terça-feira, 17 de março de 2015

A Festa de São José

padre-Brendan200No dia 19 de março celebramos a festa de São José, o pai legal de Cristo, o esposo puríssimo da mais nobre e alta de todas as criaturas, a Santíssima Virgem Maria. Dada a escassez de dados bibliográficos relativos a José, à literatura apócrifa dos primeiros séculos encarregou-se de enriquecê-los a seu gosto. Por exemplo, que José era um homem muito avançado em idade, casada com uma donzela. Não há base histórica para isso.  O nome de José em Hebraico significa: “Deus acrescenta ou cumula de bens”, e de fato José, o carpinteiro de Nazaré, teve um crescimento contínuo de graças e privilégios. Conhecemos pouco sobre a vida de São José: unicamente as rápidas referências transmitidas pelos Evangelhos.  Três passagens, porém, destacam-no acima de todos: “José era homem justo” (Mt 1, 19), “desposada a um homem chamado José” (Lc 1, 27), “a ele darás o nome de Jesus” (Mt 1, 21). Este pouco, contudo, é o suficiente para destacar seu papel primordial na história da salvação.
Pode se disser que a devoção a José é antiga, mas o culto público e litúrgico é bastante recente, com o início no fim de século XV. Em 1870 o papa Pio lX  declarou José patrono da Igreja Católica e, em 1955, o grande papa Pio Xll o declarou patrono dos operários. Dois documentos oficiais do Vaticano falam sobre o culto de São José: a Carta Encíclica “Quamquam Pluries” do papa Leão Xlll e a Exortação Apostólica  “Redemtoris Custos” do papa João Paulo ll (1989). O papa João XXlll pediu sua proteção especial para o Concílio Vaticano ll e acrescentou seu nome ao Cânon da Missa (1962). José é o ele de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento e o último dos patriarcas. A missão de José na história da salvação constitui em dar a Jesus um nome, fazê-lo descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas. “A primeira vez que José é mencionado no Evangelho é na cena da anunciação em que Maria é chamada noiva de um homem da casa de Davi de nome José. Depois aparece quando Maria aparentava os sinais de sua divina maternidade e José lhe desconhecia a origem. Ele foi tomado de terrível dúvida, na incerteza de como agir, mas o evangelista diz que, sendo ele “homem justo”, não quis denunciar Maria de infidelidade, mas preferiu tomar uma solução que, salvando a honra de Maria, teria provocado certa odiosidade sobre a sua própria pessoa. Decidiu sumir do lugar” (cf. S.Conti, O Santo do dia, Vozes, Petrópolis, 1990, p. 126).  Foi então em sonho que um anjo o avisou: “José , filho de Davi, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa: o que foi gerado nela provém do Espírito Santo, e ela dará à luz um filho a quem porás o nome de Jesus, pois é ele que salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1 20-22). Depois deste fato, ainda se fala dele, quando outra vez o anjo lhe apareceu em sonho avisando-o das intenções diabólicas de Herodes que pretendia matar o Menino Jesus, e o manda fugir para o Egito.  Pela última vez seu nome é mencionado no Evangelho quando recebeu ordem de voltar do Egito porque já tinha falecido o Rei Herodes. Depois disso só se fala dele indiretamente.
“Os evangelistas não citam uma só palavra de José que aparece como o homem do silêncio, escondido e humilde. Mas em compensação ele é o homem do trabalho, para sustentar sua família, é o homem reto, obediente, de fé profunda, inteiramente disponível à vontade de Deus; alguém que amou, creu e esperou em Deus e no Messias contra toda a esperança” (op.cit. p.126). José cooperou com o mistério da Encarnação desde o matrimônio com Maria. Ela foi instrumento direto e físico gerando de sua carne o Verbo. José foi instrumento indireto e moral, por consentir num casamento virginal e por integrar a Sagrada Família.
Este é o santo incomparavelmente grande e simpático que veneramos no dia 19 deste mês de março. Sua figura quase desaparece nos primórdios do Cristianismo, para que se firma melhor a origem divina de Jesus. Porém, grandes santos como São Bernardo, Santo Tomás de Aquino e Santo Afonso Maria de Ligouri lhe dedicaram tratados cheios de devoção e entusiasmo. Desde então seu culto cresceu continuamente. É ainda patrono dos pais de família, dos tesoureiros, dos trabalhadores em geral. É advogado da boa morte e especialmente dos seminários e centros de formação sacerdotal.
                                                      Pe. Brendan Coleman Mc Donald,  Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

