domingo, 14 de junho de 2015

A criação, um presente sagrado de Deus!

geovane200
Padre Geovane Saraiva – Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE – geovanesaraiva@gmail.com
O mundo aguarda ansioso e, ao mesmo tempo se regozija, pelo sopro do Espírito Santo de Deus em Francisco, na sua prática ecológica e ambiental, vivendo verdadeiramente com coerência o compromisso assumido de chefe visível da Igreja, em 13 de março de 2013, cumprindo agora a promessa, ao colocar nas mãos dos cristãos e das pessoas de boa vontade (18/06/2015), sua nova Encíclica sobre a ecologia. Qual será o título da Encíclica? Logo mais vamos saber, mas fontes do Vaticano apostam em Laudato Sii – Louvado Sejas, frase inicial do Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis. O exemplo maior de ternura e bondade é dado por ele mesmo, o Papa Francisco, a nos dizer que sempre mais devemos nos convencer que de Deus viemos, para Deus é que existimos e para Deus voltaremos.
O Dia Mundial do Meio Ambiente foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972, por ocasião da abertura da Conferência de Estocolmo na Suécia. Desde então, comemorado anualmente no dia 5 de junho, chamando atenção para o lado humano das questões ambientais; capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável; também promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem de mentalidade em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais, sem esquecer evidentemente da necessidade de parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem de um futuro mais seguro e mais profícuo.
Bem dentro do contexto ecológico é que a atenção de todas as pessoas de boa vontade deveria se voltar para a realidade acima mencionada, numa profunda reflexão sobre o clamor e o gemido da natureza, á beira do abismo (cf. Rm 8,22). A criatura humana é convocada e não tem outro caminho, no sentido de evitar sua própria autodestruição, fazendo sua parte, tendo diante da mente, dos olhos e no coração a vida do planeta como um santuário ou um lugar sagrado, com maior razão para nós cristãos, inspirados no sonho e na força da figura humana de Francisco de Assis, o qual abraçou o projeto do Pai com uma comovedora ternura, tornando-se fascinado por Deus e por suas criaturas, e foi exatamente este fascínio que o tornou extremamente humano, por unanimidade considerado patrono do meio ambiente ou da ecologia.
Agradeço a Deus, como se fosse uma inspiração, quando alhures disse que toda civilização necessita de figuras exemplares, modelos e referenciais, as quais mostrem concretamente ao mundo os grandes sonhos e utopias, numa palavra mostrem os valores últimos, no tocante a sustentar as motivações dos seres humanos, na sua relação e ação com Deus e seus semelhantes, com a natureza ou meio ambiente. Parece até que estava antevendo a novidade, dadivoso presente para o mundo hodierno, que foi a eleição (13/03/2013) do Papa Francisco, dando provas concretas, através dos gestos e sinais, ao concretizar seus sonhos de renovação da Igreja e do mundo, a ponto de sensibilizar corações e consciências a uma profunda conversão ecológica.
Pensando em uma vida com maior encanto na face da terra, no seu sentido mais largo e profundo, é que o nosso querido Papa Francisco trabalhou incansavelmente na elaboração de sua nova Encíclica sobre o tema da ecologia. O maravilhoso, no entanto, é a sua humildade explicitada em sua atitude de acercar-se de especialistas para escrever este documento, além da contribuição de pessoas da melhor qualidade, tendo no centro o ecossistema e a vida da floresta amazônica, contando com a experiência profética de Dom Erwin Krautler, Bispo do Xingu, sem esquecer o grande antropólogo e teólogo Paulo Suess, ambos do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) no Brasil.
Colaboração vital e de uma importância incomensurável, não poderia faltar, oriunda dos filhos espirituais de São Francisco de Assis, na pessoa do Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Michael Perry, ao contribuir com Sumo Pontífice no documento: “Franciscanos pela Ecologia”. Com absoluta certeza o papa quer falar aos cristãos, bem como as pessoas de boa vontade do planeta em sua Carta Encíclica sobre a importância da ecologia, dizendo em alto e bom tom que este mundo tem que ser reflexo da cidade santa, da nova Jerusalém e que jamais podemos pensar em edificar este mundo sem Deus, que no dizer do pobrezinho de Assis, no Cântico das Criaturas, Deus é “Altíssimo, Onipotente, Bom Senhor. Teus são o louvor, a glória, a honra e toda a bênção”.
Fonte: Arquidiocese de Fortaleza

