir todo julgamento que não é conforme Jesus Mestre. Vou demonstrar pela vida que o amor de Deus se revela no amor ao próximo. Vou lembrar, durante o dia: "A fé salva!"

Bênção

- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém
.
Fonte: Catequese Católica

A cura de uma sociedade doente

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)
O problema que divide os homens de hoje não é de ordem política, mas de ordem social. Trata- se de saber quem terminará vencedor, se o espírito de egoísmo ou o espírito de sacrifício; e se a sociedade será uma sociedade de lucro sempre maior para proveito dos mais fortes ou de dedicação de cada um ao bem de todos e, sobretudo, para a defesa dos mais fracos.

Muitos têm em demasia e, todavia, querem ter mais; outros não têm o suficiente ou não têm nada, e querem obter pela força oque não lhes dão. Prepara-se uma guerra entre estas duas classes e ameaça ser terrível: de um lado, o poder da riqueza; do outro, a força do desespero. Nós devemos nos interpor entre esses dois lados, se não para impedir o choque, ao menos para suavizar o confronto. Nossa juventude e nossa modesta condição podem facilitar-nos a tarefa de mediadores, tarefa esta que nossa condição de cristãos parece exigir-nos como obrigatória. Eis aqui a possível utilidade de nossa Conferência São Vicente de Paulo”.
Esta afirmação encontrada nas cartas da Juventude, de 1836, do bem aventurado Antônio Frederico Ozanam, fundador das Conferências Vicentinas, são de uma atualidade impressionante. O que nós assistimos hoje senão a guerra dos excluídos, buscando maior dignidade, justiça, igualdade.
Os fatos que ainda estão em nossa memória, acontecidos nas vésperas da Jornada Mundial da Juventude no Rio, da Copa do Mundo no Brasil, não foram sinais de guerra entre humanos insatisfeitos com a situação do país e do mundo?
O que seria do mundo se a Igreja católica e as mais variadas congregações, associações e movimentos cristãos, não tivessem entendido a exigência da caridade e do amor, criando as mais variadas obras de caridade?
Neste mês celebramos trinta anos do Asilo São Vicente de Paulo, uma obra de Deus, onde só existe caridade, amor concreto, para noventa e seis homens e mulheres no declinar da vida, para viver o tempo de Deus com dignidade.
“Se não sabemos amar a Deus como os santos o amavam, isso deve ser para nós um motivo de reprovação, ainda que nossa debilidade pudesse nos dar um motivo para nos dispensarmos, visto que, para amar, parece que faz falta ver, e nós vemos a Deus só com os olhos da fé. E nossa fé é tão debilitada! Mas os pobres, os pobres que vemos com um olhar humano, nós os temos diante de nós, podemos tocar suas chagas com nossas mãos e ver as feridas da coroa de espinhos em sua cabeça. Sendo assim, não podemos deixar de crer, mas devemos prostrar-nos a seus pés e dizer-lhe com o apóstolo: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ Vós sois nossos senhores e nós, vossos servos; vós sois a imagem sagrada deste Deus a quem não vemos, e, não podendo amá-lo de outro modo, o amaremos em vossa pessoa” (Bem aventurado Frederico Ozanam).
Como o exemplo da caridade de São Vicente, através das Conferências Vicentinas criadas por Ozanam, temos milhares de outros testemunhos, onde o amor-caridade é a razão do trabalho.
Os impérios caem, as riquezas apodrecem, o abismo entre ricos e pobres aumenta, os pobres lutam para ganhar o pão de cada dia, o mundo clama por mais amor, justiça e igualdade.
O mundo, a sociedade está doente. O remédio está no coração de cada cidadão. Ninguém deve imitar Pilatos, lavando as mãos, se declarando inocente e sem compromisso. O momento clama pela solidariedade de todos, para que as obras sociais e de promoção humana, continuem fazendo o bem, para um mundo de paz e de fraternidade.
Fonte: CNBB