Campanha da Fraternidade

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)

A Campanha da Fraternidade teve sua origem na Arquidiocese de Natal, no ano de 1961. Padres daquela Arquidiocese idealizaram uma campanha durante a Quaresma daquele ano, em favor das atividades assistenciais e promocionais desenvolvidas, a fim de arrecadar fundos para manutenção das mesmas. Tal iniciativa foi o embrião da Campanha da Fraternidade estendida a toda a Igreja no Brasil.

Ela tem como objetivos permanentes: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho; renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária.
A cada ano a Campanha da Fraternidade aborda um tema com forte incidência sobre a vida social. Assim, ao longo dos anos, a Campanha contribuiu para evidenciar situações que causam sofrimento e morte no seio da sociedade brasileira, nem sempre percebido por todos.
Assim, também, contribui para que o chamado à conversão próprio da Quaresma se estenda ao âmbito comunitário e social, despertando as consciências para as graves situações de injustiça, dor, sofrimento e morte existentes, tendo em vista ações transformadoras. Trata-se de um modo privilegiado de fazer a Páscoa repercutir ainda mais no seio da sociedade, gerando fraternidade e vida.
Passado mais de meio século, pode-se constatar que a Igreja, também por meio da Campanha da Fraternidade, vem exercendo sua missão de anunciar Jesus Cristo, compromissada com a caminhada histórica do povo brasileiro, apontando para a superação de situações marcadas por injustiças e iluminando a vida de todos com a fraternidade, em vista da construção de uma sociedade de irmãos e irmãs.
‘Ao longo de uma história de solidariedade e compromissos com as incontáveis vítimas das inúmeras formas de destruição da vida, a Igreja se reconhece servidora do Deus da vida’. Isso porque existe uma profunda ligação entre evangelização e promoção humana e cuidado pela vida em todas as suas expressões.
A Igreja possui uma missão que lhe é própria: anunciar o Evangelho a toda criatura. Sabe também da responsabilidade que tem de colaborar com a sociedade. Por isso, ela atua em favor de tudo o que eleva a dignidade humana, consolida a coesão social e confere sentido mais profundo à atividade humana. Dessa forma ela colabora para tornar mais humana a família humana e a sua história.
A Campanha da Fraternidade é uma iniciativa privilegiada para que sejamos recordados de que não podemos descuidar de nossos deveres temporais, faltando com os deveres em relação ao próximo e com o próprio Deus.
Os critérios da dignidade humana, do bem comum e da justiça social norteiam o diálogo e a colaboração da Igreja para com a sociedade. É por esses mesmos critérios que a Igreja pauta sua própria atuação, enquanto força de transformação deste mundo à luz do Reino de Deus, anunciado e mostrado presente por Jesus Cristo.
A Campanha da Fraternidade visa a despertar e nutrir no seio de toda a sociedade o espírito comunitário e a verdadeira solidariedade na busca do bem comum, educando para a vida fraterna, a justiça e a caridade, exigências éticas centrais do Evangelho. Assim, a cada ano, através dessa iniciativa, nos é oferecida a oportunidade de integração neste belo momento de comunhão eclesial.
A Igreja, também através da Campanha da Fraternidade 2015, deseja colaborar para despertar a consciência de que as estruturas, as normas, a organização da sociedade devem estar verdadeiramente a serviço de todos; deseja, sobretudo, contribuir para que a festa da Páscoa se torne sempre mais a festa da ‘vida em plenitude para todos’!
 Fonte: CNBB

Eu vim para servir

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora (MG)

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2015 tem como lema “Eu vim para servir”, expressão tirada da palavra de Cristo registrada por São Marcos em seu evangelho: “Eu vim para servir e não para ser servido” (Mc 10, 45).

