segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Liturgia Diária

Invoquemos a presença do Espírito Santo para ler e refletir a liturgia de hoje:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. 

Oremos 

Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Oração
Pai, torna-me solícito em atender o convite à conversão, proclamado por Jesus. Que eu não perca a chance que me é dada de aderir, com sinceridade, ao teu Reino.
Primeira leitura: Hb 1,1-6
Início da Carta aos Hebreus

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; 2nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo.
3Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas. 4Ele foi posto tanto acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o nome deles.
5De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”? Ou ainda: “Eu serei para ele um Pai e ele será para mim um Filho”? 6Mas, quando faz entrar o Primo­gênito no mundo, Deus diz: “Todos os anjos devem adorá-lo!”
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmos: Sl 96
           — Adorai o Senhor Deus, vós anjos todos!
— Adorai o Senhor Deus, vós anjos todos!

— Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apoia na justiça e no direito.

— E assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória. Aos pés de Deus vêm se prostrar todos os deuses!

— Porque vós sois o Altíssimo, Senhor, muito acima do universo que criastes, e de muito superais todos os deuses. 
 
 
Evangelho: Mc 1,14-20
         - O Senhor esteja convosco.
          - Ele está no meio de nós.
          - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Marcos.
          - Glória a vós, Senhor.

        14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos, e crede no Evangelho!”
16E, passando à beira do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.
19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
 
Comentário do Evangelho
No início do ministério público de Jesus, segundo Marcos, há um apelo: "convertei-vos e crede na Boa-Nova (o evangelho)". A conversão é necessária para acolher e reconhecer o Reino de Deus que, em Jesus, se fez próximo de nossa humanidade. A conversão não se confunde com um sentimento; ela é fé no evangelho, confiança na Boa-Nova que Jesus anuncia por gestos e palavras; confiança na própria pessoa de Jesus, que é a Boa-Notícia de Deus para todos.
O relato do chamado dos quatro primeiros discípulos apresenta a participação destes na missão de Jesus. Se o chamado, iniciativa de Jesus, é feito no presente, "segui-me", a missão é dita para o futuro: "... farei de vós pescadores de homens". Entre um e outro há o discipulado, tempo do aprendizado, da escuta, do exercício da liberdade interior, pois é preciso desapego para seguir o Senhor; é preciso deixar os laços afetivos e com as demais coisas ("deixaram as redes e o seguiram"; "deixando o pai Zebedeu no barco com os empregados, puseram-se a seguir Jesus").
 
Leitura Orante
- A nós, unidos pela rede da internet, a paz de Deus, nosso Pai,
a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo,
no amor e na comunhão do Espírito Santo.
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre,
sois o Mestre e a Verdade:
iluminai-nos, para que melhor compreendamos
as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho:
fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.
Sois a Vida:
transformai nosso coração em terra boa,
onde a Palavra de Deus produza frutos
abundantes de santidade e missão.
(Bv. Alberione) 

1. Leitura (Verdade) 
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto Mc 1,14-20
Jesus inicia seu ministério na Galileia. Anuncia o Reino. E resume seu Projeto em conversão - "arrependam-se" -, e na fé no Evangelho. Começa a formar sua equipe de evangelização. Chama os primeiros apóstolos: Pedro, André, Tiago e João. Como eram pescadores de profissão, ele os chama a serem pescadores de gente. 

2. Meditação (Caminho) 
O que o texto diz para mim, hoje? Qual palavra mais me toca o coração?
Reflito: o que o texto me diz no momento? O meu Projeto de vida é o do Mestre Jesus Cristo?
Mais uma vez nos falam os bispos que estiveram reunidos na Conferência de Aparecida: "O chamado que Jesus, o Mestre faz, implica numa grande novidade. Na antiguidade, os mestres convidavam seus discípulos a se vincular com algo transcendente e os mestres da Lei propunham a adesão à Lei de Moisés. Jesus convida a nos encontrar com Ele e a que nos vinculemos estreitamente a Ele porque é a fonte da vida (cf. Jo 15,1-5) e só Ele tem palavra de vida eterna (cf. Jo 6,68). Na convivência cotidiana com Jesus e na confrontação com os seguidores de outros mestres, os discípulos logo descobrem duas coisas originais no relacionamento com Jesus. Por um lado, não foram eles que escolheram seu mestre foi Cristo quem os escolheu. E por outro lado, eles não foram convocados para algo (purificar-se, aprender a Lei...), mas para Alguém, escolhidos para se vincular intimamente a sua pessoa (cf. Mc 1,17; 2,14). Jesus os escolheu para "que estivessem com Ele e para enviá-los a pregar" (Mc 3,14), para que o seguissem com a finalidade de "ser d'Ele" e fazer parte "dos seus" e participar de sua missão. O discípulo experimenta que a vinculação íntima com Jesus no grupo dos seus é participação da Vida saída das entranhas do Pai, é se formar para assumir seu estilo de vida e suas motivações (cf. Lc 6,40b), viver seu destino e assumir sua missão de fazer novas todas as coisas. (DA 131). 