"Sociedade e Migração" é o tema da 30ª Semana do Migrante

  De 14 a 21 de junho acontece a 30ª Semana do Migrante, promovida pelo Serviço Pastoral do Migrante (SPM) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O tema “Sociedade e Migração” e o lema “Não ao preconceito, por direitos e participação” propõem o aprofundamento da reflexão contida na Campanha da Fraternidade 2015, a partir realidade dos migrantes presentes no Brasil.
 “O SPM oferece, nesta 30ª Semana do Migrante, um rico trabalho para ajudar nossas comunidades a refletir, aprofundar e celebrara a realidade da migração, iluminadas pela vivência da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema ‘Igreja e sociedade’ nos possibilitou compreender melhor e contextualizar a missão de Jesus e dos seus seguidores no mundo: ‘Eu vim para servir’”, explica o bispo de Pesqueira (PE) e referencial do setor pastoral da Mobilidade Humana da CNBB, dom José Luiz Ferreira Sales.
De acordo com o bispo, a proposta é dar continuidade e aprofundamento da reflexão sob “o prisma e o recorte da migração, presente na sociedade brasileira desde o seu nascedouro até os dias de hoje”.
O SPM disponibilizou para a Semana dois subsídios. Há o texto-base com a mensagem de dom José Luiz Ferreira Sales e a contextualização do tema e do lema escolhidos.
O outro material é a proposta de círculo bíblico elaborado por membros e equipes da Pastoral dos Migrantes em diversas cidades do Brasil. Para os encontros, foi indicada a metodologia “ver-iluminar-celebrar-agir”. Essa estrutura é composta por fatos da vida, leitura da Palavra, momento de oração e sugestões de compromissos comunitários e individuais nas realidades apresentadas nos três encontros preparados pelo SPM.
Ao final é oferecida uma sugestão de celebração, que pode acontecer no formato de terço dos migrantes e ladainha dos excluídos. 
Fonte: CNBB

Bispos do regional Leste 2 divulgam nota sobre Planos Municipais de Educação

Reunidos em assembleia ordinária, os bispos do regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgaram, nesta sexta-feira, 12, uma nota com ponderações a respeito da elaboração dos Planos Municipais de Educação. De acordo com o texto, os bispos chamam atenção para a "visão integral do ser humano", a participação de educadores e dos pais por meio de conferências e audiências públicas; a presença de itens de controle e garantia dos investimentos; e a questão da inclusão da ideologia de gênero, "rejeitada quando da elaboração do Plano Nacional de Educação (PNE)".
Leia o texto na íntegra:

Os (Arce)bispos do Regional Leste 2 da CNBB - Minas Gerais e Espírito Santo, considerando a importância da elaboração e votação dos Planos Municipais de Educação, manifestam as seguintes ponderações:
1. A definição de diretrizes e planos para a educação há de ter como pressuposto antropológico uma visão integral do ser humano, fundamentada nos valores humanos, éticos e cristãos, identidade histórica do povo brasileiro.
2. Na elaboração dos Planos Municipais e Estaduais de Educação, devem participar todos os educadores, incluídos os pais como os primeiros responsáveis pela educação de seus filhos. Para isso deveriam ser organizadas iniciativas, tais como conferências e audiências públicas, que antecipem as votações em cada município, quando especialmente as famílias sejam ouvidas em suas expectativas quanto ao modelo de educação.
3. Em muitos municípios, este processo está ocorrendo sem a participação dos principais interessados, pais e educadores. A não participação da sociedade civil na escolha do modelo de educação fere o direito das famílias de definir as bases e as diretrizes da educação que desejam oferecer a seus filhos.
4. O Plano Municipal de Educação deve, entre tantos aspectos, considerar o controle do investimento financeiro do município para a educação; a garantia de capacitação dos docentes; a garantia de infraestrutura de cada unidade escolar; mecanismos colegiados para acompanhamento da aplicação das diretrizes da educação.
5. Especial atenção se dê ao risco da inclusão da ideologia de gênero, que defende ser a identidade sexual de homem e mulher o resultado de um processo educacional e cultural e escolha pessoal, com exclusão da identidade biológica. Esta ideologia, rejeitada quando da elaboração do Plano Nacional de Educação (PNE), está sendo reintroduzida através das indicações da Conferência Nacional de Educação (CONAE), de novembro de 2014, que desrespeitam o que foi definido em nível nacional pela Câmara e Senado.
6. Insistimos para que, em cada município de nossos Estados, Minas Gerais e Espírito Santo, famílias e comunidades, educadores cristãos, ministros ordenados e agentes de pastoral procurem as Secretarias Municipais de Educação para inteirar-se do processo de discussão desta matéria, bem como entrem em diálogo com vereadores para esclarecimentos sobre o risco da inclusão da ideologia de gênero na educação de nossas crianças e adolescentes.
7. Um apelo especial dirigimos a todos, prefeitos, vereadores e demais cristãos que atuam profissionalmente no campo da educação e áreas afins, para que não se omitam nestes processos de definição de planos educacionais, recordando-se da responsabilidade de testemunharem, no âmbito de sua atuação no mundo, os valores da fé cristã.
A Santíssima Virgem Maria e São José, educadores do Menino Jesus, nos acompanhem, com sua intercessão, nesta tarefa.

Os (Arce)bispos do Regional Leste 2, reunidos na Assembleia Ordinária, em Belo Horizonte(MG), 
nos dias 9 a 11 de junho de 2015.

Fonte: CNBB

Pontíficias Obras divulgam conferencistas do Congresso Missionário de Seminaristas

Com o tema “O missionário presbítero para uma Igreja em saída”, o 2º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, que será realizado de 9 a 12 de julho, contará com a presença do arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Claudio Hummes; do bispo auxiliar de São Luís (MA) e presidente da Comissão para a Ação Missionária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Esmeraldo Barreto de Farias; e da presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNLB), Marilza Lopes Schuina. Os três conferencistas foram divulgados pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM), promotora do evento.
O objetivo do encontro é animar e aprimorar a formação missionária dos futuros presbíteros para um autêntico espírito missionário. O Congresso será realizado na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC), em Belo Horizonte (MG). Trata-se de uma iniciativa das POM, e que já possui cerca de 300 participantes inscritos entre seminaristas, reitores de seminários, formadores, bispos e convidados.
Conferências
O primeiro conferencista do evento será dom Esmeraldo Barreto. Ele falará sobre “Os desafios da missão para a formação do missionário presbítero”, na manhã do dia 10 de julho. No mesmo dia, a conferência “Visão dos leigos e leigas sobre a formação do presbítero” será conduzida pela presidente do CNLB, Marilza Lopes.
O cardeal Claudio Hummes apresentará a conferência sobre “As interpelações do papa Francisco sobre a formação do missionário presbítero”. Já  o secretário executivo do Centro Cultural Missionário (CCM), padre Estevão Raschietti, conduzirá a quarta conferência, sobre “A missão ad gentes no ministério do missionário presbítero”.
Com informações das POM

Encerramento dos Festejos na Comunidade Santo Antônio - 14 de Junho de 2015




Tema Geral- Santo Antônio: Exemplo de Caridade e Serviço* Procissão:Às 18:30 h com a bênção e distribuição dos pães no final da Missa* Celebrante: Padre Luciano Gonzaga( Vigário da Área Pastoral São José)

*Liturgia : Equipe Litúrgica de 
Santo Antônio
  
* Convívio: A Comunidade

        
Venha e traga sua família e amigos!
  Esperamos todos vocês!!!

sábado, 13 de junho de 2015

Santo Antônio e a esperança cristã: repartir sempre!