Toda pessoa humana se realiza pela prática do bem, da generosidade, da misericórdia. Servir gratuitamente vale mais que qualquer remuneração material. O contrário seria culto ao egoísmo e à ganância, o que não dignifica a ninguém. Também a Igreja quer ser servidora, solidária e só se realiza com a prática destas virtudes, pois assim lhe ensinou seu fundador, Jesus. Em que a Igreja quer servir? Em tudo aquilo que dignifica a pessoa humana, em tudo aquilo que leve o planeta e a raça humana serem melhores, mais conformes ao plano do Criador.
Um dos problemas ameaçadores da humanidade hoje é o cuidado com a ecologia. Vivemos num planeta cada vez mais complicado com certas situações, pois o próprio ser humano, que deveria cuidar muito bem de seu habitat natural, coloca-o em risco de sobrevivência. A natureza se compõe de muitos elementos que convivem harmoniosamente, como um jardim de muitos matizes que se completam de forma equilibrada, resultando na formação da beleza natural que encanta e emociona. A imagem do jardim do Éden, descrito no livro do Gênesis, traduz esta realidade harmoniosa entregue pelo Criador ao homem e à mulher. Porém, submissos ao pecado, ao invés de cuidar amorosamente do seu espaço, o ser humano faz queda no egoísmo, e coloca em risco a criação.
Na realidade atual, os cientistas têm alertado, com frequência, a respeito do aquecimento global, sobre o efeito estufa, sobre as mudanças climáticas, afinal sobre o novo comportamento da natureza. O ser humano não é apenas usuário da natureza, nem só seu desfrutador, mas é parte integrante e como tal é parte interessada. Porém, com ele, todo o sistema é também todo ele interessado. Quando faltam condições de vida, faltam-nas para as pessoas, para os animais, para os vegetais, afinal, para o planeta.
Tais preocupantes mudanças experimentadas, sobretudo de 30 anos para cá, têm causado situação realmente alarmante. As causas são muitas, porém as mais graves são as antropológicas. A pessoa humana tem utilizado mal os recursos naturais. Porque não sabe? Não, propriamente. A maioria das pessoas sabe que respeitar a natureza é algo necessário, bom e indispensável para que se possa viver bem. Porém, há um fator inebriador, massificante da consciência que é a sede de lucro. Um provérbio latino cabe bem aqui: Auri Sacra Fames. De fato, a fome execranda do ouro ilude a mente humana e embota o espírito. Por causa do dinheiro fácil e volumoso, desmatam-se florestas, sem recompô-las, ajuntam-se lixos nos lixões que produzem gases entorpecentes e líquido venenoso agredindo o ar, as águas, matando os pássaros, os peixes, as árvores e causando danos ao ser humano direta e indiretamente. A poluição das chaminés, dos canos de descarga dos veículos e outros elementos poluentes continuam envenenando a atmosfera produzindo danos ao planeta.
A Campanha da Fraternidade conclama a todos para um grande mutirão de serviço global, ou seja, propõe união inteligente para vencermos juntos nossos problemas comuns. Quer ser a voz dos que crêem em Deus, Pai - Criador, e a partir da Palavra revelada, deseja prestar um serviço à pessoa humana alertando, formando, despertando as consciências para dizer que ainda é tempo de salvar a natureza, e proteger o planeta para que este continue sendo um lugar de vida e não uma ameaça de morte.
Servir é também semear esperança e convidar para a ação positiva que se dará por uma movimentação educativa, a fim de que os homens e as mulheres saibam cuidar melhor do jardim de Deus oferecido gratuitamente a todos nós.
 Fonte: CNBB

Dom José Antônio nos Festejos de São José - Sexto Dia





Dom José Antônio, é com muita carinho que agradecemos ao senhor por sua presença em nosso meio, Domingo,15 de Março para celebrar conosco aqui na Área Pastoral na festa de nosso padroeiro, São José. A casa é sua e as portas estão sempre abertas, grande pastor. Queremos neste espírito de festa agradecer também pelo seu grande zelo e cuidado que tens demostrado por nossa Arquidiocese de Fortaleza. Pedimos em nossas orações pelo senhor que próximo dia 24 de março faz 16 anos do seu episcopado à frente da Arquidiocese de Fortaleza. Somos gratos a Deus por ter nos mandado este querido pastor, para guiar as suas ovelhas. Que o Senhor possa cada vez mais dá-lhe força e coragem para guiar o seu rebanho.

