sábado, 16 de maio de 2015

Ascensão do Senhor e experiência missionária

Cardeal Orani João TempestaArcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Estamos chegando ao final do tempo Pascal! Ao iniciar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e dentro da Novena em Preparação à Solenidade de Pentecostes, celebramos o mistério da Ascensão do Senhor, quando comemoramos também o Dia Mundial das Comunicações. Em nossa Arquidiocese será o final de semana de uma bela experiência missionária, com os evangelizadores preparados para repassar para suas paróquias a experiência dessa “igreja em saída”.
A Ascensão é mistério porque brota do coração de Deus, porque ultrapassa tudo quanto possamos imaginar, porque nos dá a vida eterna. Aquele que admiramos ressuscitado em glória na Ressurreição, hoje contemplamo-Lo à direita de Deus, com a mesma autoridade do Pai, e o proclamamos Cabeça da Igreja, Senhor sobre toda a criação, sobre toda a humanidade, Princípio e Fim da história humana e Juiz dos vivos e dos mortos. No Dia da Páscoa contemplamos o Cristo resplendente de Glória; na Ascensão contemplamos o que essa glória significa para nós todos.
Esta solenidade nos faz compreender com o coração que o Cristo que por nós se fez homem, como um de nós viveu e por nós morreu, Ele mesmo, agora, com a sua humanidade glorificada, está à direita do Pai. Isto é admirável: um da nossa raça, a nossa humanidade em Jesus Cristo, participa agora da comunhão da Trindade. Que mistério: n’Ele, a nossa humanidade está totalmente glorificada! Como diz a oração inicial dessa Santa Missa, "a Ascensão do Filho já é a nossa vitória" porque nós, enxertados nele, a ele unidos no Batismo e na Eucaristia, somos membros do seu Corpo, que é a Igreja; e sabemos: onde já está a nossa Cabeça, estaremos também nós um dia! Como diz a segunda leitura da Missa: chegaremos "todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude". Ou seja, no fundo nos mostra também a nossa direção última.
A Festa de hoje nos revela: chegar à estatura do Cristo em sua plenitude! Nada menos que isso pode saciar o coração humano; nada menos que isso pode nos contentar, pode nos dar paz! Olhemos para o Cristo glorioso à direita do Pai e veremos a que somos chamados... Contemplemos, pois, o nosso destino! Tanto maior a grandeza que contemplamos em Cristo, mais deveria nos espantar a ilusão e alienação do mundo atual! Por isso, recordemos a exortação do Apóstolo: "Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória" (Cl 3,1-4).
“Sentado como Senhor à Direita do Pai”, Jesus é o Senhor do universo e de toda a história. De tudo, Cristo é Senhor; tudo caminha para ele, ele é a Finalidade de tudo... também da história humana. Por mais que o homem pecador trame contra Cristo, por mais que o mundo hodierno volte suas costas ao Senhorio do Ressuscitado, tudo caminha para ele, e ele triunfará ao fim de tudo – ele é o Alfa e o Ômega, o A e o Z, o Princípio e o Fim de todas as coisas! É o que escrevemos no Círio Pascal todos os anos!
O Senhor Jesus, hoje no mais alto dos céus, é Cabeça da Igreja. Aquele que é o Unigênito de Deus, pela sua ressurreição e pelo dom do seu Espírito, tornou-se o Primogênito de muitos irmãos, Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja. O Cristo pleno de glória que está nos céus, é nossa cabeça e dele continuamos recebendo a vida, que é o próprio Espírito Santo. Esta vida vem-nos, sobretudo, nos sacramentos, especialmente da Eucaristia, na qual recebemos o Cristo morto e ressuscitado, pleno do Santo Espírito, Senhor que dá a vida. Olhando para Aquele que está à direita do Pai e é nossa Cabeça e Princípio, como não nos alegrar? Como não nos encher de esperança? Como não ter a certeza de que nossa vida caminha para a Plenitude? A Igreja jamais estará sozinha – seu Senhor é o mesmo que está à direita do Pai; seu Esposo e Cabeça, é o Rei da Glória!
A Festa de hoje – que, de certo modo, já nos prepara para o encerramento do Tempo da Páscoa, com o Santo Pentecostes, no próximo Domingo –, nos convida a colocar os pés nas estradas do mundo – na nossa família, no nosso trabalho, entre os nossos amigos, na vida social... pés nas estradas do mundo para proclamar o Senhorio de Cristo, a vivenciar o Ano da Esperança em nossa Igreja Arquidiocesana.
Lembremo-nos da sua promessa e de nossa missão: "Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós para serdes minhas testemunhas até os confins da terra"! Se conhecermos Jesus de verdade, se o acolhemos realmente em nossa vida, crermos na sua glória e esperarmos com todo nosso coração participar dela, seremos, então, suas testemunhas. E nossa convicção, nosso amor e nossa esperança invencível contagiarão a muitos.
 Fonte: CNBB

