quarta-feira, 5 de novembro de 2014

As andanças do Bispo -4

Dom Luiz Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)

3. Um comício em Londres!
Quando em abril de 1999 terminei, finalmente, meu segundo mandato na CNBB, ainda tinha pela frente alguns compromissos marcados, que me implicavam uma longa viagem à Europa: participar da assembléia internacional da Cáritas em Roma, e ir para a Suíça participar do encontro das Nações Unidas sobre migrações. A estes dois compromissos se emendaram outros: ir para Londres e para a Alemanha, participar de encontros sobre Dívida Externa, assunto que tínhamos levantado com força na Terceira Semana Social Brasileira, e por isto queriam contar com minha presença.

Iniciei então a viagem, indo direto para Londres. Nunca tinha ido à Inglaterra. Pude conhecer, então, a capital do antigo império britânico: bem organizada, com amplos espaços arborizados, sobretudo ao longo do Rio Tâmisa, onde aproveitaram as terras que pertenciam aos nobres, e as transformaram em praças públicas. Uma boa destinação da herança dos nobres!
Pois bem, a manifestação sobre a Dívida Externa estava marcada para o domingo dia 13 de junho. E deu sorte, pois foi um dia bonito, o primeiro dia de sol na lenta primavera inglesa. E isto ajudou para o povo atender ao apelo das organizações. E deu uma multidão calculada em 50 mil pessoas, que saíram às ruas. E de repente, me vi participando de um comício em plena Londres, discursando na famosa “Trafalgar Square”, a Praça onde está a estátua de Nelson, aquele que venceu Napoleão. Do pedestal da estátua improvisamos o palanque para nosso comício. E foi muito aplaudido, mesmo se os ingleses continuam com culpa no cartório nesta história de dívida externa. Mas afinal, é preciso sacudir as velhas heranças!
Foi o que fizemos duas semanas mais tarde, em Colônia, na Alemanha. Enquanto os Sete grandes se reuniam, para fazerem seus planos, nós, os pobres do terceiro mundo, nos reunimos também, e embalados na idéia do Jubileu, do “Perdão das Dívidas”. Junto com a multidão, lá também, cercamos a cidade num grande abraço, para dizer que os povos do mundo querem outra ordem, com mais justiça e mais vida, e não a globalização que só favorece aos ricos. Em todo o caso, conseguimos que eles ao menos prometessem abater a dívida de países pobres.
Enquanto isto, já tinha ido a Roma, participar da assembléia da Cáritas. E de Colônia, fui a Genebra, na Suíça, onde ainda existem alguns escritórios das Nações Unidas, herança ainda do tempo da “Liga das Nações”, organizada depois da primeira guerra mundial.
Genebra é o símbolo da função de mediação que a Suíça exercia tempos atrás, e que agora está perdendo cada vez mais. Uma cidade limpa, rica, bonita. Mas, o que quase não se vê por lá são crianças. E discutindo sobre migrações, a própria Suíça é dos países que mais fecha as fronteiras para não receber migrantes, para não correr o risco de repartir sua riqueza. Só que alguns se perguntam com quem vai ficar esta riqueza daqui a algumas décadas, se não houver mais suíços para herdá-la!
De Genebra peguei o trem, e fui para o norte da Itália, passar ao menos dois dias na casa dos parentes, no lugar onde nasceu o avô Felice Valentini. E de lá voei de volta para o Brasil, para encontrar, como sempre, a pilha de compromissos a me esperar.
Próximo seguimento: os ventos que sopram do Chile
Fonte: CNBB

As andanças do Bispo -3

Dom Luiz Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)

Andanças pelo mundo
Os oito anos de CNBB foram muito carregados. Mas, por incrível que pareça, a carga aumentou depois que deixei a CNBB. Em parte porque começaram a me “cobrar” presença em lugares onde não podia ir por causa dos meus compromissos na CNBB. Assim, passei a “pagar dívidas”, que me custaram muitas viagens. Nestes dias tive o cuidado de refazer o roteiro, e quase me assustei de tantas andanças. Em 1999, fazendo as contas, foram sete viagens para o exterior: começando em janeiro daquele ano no México, passando depois por Honduras, e indo para outro compromisso em Bogotá. Em março fui a Roma para a reunião do Sínodo. Em junho passei quase todo o mês na Europa, com compromissos na Inglaterra, na Itália, na Alemanha e na Suíça! Depois, precisei ir duas vezes para o Chile, em setembro e novembro. Uma vez na Argentina para o Congresso Missionário. E finalmente nos Estados Unidos, a convite da Universidade de Notre Dame.