Cardeal Orani João TempestaArcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Dentro do Ano da Esperança Arquidiocesano, em que somos chamados a aprender ou reaprender a repartir sempre, neste dia 13 junho comemoramos o Dia de Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa. Neste ano temos a coincidência de memória, pois celebramos também a do Imaculado Coração de Maria. Porém, em muitas Dioceses e Paróquias se celebra a festa do santo em que ele é padroeiro. Santo Antônio é um dos santos mais populares, venerado além de Pádua, onde foi construída uma basílica que acolhe os restos mortais dele, mas também no mundo inteiro, particularmente nos países de evangelização portuguesa, já que ele nasceu em Lisboa. São estimadas pelos fiéis as imagens e estátuas que o representam com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus nos braços, que lembram uma aparição milagrosa, mencionada por algumas fontes literárias.

Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, em uma família nobre, por volta de 1195, e foi batizado com o nome de Fernando. Jovem vocacionado, começou a fazer parte dos cônegos que seguiam a regra monástica de Santo Agostinho, primeiramente no mosteiro de São Vicente, em Lisboa, e depois no da Santa Cruz, em Coimbra, renomado centro cultural de Portugal. Dedicou-se com interesse e solicitude ao estudo da Bíblia e dos Padres da Igreja, adquirindo aquela ciência teológica que o fez frutificar nas atividades de ensino e na pregação.
Em Coimbra, aconteceu um fato que mudou sua vida: em 1220, foram expostas as relíquias dos primeiros cinco missionários franciscanos que haviam se dirigido a Marrocos, onde encontraram o martírio. Em todas as épocas matam cristãos por causa da fé! Esse acontecimento fez nascer no jovem Fernando o desejo de imitá-los e de avançar no caminho da perfeição cristã: então, pediu para deixar os cônegos agostinianos (e) para converter-se em frade menor. A petição foi acolhida e, tomando o nome de Antônio, também ele partiu para Marrocos. Mas a Providência divina dispôs outra coisa.
Devido a uma doença, Santo Antônio se viu obrigado a voltar e acabou chegando à Itália onde, em 1221, encontrou São Francisco. Depois disso, viveu por algum tempo totalmente escondido em um convento perto de Forlí, no norte da Itália. Convidado, casualmente, a pregar por ocasião de uma ordenação sacerdotal, Antônio mostrou estar dotado de tal ciência e eloquência que os superiores o destinaram à pregação. Começou, assim, na Itália e na França, uma atividade apostólica que levou muitas pessoas que haviam se separado da Igreja a retomarem sua participação e engajamento na vida eclesial.
Nomeado como superior provincial dos Frades Menores da Itália Setentrional, Antônio continuou com o ministério da pregação, alternando-o com as tarefas de governo. Concluído o mandato de provincial, retirou-se para perto de Pádua, local em que já havia estado outras vezes. Depois de apenas um ano, morreu nas portas da cidade, no dia 13 de junho de 1231. Pádua, que o havia acolhido com afeto e veneração em vida, prestou-lhe sempre honra e devoção.
Nos "Sermões", Santo Antônio discorre sobre a oração como uma relação de amor, que conduz o homem a conversar com o Senhor, criando uma alegria que envolve a alma em oração. Antônio nos recorda que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio, que não coincide com o afastamento do barulho externo, mas é experiência interior, que procura evitar as distrações provocadas pelas preocupações da alma. Para Santo Antônio, a oração se compõe de quatro atitudes indispensáveis: abrir com confiança o próprio coração a Deus, conversar afetuosamente com Ele, apresentar-lhe as próprias necessidades, louvá-lo e agradecer-lhe.