Indicações - Diretrizes Gerais

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em sua recente assembleia (14-24/04), aprovou novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Estas querem servir de base para que cada Diocese, a partir da sua realidade local, elabore seu plano de ação para os próximos anos.

As Diretrizes aprovadas têm como objetivo geral "Evangelizar, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo".
A ação evangelizadora da Igreja tem, pois, como referência fundamental a pessoa de Jesus Cristo. "Jesus Cristo é a fonte de tudo o que a Igreja é e de tudo o que ela crê. Em sua missão evangelizadora, ela não comunica a si mesma, mas o Evangelho, a palavra e a presença transformadora de Jesus Cristo, na realidade em que se encontra. Ela é a comunidade dos discípulos missionários, que respondem permanentemente à pergunta decisiva: quem é Jesus Cristo? O fundamento do discipulado missionário é a contemplação e o seguimento de Jesus Cristo. Como afirma o Papa Francisco, "a melhor motivação para se decidir comunicar o Evangelho é contemplá-lo com amor, é deter-se nas suas páginas e lê-lo com o coração". Na comunhão eclesial, eles experimentam o fascínio que faz arder seus corações, leva-os a tudo deixar e a viver um amor incondicional a Ele. A paixão por Jesus Cristo os leva à verdadeira conversão pessoal e pastoral.
Em alguns setores da sociedade, constata-se a tendência ao cultivo da fé de forma intimista, privativa. No entanto, somos recordados de que é na comunhão eclesial que o discípulo missionário, ao contemplar Jesus Cristo, descobre o Verbo que arma sua tenda entre nós, o Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade; aquele que, sendo rico, se fez pobre para a todos enriquecer, sendo de condição divina, não se fecha em si mesmo, mas se esvazia até a morte e morte de cruz e não tem sequer onde reclinar a cabeça. Ele está sempre a caminho para anunciar o Reino, a graça, a justiça e a reconciliação. Ele se preocupa com as ovelhas que não fazem parte do rebanho, mesmo que seja uma única perdida, sofrida, para reanimá-las diante da dor e da desesperança. Deus se comunica conosco por meio de sua Palavra que é Jesus Cristo, Verbo feito carne. É este mesmo Jesus que virá, um dia, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos.
O encontro com Jesus enche a vida de alegria, convida à conversão e ao discipulado missionário. 'No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo' (Bento XVI). Por sua vez, este encontro é mediado pela ação da Igreja, que se concretiza em cada tempo e lugar, de acordo com o jeito de ser de cada povo, de cada cultura. A descoberta do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, dom salvífico para toda a humanidade, não acontece sem a mediação dos outros. (...) Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros? 'A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, a experiência de sermos salvos por Ele, que nos impele a amá-lo cada vez mais.'
Desejamos ardorosamente que as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil sejam assumidas por nossas comunidades como indicações seguras no processo de construção de seus planos de ação para os próximos anos. Assim, com o auxílio da graça divina, haveremos de cooperar para tornar o Reino de Deus perceptível já entre nós.
Fonte: CNBB

Hoje é Um Dia Especial : Aniversário do PADRE LUCIANO GONZAGA

    Padre Luciano,
      Nesta data tão importante de sua vida, queremos prestar-lhe a nossa sincera homenagem, mesmo sabendo que nem sempre as palavras conseguem ser tão transparentes a ponto de expressar as qualidades de alguém.                                                                                              É por isso que aproveitamos esse momento celebrativo para parabenizá-lo e agradecê-lo por tudo que tens feito por nossa ÁREA PASTORAL desde que aqui chegou. Muito se aprendeu...
        Acreditamos que o Senhor, Pe Luciano, veio para o nosso convívio com a permissão de Deus, pois sua presença em nosso meio é contagiante, caracterizando a fé e a força que existem dentro do seu coração. Dizemos isso por esse seu jeito empolgante de animar as celebrações; de usar uma linguagem popular; de levar as pessoas a terem uma experiência com Deus.
    Rogamos a Deus e ao Espírito Santo que continue lhe dando muita saúde, força, unção e sabedoria para exercer a missão que lhe foi confiada e que, muitos anos em sua vida sejam acrescentados, para que sempre possas levar o Evangelho e o amor a todas as pessoas que encontrar. Pois sabemos que esse é o presente que queres ganhar: O de viver livremente a sua fé e a sua vocação.
       Que São José,lhe dê uma benção toda especial neste dia, derramando sobre o Senhor, suas bênçãos e graças do Céu.
Parabéns!!! Feliz Aniversário!!!
Receba o abraço de gratidão de todos nós que fazemos a ÁREA PASTORAL SÃO JOSÉ  em especial da humilde serva...Um grande abraço meu amigo e irmão...                                 
                               