3.Oração (Vida) 
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Rezo pelas vocações, com o papa:
Ó Pai, fazei com que surjam, entre os cristãos, numerosas e santas vocações ao sacerdócio, que mantenham viva a fé e conservem a grata memória do vosso Filho Jesus pela pregação da sua palavra e pela administração dos sacramentos com os quais renovais continuamente os vossos fiéis.
Dai-nos santos ministros do vosso altar, que sejam atentos e fervorosos guardiões da Eucaristia, o sacramento do supremo dom de Cristo para a redenção do mundo.
Chamai ministros da vossa misericórdia, os quais, através do sacramento da Reconciliação, difundam a alegria do vosso perdão.
Fazei, ó Pai, que a Igreja acolha com alegria as numerosas inspirações do Espírito do vosso Filho e, dóceis aos seus ensinamentos, cuide das vocações ao ministério sacerdotal e à vida consagrada.
Ajudai os Bispos, os sacerdotes, os diáconos, as pessoas consagradas e todos os batizados em Cristo para que cumpram fielmente a sua missão no serviço do Evangelho.
Nós Vos pedimos por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Maria, Rainha dos Apóstolos, rogai por nós.
Papa Bento XVI 

4.Contemplação (Vida e Missão) 
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus, como discípulo e missionário de Jesus Cristo.

Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
-Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Fonte: Catequese Católica

Marcados para morrer

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

Tenho, por vezes, a impressão de que nossos jornais e noticiários de TV reservam um espaço diário para as tragédias de trânsito. Variam os locais dos acidentes e são diferentes os horários e as circunstâncias em que ocorrem; também não coincide o número de envolvidos ou o saldo de mortos e feridos. Mas as notícias de capotamentos, batidas e acidentes se renovam, numa repetição que seria monótona, se não fosse trágica.