Ele é invocado como “casamenteiro” pelas pessoas que desejam se casar, e assim lembrado pelo nosso folclore. A origem dessa devoção talvez esteja ligada a algum milagre feito pelo santo. Há um episódio com explicação que indica isso. Certa senhora, no desespero da miséria a que fora reduzida, decidiu valer-se da filha, prostituindo-a, para sair do atoleiro. Mas a jovem, bonita e decidida, não aceitou de forma alguma. Como a mãe não parava de insistir, a moça resolveu recorrer à ajuda de Santo Antônio. Rezava com grande confiança e muitas lágrimas diante da imagem quando, das mãos do Santo, caiu um bilhete que foi parar nas mãos da moça. Estava endereçado a um comerciante da cidade e dizia: "Senhor N..., queira obsequiar esta jovem que lhe entrega este bilhete com tantas moedas de prata quanto o peso do mesmo papel. Deus o guarde! Assinado: Antônio".
A jovem não duvidou e correu com o bilhete na mão à loja do comerciante. Este achou graça. Mas, vendo a atitude modesta e digna da moça, colocou o bilhete num dos pratos da balança e no outro deixou cair uma moedinha de prata. O bilhete pesava mais! Intrigado e sem entender o que se passava, o comerciante foi colocando mais uma moeda e outras mais, só conseguindo equilibrar os pratos da balança quando as moedas chegaram a somar 400 escudos. O episódio tornou-se logo conhecido e a moça começou a ser procurada por bons rapazes propondo-lhe casamento, o que não tardou a acontecer, e o casamento foi muito feliz. Conta-se que daí por diante, as moças começaram a recorrer a Santo Antônio sempre que se tratava de casamento.
Temos também a tradição do Pão dos Pobres: essa prática consiste em doações para prover de pão os pobres, honrando assim o "protetor dos pobres", que é Santo Antônio. Uma tradição liga essa obra ao episódio de uma mãe cujo filho se afogou dentro de um tanque, mas recuperou a vida graças a Santo Antônio. A mulher prometera que, se o filho recuperasse a vida, daria uma porção de trigo igual ao peso do menino. Por isso, no começo, esta obra foi conhecida como a obra do "pondus pueri" (peso do menino). Outra tradição relaciona a obra do pão dos pobres com uma senhora de Tbulon, chamada Luísa Bouffier. A porta do seu armazém tinha enguiçado de tal modo que não havia outro remédio senão arrombá-la. Fez, então, uma promessa ao santo: se conseguisse abrir a porta sem arrombá-la, doaria aos pobres uma quantia de pães. E deu certo. Daí por diante, as petições ao santo foram se multiplicando em diferentes necessidades. Toda vez que alguém era atendido, oferecia certa quantia de dinheiro para o pão dos pobres. A pequena mercearia de Luísa Bouffier tornou-se uma espécie de oratório ou centro social. A benéfica obra do "pão dos pobres" teve extraordinário desenvolvimento, com diferentes modalidades, e hoje é conhecida em toda parte.
Para preparar a festa de Santo Antônio, um dos santos juninos, cuja memória é cercada de folguedos tradicionais da cultura brasileira, temos uma trezena: são 13 dias de orações e preparações, lembrando a data da morte de Santo Antônio e quando celebramos sua memória.
Como estamos vivendo o Ano Arquidiocesano da Esperança, queremos propor Santo Antônio como exemplo daquele que viveu a virtude da partilha e se preocupou em repartir os muitos dons que possuía em favor dos mais pobres, levando a esperança cristã. Vamos imitá-lo, lembrando o seu santo ensinamento: “Se o espírito colocar de lado o cuidado ansioso com coisas temporais, jamais se aproximará de Deus. As pessoas que estão presas em infinitas preocupações temporais fazem com que os fardos do pecado e o peso da preocupação com o mundo alcancem sua alma. As coisas temporais são como uma nuvem matinal. Não são absolutamente nada, no entanto, como uma nuvem, parecem ser algo. A nuvem matinal impede que vejamos o sol, e o excesso de bens temporais desvia a alma dos pensamentos de Deus”. (p.423. Madeline Pecora Nugent…). Vamos partilhar o que temos, a exemplo de Santo Antônio, para que Deus nos ajude a viver neste vale de lágrimas. Que ele interceda por nós que somos chamados, como testemunhas da esperança, a ser discípulos missionários de Jesus Cristo. Que o entusiasmo e obediência na missão do nosso Santo nos inspirem em nossa vida e nos entusiasmem em nossa missão permanente. Santo Antônio, rogai por nós!
Fonte:CNBB