Depois, veio o ano 2000. Foi o mais pesado de todos. Pois precisei fazer seis viagens para o exterior, mas todas com compromissos que me exigiram muito trabalho. Em fevereiro uma semana na Guatemala, na América Central, e depois uma semana em Roma na Comissão do Sínodo. No início de março, dez dias de pregações na Suíça. No início de abril, dez dias na França. No final de maio, uma semana na Alemanha. E em setembro, uma semana na Colômbia. Além de diversas viagens também no Brasil, das quais dez dias no Tocantins, onde nossa Diocese mantinha uma missão, sustentando lá uma paróquia. E um ano super carregado de serviços na Diocese, com diversas iniciativas que me preocuparam, e com as complicações que aparecem quando menos a gente espera, mas que precisam ser enfrentadas. Assim foi o 2000.
Em 2001 o ritmo diminuiu, graças a Deus. Assim mesmo, foram três viagens ao exterior: para a Bolívia em fevereiro, quinze dias na Europa em junho, e no final de outubro uma semana na Áustria, que aceitei ir depois de tanto insistirem.
Claro que teria tantas coisas a contar. A começar pela Áustria, por exemplo, onde pensei muito nos quatro avós, que vieram da Europa para o Brasil no final de século dezenove. Tanto o avô Bortolo Bertoldi, que falava alemão, como o Felice Valentini, e as duas avós, quando nasceram, aquela parte da Itália pertencia à Áustria.
Próximo seguimento: Um comício em Londres
Fonte: CNBB

As andanças do Bispo -2

Dom Luiz Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)

Oito anos de CNBB: sem tempo de ver o tempo passar 
Os meus compromissos de bispo aumentaram muito em 1991, quando fui eleito para a CNBB, como membro da Comissão Episcopal de Pastoral, por quatro anos. Em 1995 fui reeleito, de modo que fiquei neste cargo oito anos, até abril de 1999. Na CNBB tive que assumir o cargo mais complicado e mais difícil, como responsável pela Pastoral Social. Tive que acompanhar, na medida do possível, dez Pastorais Sociais que têm atuação em nível nacional. Além das Pastorais Sociais, nos oito anos, tive que assumir a Presidência da Cáritas Brasileira, o que também empenhou muito trabalho e sobretudo muitas reuniões e viagens, dentro e fora do Brasil.

Mas, nestes oito anos, foram chegando outros compromissos. Sobretudo por dois acontecimentos, dos quais tive que participar, e que acabaram me envolvendo muito: em 1992, a Conferência de Santo Domingo, onde precisei me meter em cheio nos trabalhos, e de onde resultou um envolvimento com muitos teólogos da América Latina que continua até hoje, com reuniões periódicas em diversos pontos do continente. E o outro acontecimento, em 1997, em Roma, com o Sínodo da América, onde também o meu trabalho foi intenso, do qual resultou minha eleição para fazer parte da Comissão Permanente do Sínodo da América, o que me implicou diversas viagens a Roma, sendo três delas só em 1998.
Outra iniciativa que acabou me envolvendo de maneira especial, nesses oito anos, foram as “Semanas Sociais Brasileiras”, que desencadearam um processo crescente de participação, me exigindo uma presença e uma atenção especial em muitos encontros, em diversos pontos do país.
O trabalho normal na CNBB me exigiu, no mínimo, uma semana cada mês em Brasília. As viagens eram sempre apressadas, pois precisava, primeiro, dar conta dos compromissos aqui na Diocese. A distância entre Jales e Brasília é de 882 quilômetros, que pude medir tantas vezes. Para não pesar para a CNBB, ia de ônibus, depois de viajar de carro até Rio Preto. Mas a maioria das vezes não tinha tempo de esperar o ônibus, que demorava com suas voltas nas rodoviárias. Por isto, me acostumei a ir de carro até Brasília, guiando sozinho, enfrentando a estrada, em qualquer hora do dia ou da noite, dependendo dos compromissos que precisava concluir antes de viajar. Para minhas viagens, usava uma Parati. Ela agüentou muito bem: nos oito anos usei o mesmo carro, que chegou a 420 mil quilômetros sem mexer no motor!
Além disto, durante os oito anos, me pediram para fazer parte também do CELAM, o Conselho Episcopal Latino Americano, que tem sua sede em Bogotá. De modo que precisava participar, também, de diversas reuniões na Colômbia.
Foi assim o ritmo desses anos. Com muitas preocupações, muitas reuniões, muitas viagens, além do trabalho na Diocese. Não deixei, por exemplo, um dia sequer de fazer o meu programa diário na rádio, gravando com antecedência quando precisa viajar.
No Brasil, os compromissos me levaram a visitar, também, quase todos os Estados.
 Fonte: CNBB