Sucedem-se reportagens sobre as condições das estradas e o comportamento dos motoristas. Há aquelas que acentuam mais a falta de segurança nas rodovias; outras, a inexistência de um mínimo de sinalização que dê tranquilidade aos que viajam de dia ou em noites de chuva; a maioria das reportagens se referem, contudo, à imprudência daqueles que se julgam verdadeiros pilotos da Fórmula 1, constituindo-se numa constante ameaça aos demais motoristas das rodovias ou avenidas de nossas cidades.
Os números e os pormenores a respeito dos acidentados são cruéis. As estatísticas não se resumem mais ao número de mortos num determinado período: começamos a ser informados sobre o número daqueles que morrerão até o final do ano em curso ou dos próximos anos. Há o perigo de nos familiarizarmos com os quadros que nos mostram quantos estão marcados para morrer, como se isso fosse inevitável. O pior de tudo é que a realidade tem superado tais previsões: o número de acidentes, de mortos e feridos tem sido acima das expectativas mais pessimistas.
Sabe-se que há, realmente, muito de imprudência por trás de tais números. Basta transitarmos um pouco por nossas cidades ou rodovias para nos convencermos de que é necessária uma reeducação para o trânsito. Tem-se, por vezes, a impressão de que já que não conseguiram fazer tudo o que haviam planejado, muitos motoristas querem, a todo o custo, superar os limites impostos pelo tempo e espaço. À medida que desrespeitam as mais elementares leis de trânsito, põem em perigo não só suas próprias vidas – o que já seria de se lastimar –, mas também as de inúmeros inocentes, que nada têm a ver com as tensões e a pressa de motoristas imprudentes.
Viajar, por vezes, significa arriscar-se, enfrentando perigos que se renovam. Quem tem fé, mais do que oferecer sua viagem ao Senhor da Vida sente que é preciso oferecer a vida ao Senhor da História, porque não sabe o que o aguarda nos momentos seguintes. Um dos personagens de Guimarães Rosa dizia que "Viver é muito perigoso". Não é possível imaginar o que tal personagem diria se, saindo do interior de Minas Gerais e deixando de lado mula, palheiro e companheiros de prosa, conhecesse nossas estradas e avenidas.
Soube que, tempos atrás, numa determinada rodovia, todos os carros tiveram que parar. Foi perguntado a um homem que, a pé, vinha em sentido contrário, o que teria acontecido. Com a naturalidade de quem vira algo que lhe era comum, respondeu secamente: "Um desastre. Morreram quatro."
"Morreram quatro!" Um número. Um dado para as estatísticas. Se tivessem sido dois, três ou seis, parece que seria a mesma coisa. Temos a terrível capacidade de nos acostumar com a desgraça alheia.
Por trás dos números, porém, há nomes, idades e histórias. Há pais que passarão a chorar o resto de suas vidas a dor de um filho que não mais voltará para casa. E a esposa que verá, de repente, a destruição de tantos sonhos? E o olhar perdido de filhos, à espera de alguém que lhes diga que foi engano, que papai voltará e poderá, então, brincar com eles?...
Há necessidade de um verdadeiro mutirão, do qual participem autoridades, políticos, comerciantes, estudantes e operários, adultos e jovens – mutirão que, diante do triste quadro de nosso trânsito, procure dar uma resposta à pergunta: O que podemos fazer para mudar essa situação?
Não podemos é ficar indiferentes diante de frias estatísticas, aguardando a confirmação ou não do número daqueles que foram marcados para morrer no próximo carnaval, na festa de São João ou num outro feriado qualquer de nosso calendário...   
Fonte: CNBB

Este é o meu Filho amado!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

O gesto de Jesus pedir a São João Batista para ser batizado, significa que humildemente Ele rompe todas as divisões e faz de cada um que O Segue, um novo povo, o povo da nova e eterna Aliança.

João dizia: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. Se o batismo de João era um batismo de conversão, de mudança, de vida, porque Jesus quis se fazer batizar? Jesus se fez batizar para demonstrar que a partir daquele gesto de humildade dava-se início ao seu tempo público de anúncio da Salvação e de pregação do Reino.
E o Espírito Santo que desceu sob Nosso Senhor Jesus Cristo, como fala o próprio Evangelho: “Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galiléia, e foi batizado por João no rio Jordão. E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho todo meu bem-querer”(Cf. Mc 1,9-11).
Por isso o prefácio próprio da Solenidade de hoje resume bem o espírito que deve nos animar: “Hoje, nas águas do rio Jordão, revelais o novo Batismo, com sinais admiráveis. Pela voz descida do céu, ensinais que vosso Verbo habita entre os seres humanos. E pelo Espírito Santo, aparecendo em forma de pomba, fazeis saber que o vosso Servo, Jesus Cristo, foi ungido com o óleo da alegria e enviado parara evangelizar os pobres”.
Sim, a evangelização inicia-se com o nosso batismo. Por isso vamos rezar, insistentemente, agradecendo a graça de ter nascido católico. Rezemos pelos nossos pais que nos levaram a pia batismal, pelo sacerdote que nos batizou e pelos nossos padrinhos que ajudaram nossos pais e mães a nos educarem na fé. O batismo gera este compromisso novo, esta graça santificante, que nos lava do pecado original e nos anima a caminhar unidos com a Igreja, sacramento do Reino de Deus, vivendo com alegria a graça que recebemos.
Quem é batizado vive a justiça e promove a paz. Isaías sinaliza para nós que: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão. Eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas”(Cf. Is 42,6-7). Se batizados somos criaturas novas não podemos viver como se vivêssemos nas trevas e no erro. Nestes dias, na Europa, quantas pessoas foram vítimas do terrorismo. Mesmo no Brasil, nas grandes cidades, quantas pessoas são assassinadas friamente e nem notícia são mais para a grande imprensa. Vivemos um tempo difícil de violência, de perseguições de toda a sorte, dentro e fora da Igreja, no mundo, na sociedade. Parece que as palavras proféticas e o testemunho do Papa Francisco não ecoam nas instâncias da Igreja. Muitos vivem apenas como diplomatas e não como discípulos-missionários de Jesus Cristo. O Cardeal Moreira Neves, certa feita, disse: “Não sejamos homens que vivem a dizer que querem os agnósticos ouvir. Sejamos homens de atitudes e de palavras que sejam coerentes, absolutamente coerentes com o Evangelho”. E a coerência com o Evangelho passa pelo batismo. Pela transmissão integral da fé, não em consonância com as instâncias de poder, mas em consonância com a Palavra de Deus. Do céu, nos dias de hoje, continua ecoando a voz do Pai: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.
 Fonte: CNBB