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Alguns aspectos da nota da CNBB sobre o momento nacional

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)

"A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, reunida em Aparecida (SP), no período de 15 a 24 de abril de 2015, avaliou, com apreensão, a realidade brasileira, marcada pela profunda e prolongada crise que ameaça as conquistas, a partir da Constituição Cidadã de 1988, e coloca em risco a ordem democrática do País. (...)

O momento não é de acirrar ânimos nem de assumir posições revanchistas ou de ódio que desconsiderem a política como defesa e promoção do bem comum. Os três poderes da República, com a autonomia que lhes é própria, têm o dever irrenunciável do diálogo aberto, franco, verdadeiro, na busca de uma solução que devolva aos brasileiros a certeza de superação da crise.
A retomada de crescimento do País, uma das condições para vencer a crise, precisa ser feita sem trazer prejuízo à população, aos trabalhadores e, principalmente, aos mais pobres. (...)
A corrupção, praga da sociedade e pecado grave que brada aos céus (Papa Francisco), está presente tanto em órgãos públicos quanto em instituições da sociedade. Combatê-la, de modo eficaz, com a consequente punição de corrompidos e corruptores, é dever do Estado. É imperativo recuperar uma cultura que prime pelos valores da honestidade e da retidão. Só assim se restaurará a justiça e se plantará, novamente, no coração do povo, a esperança de novos tempos, calcados na ética.
A credibilidade política, perdida por causa da corrupção e da prática interesseira com que grande parte dos políticos exerce seu mandato, não pode ser recuperada ao preço da aprovação de leis que retiram direitos dos mais vulneráveis. Lamentamos que no Congresso se formem bancadas que reforcem o corporativismo para defender interesses de segmentos que se opõem aos direitos e conquistas sociais já adquiridos pelos mais pobres. (...)
A PEC 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal para 16 anos (...) é um equívoco que precisa ser desfeito. A redução da maioridade penal não é solução para a violência que grassa no Brasil e reforça a política de encarceramento em um país que já tem a quarta maior população carcerária do mundo. Investir em educação de qualidade e em políticas públicas para a juventude e para a família é meio eficaz para preservar os adolescentes da delinquência e da violência.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, em vigor há 25 anos, responsabiliza o adolescente, a partir dos 12 anos, por qualquer ato contra a lei, aplicando-lhe as medidas socioeducativas. Não procede, portanto, a alegada impunidade para adolescentes infratores. Onde essas medidas são corretamente aplicadas, o índice de reincidência do adolescente infrator é muito baixo. Ao invés de aprovarem a redução da maioridade penal, os parlamentares deveriam criar mecanismos que responsabilizem os gestores por não aparelharem seu governo para a correta aplicação das medidas socioeducativas. (...)
Muitas destas e de outras matérias que incidem diretamente na vida do povo têm, entre seus caminhos de solução, uma reforma política que atinja as entranhas do sistema político brasileiro. Apartidária, a proposta da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, da qual a CNBB é signatária, coloca-se nessa direção.
Urge, além disso, resgatar a ética pública que diz respeito 'à responsabilização do cidadão, dos grupos ou instituições da sociedade pelo bem comum'. Para tanto, 'como pastores, reafirmamos Cristo, medida de nossa conduta moral e sentido pleno de nossa vida'.
Que o povo brasileiro, neste Ano da Paz e sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, supere esse momento difícil e persevere no caminho da justiça e da paz".
Fonte: CNBB

Mudanças nas crises

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

As crises que se apresentam no horizonte da sociedade brasileira configuram-se em enormes desafios, um peso que incomoda. No entanto, é oportuno considerar a crise momento para se substituir dinâmicas e qualificar processos. É uma fase desafiadora e arriscada e os resultados podem ser benéficos ou prejudiciais, determinados pelos acertos ou equívocos nas decisões. As crises econômica, hídrica, moral, existencial e outras tantas que se apresentam recaem sobre o conjunto da sociedade e permeiam toda sua estrutura. Uma situação cheia de perigos, mas também com sementes fecundas de renovação.