As andanças do Bispo -1

Dom Luiz Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)

Já se passaram tantos anos! Cheguei em Jales em agosto de 1982. Já completei, portanto, 32 anos como “Bispo de Jales”. É assim que me identificam. Constato que muita gente não sabe onde fica Jales. Mas sabe que Dom Demétrio é “Bispo de Jales”. 

Não vou explicar por que estou por aqui há tanto tempo. Lembro a Assembléia da CNBB de 1983, a primeira de que participei. Nada menos que quatro bispos vieram me cumprimentar, efusivamente, por ser o Bispo de Jales. Perguntei pela razão deste contentamento. Cada um deles me explicou como tinha recebido a proposta de ser bispo de Jales, mas não tinha aceitado!
Eu aceitei!
Agora, com boas razões, penso que está chegando a hora de procurar alguém para me substituir. Espero que o convidado aceite. Depois de trinta anos, acredito que a Diocese de Jales não apresenta nenhum problema especial. O novo bispo poderá com tranqüilidade levar em frente a caminhada da Diocese.
Percorrendo a memória, me dei conta de quanto foram intensos os anos vividos em Jales!
No início de 2015 vou completar 75 anos de vida, e 50 de ordenação sacerdotal.
Pensei que seria válido recordar, ao menos, os tempos mais carregados de responsabilidades.
Vou distribuir a história em capítulos, para facilitar a leitura. Vou contar sobretudo minhas andanças, que foram muitas, por causa dos muitos compromissos que tive que assumir, especialmente na década de noventa, e na virada do milênio.
Olhando para eles, nestes dias, até eu me assustei, e me perguntei como foi possível fazer tantas coisas, sem perder a saúde, e continuar vivo, graças a Deus!
Com este relato quero, em primeiro lugar, agradecer a Deus, que me protegeu nessas andanças todas. E pedir que continue protegendo a todos.
Fica o convite para seguir, semanalmente, um capítulo destas andanças.
 Fonte: CNBB

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Liturgia Diária

Invoquemos a presença do Espírito Santo para ler e refletir a liturgia de hoje:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. 

Oremos: 

Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Oração:
Ó Deus de misericórdia, que concedei a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como deve, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas.
Primeira leitura: Fl 2,1-4
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses
Irmãos, 1se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, 2tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. 3Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, 4e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. 
. - Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmos: Sl 131
          — Guardai-me, em paz, junto a vós, ó Senhor!
— Guardai-me, em paz, junto a vós, ó Senhor!

— Senhor, meu coração não é orgulhoso, nem se eleva arrogante o meu olhar; não ando à procura de grandeza, nem tenho pretensões ambiciosas!

— Fiz calar e sossegar a minha alma; ela está em grande paz dentro de mim, como a criança bem tranqüila, amamentada no regaço acolhedor de sua mãe.

— Confia no Senhor, ó Israel, desde agora e por toda a eternidade. 
 