Sentir-se comprometido

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba (MG)

Não basta a pessoa ficar sensibilizada diante de motivações recebidas a partir do que ela escuta. Tudo depende do compromisso que é assumido e colocado em prática. Muitos dizem que “as palavras comovem, mas são os exemplos, ‘isto é, as práticas concretas’, que arrastam”. Mesmo em cultura de superficialidade, é possível ser comprometido e autêntico.

Entendo que as pessoas têm uma missão própria a desenvolver na construção do bem social. Para isso, é fundamental a capacidade natural de doação e busca da perfeição. Em outras palavras, de compromisso sério na realização e concretização da história de vida das pessoas. O que está em jogo é a superação do individualismo e do egoísmo, que destroem o bem comum.
Quando construímos o bem da vida, de forma comunitária, colocamos em evidência os princípios do Reino de Deus. Reino de justiça, de amor e de paz, como realidade que beneficia o bem popular, e todas as pessoas passam a ser valorizadas. Os benefícios desse comprometimento atingem a toda comunidade ali envolvida.
Essa realidade de comprometimento teve como expressão concreta a vida dos primeiros cristãos. Entre eles destacamos a prática de Jesus Cristo e dos seus apóstolos. Eles não perderam de vista a autenticidade da missão recebida e não se abateram diante da cultura contrária, que existia, em seu tempo. Foram verdadeiramente autênticos.
Autenticidade significa agir com liberdade e consciência diante da missão. Ela não pode ser confundida com libertinagem, com atos irresponsáveis e imorais, que esvaziam o sentido da vida e da vocação natural de todo ser humano. Fere também a identidade do cidadão, membro de uma realidade social, que ele deve construir.
Ao agir concretamente, o cidadão deve saber ouvir, escutar e meditar para descobrir sua real missão na sociedade. Não pode ficar preso em seus próprios interesses, ser egoísta, mas estar atento na descoberta daquilo que mais lhe faz bem e ajuda no bem das outras pessoas. Com isto, estará construindo também sua própria realização. A verdadeira felicidade depende do bem que conseguimos fazer aos outros.
Fonte: CNBB

domingo, 11 de janeiro de 2015

Caridade


Caridade é um termo derivante do latim caritas, que tem origem no vocábulo grego chàris. Significa um sentimento de ajuda a alguém sem busca de qualquer recompensa. A prática da caridade indica uma pessoa boa e de moral correta. A doutrina católica classifica a caridade como uma das virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade), “pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus” (CIC. 1822). O Apóstolo São Paulo traçou um quadro incomparável da caridade: “A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade.” (1 Cor 13, 4-7). São Paulo também não mede suas palavras quando ele afirma “A caridade é superior a todas as virtudes. É a primeira das virtudes teologais” (CIC 1826). “Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade” (1Cor 13, 13).
Jesus fez da caridade o novo mandamento quando disse “Este é o meu preceito: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo. 15, 12). Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. A visita de Maria, grávida a Elizabete numa região montanhosa foi um belo exemplo da caridade de Maria. O Papa Bento XVI publicou no dia 7 de junho de 2009 uma carta encíclica titulada “Caritas in Veritate” (Caridade na Verdade). Nesta encíclica a “caridade” é aplicada às realidades do trabalho, da economia e do desenvolvimento em geral. A caridade representa o maior mandamento social. Respeita o outro e seus direitos. Exige a prática de justiça, e só ela nos torna capazes de praticá-la.
“Deus é caridade e aquele que permanece na caridade permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4,16). Deus difundiu a sua caridade nos nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi dado (cf. Rm 5,5); por isso, o dom principal e mais necessário é a caridade, pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por causa dele. (cf. Lumen Gentium No. 42).
Pe. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista.