O pêndulo

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)
 Entre o presente e o futuro muitos balançam como o pêndulo e não se seguram para não caírem em sua própria perplexidade. Mas o que dá segurança em nosso vida não é a matéria   nem são os efeitos da busca de bem estar provocado pelos estímulos sensoriais ou os prazeres. Esses muitas vezes camuflam a sensação de realização humana. Mas nós não nos contentamos com o que é passageiro. Por isso, a sede de infinito nos questiona sobre a história sobre a terra e sua relação com a vida imorredoura.
Deus nos criou nesta terra para dela cuidarmos, numa convivência amorosa entre os pares e a natureza, mas sempre com o fio condutor da relação amigável com Ele. Quanto mais realizarmos seu projeto em nossa vida, mais percebemos o sentido da caminhada terrestre em busca da vida plena, que só se dará em total realização humana, quando virmos o deslumbre do Criador com nossos olhos transformados na ressurreição.
Paulo apresenta a certeza da vida eterna e a importância da vida terrena levada a efeito com o projeto divino. Ele preferiria ir logo para a eternidade, mas sabe da missão que Deus lhe dá para ainda viver aqui seguindo os ditames do Criador: “Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo – o que para mim seria de longe o melhor –, mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo” (Filipenses 1,23-24).
O que é terreno é bom. Foi criado por Deus. Mas seus efeitos positivos para nós depende do modo de usá-lo.  O ter, o prazer e o poder precisam ser dosados com a ética, o respeito à dignidade da vida, da família, do sexo, da pessoa humana, a justiça, o bem individual e social. Por isso, o Filho de Deus veio nos dizer como fazê-lo. Saber fazer escolhas, renúncias, utilização dos dons, convivência na solidariedade, realizar um projeto de vida com hipoteca do bem comum e nortear-se pelo Transcendente são coordenadas de suma valia para seguirmos o fio condutor da caminhada neste mundo, em vista da consecução da vida plena.
Toda profissão e todo exercício de cargos e funções são realizadores para seus sujeitos quando vividos em razão de utilidade para o bem de todos. Assim, os cargos políticos deveriam ser exercidos somente em ordem à boa ordenação da coisa pública para o melhor serviço à comunidade. Ao contrário, o pêndulo de seu sentido ficaria caído e inutilizado por ferir sua razão de ser. Todos somos corresponsáveis nessa questão. Nosso voto deve expressar nossa grandeza cidadã. Com a aceitação da vontade do Criador cuidamos uns dos outros para fazermos o grande barco da caminhada terrestre um meio de vida de qualidade, tendo em vista a finalização de tudo em Deus, que está presente em nossa história. Ela nos conduz até Ele para o outro lado do nosso oceano vital. Enquanto é tempo precisamos afinar nosso caminho com o do Senhor: “Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor” (Isaías 55,7). Assim, o fio condutor da vida faz o elo entre o presente e o futuro de nossa existência.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