Essa fase crítica gera desorientação, desconfiança e até desespero. Fragiliza as instituições e exige mais das instâncias governamentais no exercício da insubstituível tarefa de garantir o bem comum e o equilíbrio político. Mas, também, aciona o instinto de sobrevivência e a vontade de encontrar saídas. E mesmo quando se sabe que a solução de uma crise suscita outros problemas, que pode projetar novos quadros desafiadores, é imperativa a busca de soluções, conduta profundamente vinculada ao tecido da cultura de uma sociedade em crise. E a qualidade desse tecido é que permitirá uma reação compatível com os desafios postos. Nesse horizonte, a crise só pode ser enfrentada na medida que se entra num processo profundo de transformação. Ela se instaura exatamente quando funcionamentos se tornam obsoletos e há falta de respostas novas; porque cresce a lista de necessidades e se configura uma fragilização de processos variados em razão dos procedimentos comprometidos, como é o caso endêmico da corrupção.
Faz-se urgente priorizar dentre as respostas à crise, a aposta em uma profunda e radical mudança cultural. Sabemos que não é simples. Processos dessa natureza são demorados. Mesmo assim, é preciso investir em fórmulas eficazes na superação dos desafios. A resposta pode estar em novas soluções e em uma cultura mais solidificada pronta para enfrentar as novas crises, mas, também, aquelas que são permanentes. Como exemplo, é válido considerar a crise hídrica na sua exigência de providências técnicas e logísticas, como também a atitude simples e determinante de cada consumidor. Dentre as indicações práticas no enfrentamento dessa situação, aparecem necessidades como não se tomar banho demorado ou economizar água quando se escova os dentes. Tudo isso parece banal e muito doméstico para constar na pauta pública. Mas aqui é que se toca mais profundamente o tecido cultural de uma sociedade que ainda precisa aprender a discernir o limite entre economizar e esbanjar. Essa referência que até parece comum revela o quanto gestos, atitudes e escolhas que constituem a base do tecido cultural e o cotidiano da sociedade têm consistência ou operam em estado de emergência, de alarme, no seu papel de civilidade e autêntico sentido de cidadania. Em questão, portanto, está o comprometimento a compreensão de que é preciso investir, sobretudo, numa perspectiva de radicais mudanças culturais. Caso contrário, o conjunto da sociedade se constitui em condição de parasita, esperando que apenas instâncias governamentais e empresariais solucionem as crises. Às lideranças, cabe agir com a consciência do serviço, do dever de visar ao bem comum.
O enfrentamento da crise é frágil e não consegue incidir na realidade se não imprime a velocidade esperada aos processos. É alto o preço a se pagar pelos prejuízos causados pela morosidade e escolhas pouco inteligentes ou que desconsideram as razões humanísticas e humanitárias. E não menos graves são os danos provocados pela mesquinhez de indivíduos, grupos ou classes que viram as costas aos clamores da realidade e se recusam a gestos de desprendimento ou sacrifícios pelo bem comum. Esperam a superação da crise como resposta a interesses de confortos particulares e não como atendimento de demandas cidadãs.
Bem adverte o Papa Francisco na sua Exortação Apostólica, A Alegria do Evangelho, sublinhando o prejuízo que traz essa cultura em que cada um pretende ser portador de uma verdade subjetiva própria, que dificulta a indispensável inserção de cada cidadão em um projeto comum que vá além dos benefícios e desejos pessoais. A grande crise, portanto, é cultural e seu enfrentamento só pode se dar com grandes mudanças culturais.
Fonte: CNBB

Aparecida e Fátima

Dom Luiz Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP)

Nesta semana, no dia 13 de maio, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi levada para Fátima, em Portugal. O fato, aparentemente inócuo, precisa ser lido à luz da linguagem cifrada, que envolve o fenômeno das “aparições” de Nossa Senhora.