Liturgia Diária - Batismo do Senhor

Invoquemos a presença do Espírito Santo para ler e refletir a liturgia de hoje:
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. 

Oremos 

Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Oração
Espírito de purificação, faze-me experimentar o batismo purificador de Jesus, que me liberta do pecado e do egoísmo, predispondo-me para o serviço generoso a meu próximo.
Primeira leitura: Is 42,1-4.6-7
Leitura do Livro do profeta Isaías

- Assim fala o Senhor: 1“Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações.
2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos.
6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas”.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Salmos: Sl 28
          — Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
— Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

— Filhos de Deus, tributai ao Senhor,/ tributai-lhe glória e poder!/ Dai-lhe a glória devida ao seu nome;/ adorai-o com santo ornamento!

— Eis a voz do Senhor sobre as águas,/ sua voz sobre as águas imensas!/ Eis a voz do Senhor com poder!/ Eis a voz do Senhor majestosa!

— Sua voz no trovão reboando!/ No seu templo os fiéis bradam: “Glória!”/ É o Senhor que domina os dilúvios,/ o Senhor reinará para sempre! 
2° Leitura: At 10,34-38
Leitura dos Atos dos Apóstolos

- Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença.
36Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa Nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos.
37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: 38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Evangelho: Lc 3,15-16.21-22
         - O Senhor esteja convosco.
          - Ele está no meio de nós.
          - Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas.
          - Glória a vós, Senhor.

        Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”.
21Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu 22e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Comentário do Evangelho
A celebração do Batismo de Jesus reaviva em nós o sacramento básico e tradicional de nossa fé encarnada: o Batismo. O mergulho simbólico nas águas primordiais para um renascer, para uma vida nova. Essas águas constituem o ventre do mundo: nelas a vida tem início. E o mergulho no Espírito, que é fogo luminoso e purificador, nos orienta e move no empenho em resgatar o valor, a dignidade e a vida no mundo. Nas origens de nosso Batismo está o batismo de João. Jesus vai da Galileia ao Jordão para ser batizado por João. João, filho de sacerdote, distancia-se do Templo. Anuncia, no deserto, a salvação pelo batismo da conversão à justiça, o que nos alcança a libertação dos pecados. A pessoa de João Batista, que ficou viva na memória do povo, é colocada em destaque desde o início dos quatro Evangelhos. Lucas, no Evangelho de hoje, a partir da fé vivenciada nas primeiras comunidades, apresenta-nos uma narrativa teológica do batismo de Jesus. O estilo é apocalíptico (o céu se abre, o Espírito Santo desce sob forma corpórea de pomba, ouve-se a voz do céu). O batismo de João, em Jesus, é confirmado pelo Espírito Santo e assumido pelo "filho amado" de Deus. A prática da justiça decorrente do compromisso do batismo anunciado por João alcança, assim, uma dimensão de participação na vida divina e de eternidade, no Espírito. A partir da figura do "servo" do Senhor, de Isaías (primeira leitura), pode-se fazer a interpretação de Jesus como inserido na linha profética do anúncio e do estabelecimento da justiça e do direito. Afim a essa interpretação, o batismo de João é compreendido como o compromisso com a prática da justiça. Podemos ver isso no relato de Lucas em Atos: Pedro, após a experiência da conversão de gentios na Samaria, afirma: "(Deus) aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença", mencionando, a seguir, o batismo de João. Jesus "abre os olhos aos cegos, e tira do cárcere os prisioneiros". Ser fiel a Jesus, à nossa fé e a nosso Batismo é comprometer-nos com o projeto de Deus, de justiça e de libertação, solidários com os povos oprimidos.
Leitura Orante
Saudação
- A nós, a paz de Deus, nosso Pai,
a graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo,
no amor e na comunhão do Espírito Santo.
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparo-me para a Leitura, rezando:
Jesus Mestre,
ficai conosco,
aqui reunidos (pela grande rede da internet),
para melhor meditar
e comungar com a vossa Palavra.