Agradecemos também a todos que contribuíram para que este dia fosse um grande momento de espiritualidade e convivência.
A Área Pastoral São José, no Barroso II, vem realizando a festa de seu padroeiro desde o dia 10 de março com o TEMA “São José escolhido por Deus Pai para ser o guarda fiel das Famílias”. A festa tem como objetivo contribuir para que as famílias tomem consciência de ser igreja missionária.( Pe. Luciano Gonzaga)























domingo, 15 de março de 2015

Ano Santo: "Sede misericordiosos como o Pai"

2015-03-15 Rádio Vaticana
Testo di lancio: Ano Santo da Misericórdia é a grande notícia destes últimos dias na Igreja. Uma oportunidade de reconciliação para todos os fiéis no 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II

“Decidi convocar um Jubileu Extraordinário que tenha o seu centro na Misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. (…) Este Ano Santo iniciar-se-á na próxima solenidade da Imaculada Conceição e concluir-se-á a 20 de novembro de 2016.”
Foi com estas palavras que o Papa Francisco anunciou o Ano Santo da Misericórdia que é a grande notícia deste fim-de-semana no Vaticano e em toda a Igreja.
“Sede misericordiosos como o Pai”, versículo retirado do Evangelho de S. Lucas, que será o lema deste Jubileu Extraordinário que se inicia no dia 8 de dezembro próximo e conclui-se a 20 de novembro de 2016. A iniciativa convida os fiéis do mundo inteiro a celebrarem o sacramento da Reconciliação.
A abertura do próximo jubileu vai acontecer no 50.º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II e, segundo explica a Santa Sé, em comunicado de imprensa, “adquire um significado particular, impelindo a Igreja a continuar a obra começada com o Vaticano II”.
O Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, responsável pela organização das celebrações deste jubileu, recorda em nota oficial que o Papa tinha afirmado no início de 2015 que se vivia “o tempo da misericórdia”. Foi no Angelus do domingo 11 de janeiro.
D. Rino Fisichella é o Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização e falou à Rádio Vaticano sobre o significado deste Jubileu:
“É um significado que se confirma na simbologia que o Papa Francisco quis utilizar. Antes de mais, fez o anúncio a 13 de março, ou seja, o ingresso no terceiro ano do seu pontificado; fê-lo durante uma celebração penitencial, recordando aos confessores o dever que têm de exprimir a misericórdia; fê-lo confessando-se ele próprio e tornando-se depois confessor. Portanto, penitente e confessor, o testemunho do grande mistério da misericórdia que nos envolve… e não esqueçamos que será aberta a Porta Santa precisamente no dia do quinquagésimo aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II. Todos estes elementos, no meu entender, indicam o percurso e dão significado a este Jubileu Extraordinário.”
Em nota de imprensa o Conselho Pontifício para a Nova Evangelização realça que o tema da misericórdia está muito presente no atual pontificado e que já como bispo Jorge Mario Bergoglio tinha escolhido como lema ‘miserando atque eligendo’, que evoca uma passagem do Evangelho segundo S. Mateus: “olhou-o com misericórdia e escolheu-o”.
Recordemos que no primeiro Angelus após a sua eleição, há dois anos, o Papa Francisco falou da misericórdia como a palavra que “muda o mundo”.
Em novembro de 2013, o Papa surpreendeu dezenas de milhares de pessoas reunidas no Vaticano com a sugestão de um ‘medicamento espiritual’ para as suas vidas, distribuindo numa caixa própria, a ‘Misericordina’.
Já na sua mensagem para esta Quaresma de 2015, o Papa Francisco deixou votos de que as paróquias e comunidades católicas se tornem “ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença”.
Finalmente, a palavra ‘misericórdia’ aparece mais de 30 vezes na primeira exortação apostólica do pontificado, ‘Evangelii gaudium’, ‘A alegria do Evangelho’. (RS)
Fonte:News.VA