 
Evangelho: Lc 14,12-14
         - O Senhor esteja convosco.
          - Ele está no meio de nós.
          - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas.
          - Glória a vós, Senhor.

        Naquele tempo, 12dizia Jesus ao chefe dos fariseus que o tinha convidado: "Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos nem teus irmãos nem teus parentes nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. 13Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. 14Então serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos".

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
 
Comentário do Evangelho
É preciso renunciar ao anseio de recompensa e cultivar a gratuidade.
A cena do evangelho de hoje se passa na casa de um dos chefes dos fariseus que, num dia de sábado, convidou Jesus para uma refeição (Lc 14,1). Primeiro, Jesus conta uma parábola aos convivas (vv. 7-11) e, em seguida, àquele que o tinha convidado. A recomendação de Jesus ao dono da casa é motivada pela observação de que os convidados escolhiam os primeiros lugares (v. 7). Falando aos fariseus e aos demais convidados, Jesus instrui os seus discípulos e, particularmente, o leitor do evangelho quanto ao modo de proceder. O critério do agir é a centralidade do Reino de Deus e os valores que daí emanam. Há duas lições a reter das parábolas ditas na sequência uma da outra: em primeiro lugar, no Reino de Deus, o lugar é recebido do dono da festa (cf. vv. 8-11), ninguém escolhe ou conquista o seu posto; em segundo lugar, é o caso do texto de hoje, é preciso renunciar ao anseio de recompensa ou retribuição e cultivar a generosidade e a gratuidade (vv. 12-14). A recompensa de quem vive a generosidade no serviço a Deus e aos semelhantes não se confunde com nenhum bem terreno nem com nenhum reconhecimento humano; ela é um dom escatológico (cf. v. 14).
Carlos Alberto Contieri, sj
 
Leitura Orante
Saudação
- A nós, a paz de Deus, nosso Pai,
a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo,
no amor e na comunhão do Espírito Santo.
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre,
Sois o Mestre e a Verdade:
iluminai-nos, para que melhor compreendamos
as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho:
fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.
Sois a Vida:
transformai nosso coração em terra boa,
onde a Palavra de Deus produza frutos
abundantes de santidade e missão.
(Bv. Alberione)

1. Leitura (Verdade) 
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Lc 14,12-14 e observo pessoas. Procuro compreender o ensinamento de Jesus Mestre.
Jesus fala sobre a generosidade desinteressada: convidar os pobres, os que não têm como retribuir. Normalmente, na sociedade, convidam-se pessoas do mesmo nível e que acabam por retribuir. A caridade proposta por Jesus rompe este círculo e dá espaço aos pobres, aos coxos, aos sem aparência, aos cegos...E afirma que este tipo de caridade tem a recompensa de Deus.

2. Meditação (Caminho) 
O que o texto diz para mim, hoje?
Minha vida reflete o que o texto diz ou há contradições? Na comunidade da qual participo é assim que as pessoas se relacionam ou há disputa de poder, pessoas que buscam fazer carreira? Que lugar ocupo eu?
A Conferência de Aparecida nos recorda: "
"A vida se acrescenta dando-a e se enfraquece no isolamento e na comodidade. De fato, os que mais desfrutam da vida são os que deixam da margem a segurança e se apaixonam na missão de comunicar vida aos demais. O Evangelho nos ajuda a descobrir que um cuidado enfermiço da própria vida depõe contra a qualidade humana e cristã dessa mesma vida. Vive-se muito melhor quando temos liberdade interior para doá-la "Quem aprecia sua vida terrena, a perderá" (Jo 12,25). Aqui descobrimos outra profunda lei da realidade: " que a vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros. Isso é, definitivamente, a missão."(DAp 360).

3.Oração (Vida) 
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Meu coração já está em sintonia com todos os santos.
Vivo este momento em silêncio.Depois, concluo:
Espírito vivificador,
a ti consagro o meu coração:
aumenta em mim o amor a Jesus e aos irmãos.
Faze-me sentir filho amado do Pai. Amém.
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós

4.Contemplação (Vida e Missão) 
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou eliminar do meu modo de pensar e agir aquilo que não vem de Deus, que não é conforme o Projeto de Jesus Mestre.

Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
Fonte: Catequese Católica

O homem tem medo da verdade


"A humanidade não aguenta muita realidade". T. S. Eliot (1888-1965)

Dom Quixote é um personagem bem conhecido na ficção, criado no século XVI pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes. Seu clássico romance leva o nome desse personagem. Nessa história, Dom Quixote enche sua mente com lendas e fábulas sobre corajosos cavaleiros vestidos com armaduras reluzentes, salvando donzelas em perigo. Logo, começa a imaginar que ele mesmo é um nobre cavaleiro.

Em um famoso episódio, Dom Quixote ataca um grupo de moinhos de vento, acreditando que são um bando de gigantes perigosos. Achando que está servindo aos interesses de Deus por matar esses gigantes, ele acaba sofrendo completa humilhação. 

Por que Dom Quixote de la Mancha é um dos romances mais lidos do mundo? Possivelmente, porque o herói só se deixa governar pela fantasia. Nós nos identificamos com o personagem, porque ele não quer saber da realidade, desconhece inteiramente o limite entre o imaginário e o real. 

Escreve a psicanalista e escritora Betty Milan: "Os personagens de romance encontram soluções mágicas para os seus dramas. Já nós somos obrigados a aceitar a realidade".

A ilusão, a fantasia, a sedução da luxúria, o engodo pelo capital e a imaginação gananciosa, tudo isso está no contexto da arte do engano. Teologia da prosperidade, astrologia, reencarnação, cartomantes, bruxarias, amuletos, simpatias, paranormalidades, objetos voadores não identificados, pseudociência e rezas supersticiosas. Tudo isso desvia a pessoa para a idolatria e para o falso sistema religioso. Os profissionais líderes da arte do engano sabem que estão servindo seus interesses e os enganados são roubados e humilhados.

Os novos movimentos religiosos têm se constituído em uma indústria sectária financeira. As atuais seitas são empreendimentos capitalistas assustadores! Elas controlam seus fiéis por meio da alienação doutrinária herética. Nenhum ator no mundo desempenha um papel tão excelente como os líderes religiosos sectários no teatro da hipocrisia. Esses tais líderes sofrerão humilhação e condenação. Não é fácil viver a realidade com a verdade, principalmente na atual babel religiosa.

A internet legitima a vida virtual, parcial, superficial e infernal. A pós-modernidade agrega muito bem a face oculta da personalidade doentia e criminosa. Engabela-se com erros refinados na era da globalização. Dizia Santo Agostinho: "os que não se deixam vencer pela verdade serão vencidos pelo erro".

O mundo é tremendamente ilusório e fantasioso, porque a realidade é dura demais. No entanto, a verdade tem seu espaço garantido e seu destino certo.

www.cancaonova.com

CNLB disponibiliza material de reflexão para o Dia dos Leigos

0000000cnlb400Inspirado no Estudo 107 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),“Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) publicou o subsídio “Círculos de Reflexão”, para o Dia do Leigo e Leiga de 2014.
O subsídio do CNLB apresenta uma proposta de três encontros: o primeiro, reflete sobre a presença dos leigos e a realidade do mundo; o segundo reflete sobre o “sujeito eclesial, cidadãos, discípulos missionários”; e o terceiro aborda a ação transformadora como cristãos leigos na Igreja e no mundo. O material apresenta também um roteiro de sugestão para a celebração da Solenidade de Cristo Rei.
O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato e bispo de Caçador (SC), dom Severino Clasen, faz um convite para a reflexão. “Convocamos a todos os batizados para participarem destes Círculos de Reflexão. Acreditamos em novos tempos e queremos iniciar o Advento com a conclusão do ano litúrgico homenageando e honrando a Cristo como o grande enviado d Pai para anunciar o Reino de paz, de justiça e de amor”, reforçou.
O material está disponível no site do CNLB: www.cnlb.org.br
Com informações e foto do CNLB.
Fonte: CNBB