1. Leitura (Verdade) 
O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto: Lc 3,15-16.21-22
Jesus foi batizado por João, como todo o povo, no Jordão. E enquanto orava, manifestaram-se o Pai e o Espírito Santo. O Espírito, em forma de pomba. O Pai, na voz que veio do céu: "Este é meu Filho querido".
Jesus se misturou com o povo para ser batizado. E quem estava ali, na esperança do Messias, pode encontrá-lo e viu a manifestação de Deus.

2. Meditação (Caminho) 
O que o texto diz para mim, hoje? O nosso batismo deriva do batismo de Cristo. Ser batizado é ser enxertado em Cristo, é aceitar os desafios provenientes do anúncio do Evangelho. Ser imerso na água do batismo é aceitar morrer ao pecado. Aquele que recebe a água do batismo nasce para a ressurreição e para a vida eterna (Rom 6, 4-5).

3.Oração (Vida) 
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Renovo o meu Batismo, renovando a minha fé e meu compromisso cristão.
Creio em Deus, Pai todo poderoso,
criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo seu único filho, Nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria
Padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu a mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso,
de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na Santa Igreja Católica,
na comunhão dos Santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne,
na vida eterna.
Amém.

4.Contemplação (Vida e Missão) 
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Vou olhar o mundo e a vida com os olhos de Deus. Vou viver a minha vida cristã coerente com meus compromissos de contínua conversão e de testemunho de minha fé.
Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
-Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.
Fonte: Catequese Católica

8 características de um evangelizador dos dias atuais

A cada dia é mais necessário que todos nós respondamos ao chamado de Jesus de ir pelo mundo e evangelizar. A sociedade precisa de apóstolos da nova evangelização de todas as idades, nacionalidades e profissões, precisa de pessoas que manifestem com sua própria vida que o cristianismo é o caminho para a salvação e que pode ser vivido plenamente em todas as realidades terrenas.

Assim, um apóstolo da nova evangelização deve possuir certas características. Ele deve ser:
• Militante: a tarefa de transformar o homem não é fácil. Não há fórmula mágica para isso. O apóstolo da nova evangelização concebe sua vida como um luta constante contra as forças do mal.
• Magnânimo: o apóstolo sabe que foi eleito para coisas grandes e que não tem tempo a perder em mediocridades ou lamentos. Tem um coração grande, em que cabe o mundo inteiro, pois ele está convidado a pregar a todos. Em seu coração cabem todas as necessidades, misérias, dores e alegrias dos homens. Ele sente a Igreja e o mundo como terra fecunda para o seu trabalho. Suas aspirações são grandes, assim como grandes são os seus desejos de luta, sua capacidade de amar e se entregar.
• Tenaz, forte e perseverante: a luta será contínua. A vitória não virá em um dia, nem em uma semana, nem em um ano: ele terá de lutar a vida toda. Por isso, são necessários apóstolos convictos, para que não desistam, para que combatam sem enfraquecer, para que não se deixem vencer pelo medo, a covardia, a falsa prudência ou as queixas.
• Realista: o apóstolo deve construir sobre a rocha, conhecer-se com todas as suas qualidades e limitações, e conhecer o campo onde tem de evangelizar e as dificuldades que vai enfrentar. Deste modo, poderá fazer planos que vão diretamente à raiz dos problemas. O apóstolo não pode viver de sonhos, deve lutar na realidade.
• Eficaz em seu trabalho: o apóstolo da nova evangelização coloca tudo o que está ao seu alcance na tarefa de evangelizar. Não se detém diante de dificuldades e sacrifícios. Busca sempre novos caminhos para alcançar o que lhe foi encomendado.
• Organizado: trabalha de maneira sistemática, de acordo com um programa que ele mesmo traçou. Sabe que sem ordem não pode haver eficácia. Reflete antes de atuar, traça objetivos, analisa dificuldades, traça estratégias, propões soluções, coloca-as em ação e avalia os resultados.
• Atento às oportunidades: sabe que a todo momento se apresentam oportunidades de evangelizar.
• Sobrenatural em suas aspirações: seus critérios não são deste mundo. Por isso, é capaz de empreender obras de envergadura com a confiança de que Deus suprirá suas limitações e lhe concederá a Sua graça. Sabe que o protagonista da missão é Deus e ele é só um instrumento dócil nas mãos de Deus.
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