Nesta perspectiva, aí sim, o episódio se reveste do fecundo simbolismo religioso, que oferece diversos ângulos de interpretação.
Um dado histórico vem corroborar a interessante associação que podemos fazer entre Fátima e Aparecida. Esta associação tem como ponto de convergência o ano de 2017, quando vão se completar 300 anos do encontro da imagem no Rio Paraíba do Sul, e 100 anos das aparições de Fátima. O ano de 2017 vai colocar tanto Fátima como Aparecida em confronto com sua própria história.
Este confronto com a história é indispensável para dimensionar qualquer fenômeno humano. O ano de 2017 nos dará a moldura adequada, para enquadrar ambos os fatos, e perceber sua consistência.
A coincidência de datas nos instiga a fazer um paralelo entre Fátima e Aparecida, constatando de imediato que ambas recebem da história uma inegável confirmação, que requer uma adequada compreensão.
Uma análise histórica do que significa hoje Aparecida, com seu impressionante complexo religioso, fica facilitada se tomarmos em conta que já são trezentos anos de construção de uma rica e profunda mensagem religiosa e social que foi se agregando em torno da pequena imagem encontrada por gente simples nas águas de um rio.
E ao fazermos as contas que já se passaram cem anos dos episódios de Fátima, também nos damos conta que o fenômeno, como quer que seja interpretado, carrega consigo o atestado de veracidade histórica da divulgação de sua mensagem.
Algumas ponderações são importantes para situar bem os fenômenos que tomam a forma de “aparições” de Nossa Senhora.
A começar com a atitude oficial da Igreja Católica. Ela nunca se pronuncia sobre as circunstâncias concretas de pretensas aparições. Inclusive, recomenda cautela, para que ninguém se apresse em atribuir a Deus o que pode ser explicado humanamente. Ainda mais diante do fenômeno das “aparições”, tão propício a achar que é objetivo o que não passa de projeções subjetivas.
Diante desses fatos, a Igreja está atenta, isto sim, para perceber os seus desdobramentos. Se em torno deles se aglutinam mensagens positivas, com evidente conotação evangélica, a Igreja relativiza os fatos, e incentiva a vivência das mensagens, aconselhando que elas sejam confrontadas com o Evangelho e com a doutrina cristã, para receberem uma consistência ainda maior.
Em Fátima, por exemplo, desde o início foi se divulgando a importância da oração, da conversão pessoal, e a preocupação pela paz mundial. A memória dos episódios ocorridos em 1917 pode estimular esses valores, sem perdermos tempo em investigar como teria se dado a manifestação de Maria aos três adolescentes.
Quanto à Aparecida, ocorre um fato muito singular. Aí não se trata de “Aparição”. Mas do encontro, muito simplesmente, de uma pequena imagem, que foi recebendo significados muito positivos, pela atitude de fé com que ela foi recolhida, recomposta, revestida, atraindo o carinho e o respeito das pessoas que iam se congregando ao seu redor, até constituírem uma verdadeira comunidade que tinha naquela pequena imagem o reflexo de si mesma. Podemos dizer que, na verdade, em Aparecida, não houve uma “aparição” de Maria. Mas houve a aparição de uma verdadeira comunidade eclesial. Toda a estruturação da religiosidade em torno da “Aparecida”, partiu de realidades bem palpáveis e objetivas, que proporcionaram um contexto de fé muito consistente e providencial, que aos poucos foi se espalhando por todo o Brasil.
Tanto Fátima como Aparecida estão a serviço do Evangelho de Cristo, que precisa se encarnar nas condições históricas em que vivemos.
Fonte: CNBB

Momentos na Área Pastoral São José:Festejos na Comunidade Nossa Senhora de Fátima

    A Comunidade  do Jardim Castelão na Área Pastoral São José - Passaré realizou de 01 a 13 de maio mais uma linda festa de sua padroeira, Nossa Senhora de Fátima, tendo como tema: “Com Maria na CARIDADE caminhemos a serviço do Reino de Deus.”E o sub-tema: Eu vim para servir.( Mc 10,45 )                                              
    Durante os festejos aconteceram: alvorada, hasteamento da bandeira, missas diárias, visita missionária, confissões, procissão e o momento de convivência, animado pela equipe de eventos. Comidas típicas, rifas e leilão também fazem parte da festa. Dia 13 de maio, às 18:30 h a procissão saiu da capela percorrendo várias ruas do bairro terminando com Missa solene .                                                                              Os padres Luciano Gonzaga e Francisco das Chagas agradecem a todos que se dedicaram e participaram deste momento de espiritualidade, convivência e muito mais.
      "Já bate a saudade da movimentação de cada dia!"
Padre Luciano Gonzaga