Princípios e ideologias

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

A sociedade brasileira, obviamente no contexto mundial, mais amplo, está também desafiada a avaliar no conjunto de suas crises a configuração das colisões entre princípios éticos e ideologias. Esses embates precisam ser administrados com o mínimo de racionalidade para não se correr o risco de polarizações que vão acelerar processos de intolerância. Deve, sempre, sobressair o exercício do entendimento, cujo ponto de partida é a preservação de princípios inegociáveis, o que inclui o respeito incondicional ao outro.

Ao assumir posturas ideológicas, não se pode “passar por cima”, desrespeitosamente, de valores e princípios de outras pessoas, de diferentes segmentos da sociedade nas suas configurações religiosas, sociais e políticas. O desrespeito, certamente, é uma das fontes da crise humanística e comunitária. Suas consequências podem ser irreversíveis: ódio, disputa e permissividade que comprometerão o mínimo de civilidade e de convívio fraterno. Aliás, a sociedade brasileira, com seus diferentes grupos, já está sofrendo com situações que expõem radicalismos e fundamentalismos. Evidentemente, esses episódios tornam a paz mais distante. Há uma facilidade irracional para agredir, acusar e espalhar mentiras. Ações que ferem o tecido da cultura brasileira e ganham amplitude nas redes sociais e nos tradicionais meios de comunicação.
Eventos públicos, como os recentemente realizados nas grandes capitais do país, não podem agredir símbolos religiosos e misturar o direito de defesa de perspectivas com atitudes hostis. A ordem pública tem que se posicionar para que as banalizações não tomem conta da sociedade, um processo perigoso que corrói o núcleo da consciência coletiva. O que movimentos e grupos promoveram, por exemplo, nas ruas de São Paulo, é ofensa aos cristãos, pois se trata de banalizar os símbolos religiosos, um ato irracional. A defesa da pluralidade não justifica e não confere direito a qualquer grupo ou pessoa de assumir posturas marcadas por intolerâncias.
Os cristãos têm o direito e o dever de mostrar que a defesa de uma sociedade plural passa por um caminho diferente do que é trilhado por quem busca agredir a fé. Não se conquista a paz e o respeito ferindo princípios de uma confissão religiosa, ainda mais de maneira debochada. Diante do ocorrido em São Paulo, todo cristão é chamado a expressar ainda mais os princípios de sua fé. Deixar ficar por isso mesmo, sem esse educativo protesto, é ser conivente com um processo que, à primeira vista, parece ser aceitável como expressão democrática. Contudo, trata-se de uma precipitação tácita e perigosa da sociedade num caos produzido pela relativização abominável de princípios e valores.
É hora, portanto, de um alerta geral. Os deboches e desrespeitos promovidos por parte de um grupo - que merece ser respeitado, cada um de seus integrantes reconhecidos em sua dignidade humana -, é a “ponta de um iceberg”. Revela posturas que não podem passar despercebidas. A sociedade, com seus diversos segmentos, tem o desafio de acompanhar o processo em curso para se posicionar sobre importantes temas. Em especial, a respeito da inclusão da chamada ideologia de gênero nas diretrizes da educação nacional, um tema que ainda não é de domínio público. No horizonte dessa mudança, entre outros pontos, a escola - e não a família -, teria a tarefa de ajudar o menino ou a menina a discernir a sua identidade sexual. Isto significa passar por cima de dimensões antropológicas e éticas que são valores inegociáveis no âmbito da moral e da confissão religiosa cristã.
Esse tema traz impactos na vida de muitas pessoas. É um alerta para a indispensável participação de diferentes segmentos da sociedade, para que não se pague o alto preço por negociar princípios em razão de ideologias. Urge, portanto, conhecer os muitos processos que estão em rota de colisão com o bem da sociedade para detê-los. Quem ainda desconhece essas questões deve buscar orientação e informações. Ainda há tempo para firmar um posicionamento.
Fonte: CNBB