"A Igreja não pode ignorar a política", afirma presidente da CNBB durante debate

Com uma mensagem de saudação aos 8 candidatos presentes, ouvintes e internautas, o o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis, abriu o debate presidencial, na noite de terça-feira, 16. Os aspirantes à presidente da República foram: Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Eduardo Jorge (PV), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Luciana Genro (PSOL),  Marina Silva (PSB) e pastor Everaldo (PSC).
Após também saudar os bispos e arcebispos presentes no Centro de Eventos do Santuário Nacional de Aparecida, dom Damasceno afirmou que a CNBB faz a proposta do debate, convicta de “que a Igreja não pode ignorar a política não apenas enquanto instrumento necessário para a organização da vida social, mas sobretudo enquanto expressão de opções e valores que definem o destino do povo e a concepção do homem”. O cardeal lembrou o quanto a CNBB tem sido presente na vida social e política do país, com o intuito de colaborar para a construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária, e também no fortalecimento da democracia e cidadania do povo. “É direito do eleitor conhecer clara e verdadeiramente o candidato que receberá seu voto”, ressaltou dom Damasceno, lembrando que cada eleitor é livre para escolher de forma consciente seu candidato.
Sob a mediação do jornalista Rodolpho Gamberini, no primeiro bloco os oito candidatos responderam a uma única pergunta elaborada pela presidência da CNBB, sobre o projeto Coalização pela Reforma Política Democrática. Aécio Neves lembrou a lei “Ficha Limpa”, na qual a CNBB ajudou muito, enquanto Marina Silva afirmou ter em sua proposta de governo a intenção de tratar da reforma política. A presidente Dilma Rousseff afirmou ter certeza da necessidade de uma profunda reforma, concordando com os quatro pontos elencados pelo projeto, assim como o candidato Eduardo Jorge, que disse inclusive já estar praticando o financiamento público de campanha. O candidato Eymael falou sobre sua história de vida, e Luciana Genro declarou que seu partido concorda e foi um dos parceiros na elaboração da proposta. Os candidatos Levy Fidélix e o pastor Everaldo mostraram-se contrários à obrigatoriedade do voto.
No segundo bloco, por meio de sorteio, os políticos responderam a perguntas propostas pelos bispos indicados pela CNBB. A candidata Marina Silva respondeu à pergunta do bispo de Caxias (MA) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, dom Vilson Basso, sobre a violência e o extermínio de jovens, além da questão de combate às drogas. Em seguida, o bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, dom João Carlos Petrini, perguntou ao candidato Levi Fidelix sobre meios para a valorização da família. A candidata Luciana Genro respondeu à pergunta do  arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente da CNBB, dom José Belisário da Silva, sobre a laicidade do Estado. Para responder à pergunta do bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, dom Guilherme Werlang, sobre a diminuição da desigualdade social, a sorteada foi a candidata à reeleição, Dilma Rousseff. Já Aécio Neves respondeu ao questionamento sobre a baixa qualidade da educação brasileira, feito pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação, dom Joaquim Mol.  O arcebispo de Campo Grande (MS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, dom Dimas Lara, perguntou ao pastor Everaldo sobre as concessões de radiodifusão às confissões religiosas. Eymael respondeu ao questionamento do bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, sobre as propostas voltadas aos marginalizados da sociedade, e para encerrar o bloco, o arcebispo de Terezina (PI), dom Jacinto Furtado, abordou a demarcação dos territórios indígenas em sua pergunta ao candidato Eduardo Jorge.
No bloco seguinte, jornalistas das mídias católicas perguntaram aos pretendentes ao cargo público sobre temas como homofobia, contas públicas, saneamento básico, saúde, reforma tributária, redução da maioridade penal, descriminalização das drogas e aborto. No quarto bloco, os postulantes à presidência puderam perguntar diretamente uns aos outros. No quinto e último bloco, dedicado às considerações finais de cada candidato, todos agradeceram à CNBB pela oportunidade de esclarecerem suas propostas aos eleitores cristãos e à sociedade em geral.
 O debate com os candidatos à presidência da República, promovido pela CNBB, foi transmitido ao vivo por oito emissoras de inspiração católica, rádios e portais. 
Fonte: CNBB

Jantar Beneficente- Capela Nossa Senhora de Fátima- Passaré

" Mas é preciso que o fruto se parta e se reparta na mesa do amor". 

                                                     Comunidade Nossa Senhora de Fátima,
Convida você,sua família e amigos para este momento de partilha e confraternização!
Data: 10 de Outubro de 2014
Horário: 19:30
Local: Capela Nossa Senhora de Fátima- Jardim Castelão- Passaré

Valor: R$ 15,00
Contamos com todos  vocês!

Lembramos que este momento de entrosamento e partilha será animado com  FORRÓ PÉ-DE- SERRA.


(  Apenas Ilustração )

24º Semana Comum - Quarta- feira - 17 de Setembro - Liturgia Diária

Invoquemos a presença do Espírito Santo para ler e refletir a liturgia de hoje:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. 

Oremos 

Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Oração
Pai, purifica-me de toda forma de orgulho que me leva a desprezar meu semelhante e a julgar-me superior a ele. Como Jesus, desejo estar próximo de quem se afastou de ti.
Primeira leitura: 1Cor 12,31-13,13
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Irmãos, 12,31Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. 13,1Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.
2Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada. 3Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.
4A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; 5não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; 6não se alegra com a iniquidade, mas regozija-se com a verdade. 7Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo. 8A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. 9Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita.
10Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. 12Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido. 13Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.
. - Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmos: Sl 33
          — Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
— Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

— Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o! Cantai para o Senhor um canto novo, com arte sustentai a louvação!

— Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.

— Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
 
 
Evangelho: Lc 7,31-35
         - O Senhor esteja convosco.
          - Ele está no meio de nós.
          - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas.
          - Glória a vós, Senhor.