​Durante a celebração penitencial na basílica de São Pedro Francisco anunciou o Ano santo da misericórdia - O grande perdão

2015-03-14 L’Osservatore Romano
«Pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos fazer este caminho. Por isso decidi proclamar um jubileu extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano santo da misericórdia». Anunciou o Papa Francisco na tarde de sexta-feira 13 de Março, segundo aniversário da sua eleição ao Pontificado, durante a celebração da penitência presidida na basílica vaticana.
Também este ano, na vigília do quarto Domingo de Quaresma, nos reunimos para celebrar a liturgia penitencial. Estamos unidos a tantos cristãos que, hoje, em todas as partes do mundo, aceitaram o convite para viver este momento como sinal da bondade do Senhor. Com efeito, o Sacramento da Reconciliação permite que nos aproximemos com confiança do Pai para ter a certeza do seu perdão. Ele é deveras «rico em misericórdia» e difunde-a em abundância sobre quantos a Ele recorrem com coração sincero.
Contudo, estar aqui para experimentar o seu amor é em primeiro lugar fruto da sua graça. Como nos recordou o apóstolo Paulo, Deus nunca deixa de mostrar a riqueza da sua misericórdia no decorrer dos séculos. A transformação do coração que nos leva a confessar os nossos pecados é «dom de Deus». Sozinhos não somos capazes. Poder confessar os nossos pecados é um dom de Deus, é uma dádiva, é, «obra sua» (cf. Ef 2, 8-10). Por conseguinte, ser tocados com ternura pela sua mão e plasmados pela sua graça permite que nos aproximemos do sacerdote sem recear pelas nossas culpas, mas com a certeza de sermos por ele acolhidos no nome de Deus, e compreendidos não obstante as nossas misérias; e também que nos aproximemos sem um advogado defensor: temos um só, que que deu a sua vida pelos nossos pecados! É Ele que, com o Pai, nos defende sempre. Ao sair do confessionário, sentiremos a sua força que volta a dar vida e restitui o entusiasmo da fé. Depois da confissão renascemos.
O Evangelho que ouvimos (cf. Lc 7, 36-50) abre-nos um caminho de esperança e de conforto. É bom sentir sobre nós o mesmo olhar compassivo de Jesus, assim como o sentiu a mulher pecadora na casa do fariseu. Neste trecho repetem-se com frequência duas palavras: amor e juízo.
Há o amor da mulher pecadora que se humilha diante do Senhor; mas ainda antes há o amor misericordioso de Jesus por ela, que a estimula a aproximar-se. O seu choro de arrependimento e de alegria lava os pés do Mestre, e os seus cabelos enxugam-nos com gratidão; os beijos são expressão do seu afecto puro; e o perfuma que deitou com abundância confirma quanto Ele é precioso aos seus olhos. Cada gesto desta mulher fala de amor e exprime o seu desejo de ter uma certeza inabalável na sua vida: ser perdoada. Esta certeza é uma boa certeza! E Jesus dá-lhe esta certeza: acolhendo-a demonstra-lhe o amor de Deus por ela, precisamente por ela, uma pecadora pública! O amor e o perdão são simultâneos: Deus perdoa-lhe muito, perdoa-lhe tudo, porque «amou muito» (Lc 7, 47); e ela adora Jesus porque sente que n'Ele há misericórdia e não condenação. Sente que Jesus a compreende com amor, a ela, que é uma pecadora. Graças a Jesus, Deus esquece os seus muitos pecados, não os recorda mais (cf. Is 43, 25). Porque também isto é verdade: quando Deus perdoa, esquece. É grande o perdão de Deus! Agora para ela começa uma nova fase; renasceu no amor e numa vida nova.
Esta mulher encontrou deveras o Senhor. No silêncio, abriu-lhe o seu coração; na dor, mostrou-lhe o arrependimento pelos seus pecados; com o seu choro, apelou-se à sua bondade divina para receber o perdão. Para ela não haverá juízo algum a não ser o que vem de Deus, e este é o juízo da misericórdia. O protagonista deste encontro é certamente o amor que vai além da justiça.