        Naquele tempo, disse Jesus: 31“Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem? 32São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!’
33Pois veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio!’34Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores!’ 35Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
 
Comentário do Evangelho
Falta discernimento.
O trecho anterior ao evangelho da liturgia de hoje é o episódio em que João Batista, da prisão, envia seus discípulos a Jesus para perguntar se, de fato, ele era o Messias prometido. Jesus responde a João citando o profeta Isaías (Lc 7,18-23). A pergunta de João mostra a sua dificuldade de discernir e compreender os sinais que revelam a identidade profunda de Jesus. A resposta de Jesus citando Isaías é suficiente para que João compreenda que, efetivamente, o “hoje” da salvação se realiza na pessoa de Jesus, no seu ensinamento e nos seus gestos. Toda a atividade do Batista visava à conversão das pessoas em vista da chegada do Messias. O movimento de João Batista ganhou muitos adeptos, mas também sofreu muita resistência (cf. Lc 7,29-30). No movimento de aceitação/rejeição de João Batista é prefigurada a aceitação/rejeição de Jesus. Trata-se, aqui, de aceitar ou rejeitar o desígnio salvífico de Deus. A incredulidade dos chefes do povo é criticada. Ela ilustra a rejeição da missão e da mensagem de Jesus por parte das autoridades religiosas. Falta a eles o discernimento para, em meio às vicissitudes do tempo, conhecerem a graça de Deus manifestada na pessoa de Jesus Cristo.
 
Leitura Orante

Oração Inicial

Reúno-me a todas as pessoas que se encontram em torno da Palavra na internet:
- A nós, a paz de Deus, nosso Pai,
a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo,
no amor e na comunhão do Espírito Santo.
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre, que dissestes:
"Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome,
eu aí estarei no meio deles",
ficai conosco,
aqui reunidos (pela grande rede da internet),
para melhor meditar
e comungar com a vossa Palavra.
Sois o Mestre e a Verdade:
iluminai-nos, para que melhor compreendamos
as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho:
fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.
Sois a Vida:
transformai nosso coração em terra boa,
onde a Palavra de Deus produza frutos
abundantes de santidade e missão.(Bv. Alberione)

1- Leitura (Verdade)

O que diz o texto do dia?
Leio atentamente na Bíblia o texto: Lc 7,31-35, e observo as palavras de Jesus.
Jesus usa uma comparação interessante. Compara as pessoas de má vontade a crianças caprichosas que nunca estão satisfeitas e querem todas as demais pessoas à sua volta, “dançando” e “chorando” conforme elas comandam. Ninguém as agrada. Diz Jesus que a João que jejuava estas pessoas o chamam de possesso. A Ele, que é amigo dos pecadores, e veio para salvá-los, chamam-no de comilão e beberrão. Difícil contentar a quem apenas quer condenar, criticar, distorcer. Sobretudo a quem não admite alguém superior ou igual a si. Para esses, é difícil aceitar Jesus. É difícil aceitar o precursor. É o que Jesus quer dizer, quase em tom de lamento e indignação.

2- Meditação (Caminho)

O que o texto me diz no momento?
Minha vida reflete o que o texto diz ou há contradições? Os bispos, em Aparecida, falaram de mudança de época, contradições:
"Vivemos uma mudança de época, e seu nível mais profundo é o cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser humano, sua relação com o mundo e com Deus; "aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século... Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas. Surge hoje, com grande força, uma supervalorização da subjetividade individual. Independentemente de sua forma, a liberdade e a dignidade da pessoa são reconhecidas. O individualismo enfraquece os vínculos comunitários e propõe uma radical transformação do tempo e do espaço, dando papel primordial à imaginação. Os fenômenos sociais, econômicos e tecnológicos estão na base da profunda vivência do tempo, o qual se concebe fixado no próprio presente, trazendo concepções de inconsistência e instabilidade. Deixa-se de lado a preocupação pelo bem comum para dar lugar à realização imediata dos desejos dos indivíduos, à criação de novos e muitas vezes arbitrários direitos individuais, aos problemas da sexualidade, da família, das enfermidades e da morte." (DAp 44).

3- Oração (Vida)

O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo com o bem-aventurado Alberione:
Jesus Mestre, disseste que a vida eterna consiste
em conhecer a ti e ao Pai.
Derrama sobre nós, a abundância
do Espírito Santo!
Que ele nos ilumine, guie e fortaleça no teu seguimento,
porque és o único caminho para o Pai.
Faze-nos crescer no teu amor,
para que sejamos, como o apóstolo Paulo
testemunhas vivas do teu Evangelho.
Com Maria,
Mãe Mestra e Rainha dos Apóstolos,
guardaremos tua Palavra,
meditando-a no coração.
Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, tem piedade de nós.

4- Contemplação (Vida e Missão)

Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus.
Vou eliminar do meu modo de pensar e agir aquilo que não vem de Deus,
que não é conforme o Projeto de Jesus Mestre. Escolho uma frase ou palavra para memorizar.
Vou repeti-la durante o dia. Esta Palavra vai, aos poucos, fazendo parte da minha vida.

Bênção

- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
Fonte: Catequese Católica

A missão nos primeiros dois séculos do cristianismo

Por Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

           Introdução:
            Iluminados pela Palavra de Deus, impulsionados pela Conferência de Aparecida e pelas Diretrizes da CNBB 2011-2015, no momento atual fala-se bastante, com muita alegria e disposição de espírito, sobre o discipulado, a missão na Igreja e no mundo. Algumas pastorais e alguns movimentos descobriram pelo batismo que são missionários e missionárias, fazendo missão, pela acolhida, visitas às famílias e às comunidades.  A Palavra do Senhor Jesus encarna-se nas pessoas e nos povos. Esses temas estavam também presentes nos primeiros tempos do cristianismo. Eles ganharam sua consideração, porque as pessoas, uma vez convertidas, proclamavam aos outros as maravilhas de Deus em Jesus acontecidas nela. É importante fazer uma análise de como esses dados foram vivenciados, proclamados por muitos povos que se encantaram pela missão cristã.

            1. A missão a partir de escritores cristãos
Esse período (os primeiros dois séculos) firma a missão em quase todos os cantos do Império Romano através da divulgação da mensagem de Jesus aos pagãos, de modo a constituir seguidores e comunidades. A missão é mais urbana que rural, dando-se mais no Oriente que no Ocidente. Pelos autores cristãos há notícias de algumas comunidades onde havia serviços próprios, como os diáconos, os presbíteros, os bispos, e muitos leigos e leigas comprometidos.
 Clemente Romano escreveu, no final do primeiro século, para os Coríntios, exortando-os para unidade, uma vez que houve ali uma revolta contra os dirigentes da comunidade, presbíteros e bispos, os assim “eleitos de Deus”. Ele tem presente, sobretudo Cristo, que veio a este mundo para servir e ajudar as pessoas a se encontrarem na alegria e no amor. “Ele carrega nossos pecados e sofre por nós. E nós o contemplamos entregue ao sofrimento, à dor e aos maus-tratos. Ele foi ferido por causa de nossos pecados e maltratado por causa de nossas iniqüidades”.  
 Em Inácio de Antioquia há notícias, pelas suas cartas, da missão que prosseguia pelo mundo afora. Na sua visão, os bispos eram a imagem do Pai, os presbíteros, a assembléia dos apóstolos, e os diáconos a imagem de Jesus Cristo. Ele deseja que todos trabalhem pela unidade da Igreja diante dos gnósticos, docetas ou mesmo judaizantes. Essa unidade é dada também pela eucaristia, pelo fato de ter uma só carne em Jesus Cristo, um só cálice, e um único altar.  Nesse período, ganhou muito estima a figura de Policarpo, bispo de Esmirna. Sem dúvida, ele influenciou a sua comunidade na fé e na organização dos serviços eclesiais e sociais. Dele nós também temos uma carta dirigida aos Filipenses, onde ele coloca o dever dos esposos, das viúvas, dos diáconos, dos jovens e dos presbíteros. Ele foi uma pessoa de muita fé em Jesus Cristo de modo a morrer por ele. Prova disso foi a sua resposta diante do chefe da polícia que insistia em que renegasse a sua fé. Ele replicou: “Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou?”
No II século, o cristianismo se estabeleceu sempre mais nas cidades e também na campanha. Ele era proclamado junto ao povo pagão, através de pessoas simples e de mestres, que fundavam escolas em vista da conversão cristã. Um desses foi Justino do qual encontram-se dados importantes a respeito da missão. Ele diz que os cristãos são ateus dos deuses dos pagãos, mas não “do Deus verdadeiríssimo, pai da justiça, do bom senso e das outras virtudes, no qual não há mistura de maldade. A Ele e ao Filho, que dele veio e nos ensinou tudo isso, ao exército dos outros anjos bons, que o seguem e lhe são semelhantes, e ao Espírito profético, nós cultuamos e adoramos, honrando-os com razão e verdade, e ensinando, generosamente, a quem deseja sabê-lo, a mesma coisa que aprendemos”.  
 Ora, os cristãos não eram pessoas violadoras de deveres sociais. Segundo Justino, eles pagavam os tributos e contribuições, antes dos próprios pagãos nos lugares estabelecidos por eles, porque assim foi ensinado por Cristo Jesus.  Através desse autor, sabe-se, desde o início do II século, que os cristãos encontravam-se no domingo, dia do Senhor, para a celebração eucarística e a continuidade da vivência da palavra de Jesus em suas vidas. No primeiro dia da semana, ou o dia do Sol, celebrava-se um encontro daqueles que moravam, seja nas cidades, seja nos campos, e lêem-se as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas.  Oferece-se pão, vinho, água, e o presidente faz subir a Deus suas preces e ações de graças. Em seguida, há a distribuição e participação de cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes, através dos diáconos sendo distribuído a órfãos e viúvas, aos que passavam por necessidades, aos que estavam nas prisões, forasteiros, e todos os que se aproximavam da comunidade para receber alguma ajuda.
Justino reconhece também que o Verbo (Lógos spermatikós) semeou sementes da verdade em outros povos, de modo que a missão foi acontecendo anteriormente pela ação divina e humana. Assim todos aqueles que viveram as normas do Verbo estão ligados a ele, ou mesmo os filósofos que buscaram a verdade e não a puderam perceber na sua integridade, viveram as normas do cristianismo. Se a verdade está no cristianismo, segundo Justino,  eles a contemplaram, em parte, e por isso estão ligados aos bens do Senhor Jesus. Dessa forma, esse autor do segundo século foi muito feliz em colocar a missão como obra de Deus em meio ao mundo pagão, onde a Igreja estava sempre mais ganhando forças.
   2. O significado e a identificação da missão cristã no Império – Causas da conversão cristã
         Um fato essencial é que a missão aconteceu no Império romano que não era a-religioso; pelo contrário, estavam presentes diversos deuses em contexto social marcado pelo politeísmo. A veneração dos deuses era um dos deveres dos cidadãos em relação ao Estado, constituindo um elemento importante do direito romano. Tudo isso visava uma religião de salvação e de utilidade pública.  Levanta-se a pergunta: por que o mundo antigo se converteu ao cristianismo e não permaneceu no contexto pagão ou seguiu a filosofia platônica ou ainda manifestou simpatia ao judaísmo?  Se de um lado, é impossível aduzir um único motivo pelo qual os pagãos buscavam o cristianismo, de outro lado, é possível decifrar algumas causas que levaram as pessoas a assumirem essa nova religião:
A busca da verdade: é o desejo de todos os seres humanos, em todos os tempos. Jesus tinha dito que a verdade liberta as pessoas (cf. Jo 8,32).  Para o cristão, a verdade é o Cristo, o Filho de Deus encarnado. Alguns autores converteram-se por essa busca da verdade contida no cristianismo, o Cristo, a presença de Deus. Justino de Roma fala da busca pela verdade. Tertuliano converteu-se ao cristianismo motivado pela verdade. Deus é o Deus verus; e a verdade é o objeto de ódio dos demônios.
      A busca pela liberdade que vem do próprio Cristo. Essa é uma outra causa em vista da conversão cristã. O Império romano tinha a base de sua pirâmide na escravidão. Esse mundo de escravidão e de escravos encontrou, no cristianismo, a liberdade da alma, uma certa igualdade dos direitos religiosos com os seus senhores. Percebe-se o valor da liberdade que vem de Jesus Cristo para todo o povo que não podia ter direitos mesmo diante de suas palavras: “A verdade vos libertará” (Jo 8,3).  Os padres em si eram contrários à escravidão.
      O martírio. Esse foi um outro fator que possibilitou a conversão do paganismo ao cristianismo, por parte de muitas pessoas. Diversas são as testemunhas que atraíram pessoas e iniciaram uma nova caminhada de fé. Tertuliano dizia: Semen est sanguis christianorum. “É semente o sangue dos cristãos”.  O martírio era uma ocasião que levava pessoas à conversão, porque trazia sofrimentos e entrega de suas vidas a Jesus. O martírio era visto como uma imitação do fiel a Jesus até às últimas conseqüências pela sua paixão, morte e a esperança na ressurreição.
 3. Pessoas empenhadas na missão
A missão, nos primeiros dois séculos, foi assumida por muitas pessoas, não só por aqueles que tivessem um determinado estudo ou eram enviados pela comunidade apostólica, mas também por pessoas humildes com pouco conhecimento. No entanto, elas não deixavam de divulgar o que aprenderam pelo evangelho de Cristo Jesus.
  O anúncio da fé em Cristo não era algo organizado pela própria Igreja, mesmo porque não podia fazer um controle, seja pela autoridade da Igreja, seja por uma equipe responsável. Se havia grandes mestres livres que tinham discípulos e fundaram Escolas, como Justino em Roma, Panteno, Clemente e Orígenes, em Alexandria, e Tertuliano, no Norte Africano, havia também pregadores itinerantes que assumiam com alegria a missão de propagar o evangelho de Cristo. A Didaqué fala de missionários (apóstolos e profetas), que passavam de comunidade em comunidade, de modo que a comunidade deveria recebê-los bem, como o Senhor Jesus.
Orígenes fala de pessoas que percorriam, não só as cidades, mas também as aldeias e sítios para trazerem as pessoas à piedade de Deus. Elas não realizavam tais coisas para se enriquecer, porque se contentavam com o indispensável, e homens e mulheres partilhavam com o povo das comunidades o que era supérfluo.
    A Igreja da Antioquia florescia e crescia em número; foi ali que, pela primeira vez, os seguidores de Cristo chamaram-se de cristãos (cf. At 11,19-26). Eusébio diz que os apóstolos e os discípulos foram dispersos pela terra inteira por causa do evangelho. Ele fala de alguns deles; Tomé, conforme a tradição, anunciara a Pártia, André a Silícia, João a Ásia, tendo morrido em Éfeso. Pedro pregou aos judeus da diáspora, no Ponto, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia (cf. 1 Pd 1,1). Mais tarde fora para Roma, onde recebeu a crucificação de cabeça para baixo, conforme o seu desejo. Paulo propagou o evangelho de Cristo por diversas regiões do mundo e foi martirizado sob Nero.
4. O cristianismo nas diversas regiões do Império
Se a missão aconteceu de uma forma geral, no contexto imperial, essa se encarnou nas diversas regiões e províncias como a Palestina, a Síria, o Egito, o Norte da África, a Itália, a Gália, e a Alemanha. Nesses países, a missão ganhou valor, porque muitos viviam na radicalidade o evangelho, a palavra de Jesus. Dessa forma, o mundo antigo assumiu a doutrina cristã.      
            Conclusão
            A compreensão da missão na Igreja tem o seu sentido em Jesus. Ele é o missionário do Pai. Veio anunciar a todos a misericórdia, o amor divino. Ele convoca todos à fraternidade, ao amor entre as pessoas e povos. Por isso mesmo, ele constitui discípulos e os envia ao mundo para proclamar as verdades sobre a sua pessoa, o Reino de Deus, a vida, o amor do Pai e a alegria do Espírito Santo. A missão cristã, nos primeiros dois séculos, alcançou praticamente os confins do Império, de modo que muitos assumiram a mensagem de Jesus com disposição de espírito. É claro que a missão sofreu, por parte dos seguidores de Jesus Cristo, perseguições, incompreensões, mortes. Porém, ela transformou a vida de muitas pessoas, homens e mulheres, porque encontraram, na mensagem evangélica, a alegria de doar a vida, servir e amar Jesus nas pessoas. A missão de Jesus não pára no tempo, porque vem amparada por Deus Pai e é iluminada pelo Espírito Santo. Ela continua em cada um de nós, na família, na comunidade e na sociedade, para que todas as pessoas sejam discípulas, discípulos, missionárias, missionários de Jesus Cristo. 
Fonte: CNBB