Ao contrário Simão, o dono de casa, o fariseu, não consegue encontrar o caminho do amor. Tudo é calculado, reflectido... Permanece firme no limiar da formalidade. Isto é mau, o amor formal, não se compreende. Não é capaz de dar o passo seguinte para ir ao encontro de Jesus que o leva à salvação. Simão limitou-se a convidar Jesus para almoçar, mas não o recebeu deveras. Nos seus pensamentos invoca apenas a justiça e fazendo assim erra. O seu juízo sobre a mulher afasta-o da verdade e nem sequer lhe permite compreender quem é o seu hóspede. Deteve-se à tona - na formalidade - não foi capaz de ver no coração. Diante da parábola de Jesus e da pergunta sobre qual foi o servo que mais amou, o fariseu responde correctamente: «Aquele a quem perdoou mais». E Jesus não deixa de lhe fazer observar: «Julgaste bem» (Lc 7, 43). Só quando o juízo de Simão se orienta para o amor, ele é justo.
A chamada de Jesus leva cada um de nós a nunca se deter na superfície das coisas, sobretudo quando estamos diante de uma pessoa. Somos chamados a olhar para além, afixar o coração para ver de quanta generosidade cada um é capaz. Ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus; todos conhecem o caminho para aceder a ela e a Igreja é a casa que acolhe todos e não rejeita ninguém. As suas portas permanecem abertas, para que quantos são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior for o pecado maior deve ser o amor que a Igreja manifesta em relação àqueles que se convertem. Com quanto amor Jesus olha para nós! Com quanto amor cura o nosso coração pecador! Nunca se assusta com os nossos pecados. Pensemos no filho pródigo que, quando decide voltar para o pai, pensa no que lhe deve dizer, mas o pai não o deixa falar, abraça-o (cf. Lc15, 17-24). Assim faz Jesus connosco. «Pai, cometi tantos pecados...» - «Mas Ele ficará contente se tu fores: abraça-te com tanto amor! Não tenhas receio».
Queridos irmãos e irmãs, pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos percorrer este caminho. Por isso decidi proclamar umJubileu extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: «Sede misericordiosos como o Pai» (cf. Lc 6, 36). E isto sobretudo para os confessores! Muita misericórdia!
Este Ano Santo terá início na próxima solenidade da Imaculada Conceição e concluir-se-á a 20 de Novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo e rosto vivo da misericórdia do Pai. Confio a organização deste Jubileu ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, para que o possa animar como uma nova etapa do caminho da Igreja na sua missão de levar o Evangelho da misericórdia a todas as pessoas.
Estou certo de que toda a Igreja, que tem tanta necessidade de receber misericórdia, porque somos pecadores, poderá encontrar neste Jubileu a alegria para redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual cada um de nós está chamado a dar conforto a todos os homens e mulheres do nosso tempo. Não nos esqueçamos de que Deus perdoa tudo, e Deusperdoa sempre. Não nos cansemos de pedir perdão. Desde já confiamos este Ano à Mãe da Misericórdia, para que dirija para nós o seu olhar e vele sobre o nosso caminho: o nosso caminho penitencial, o nosso caminho com o coração aberto, durante um ano, para receber a indulgência de Deus, para receber a misericórdia de Deus.
Fonte: News.VA

Salvos por Ele

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

“Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações" (Is 66,10s).
Caríssimos em Cristo: estas palavras de Isaías dão o tom da missa deste domingo, chamado pela liturgia de Domingo Laetare – Domingo “Alegra-te” – Quarto Domingo da Quaresma. Na metade do caminho para a celebração da Ressurreição do Senhor, a Igreja nos convida à alegria pela aproximação da Santa Páscoa. Daí, hoje o tom rosáceo e as flores na igreja. "Alegra-te, Jerusalém!" – Jerusalém é a Igreja, é o Povo santo de Deus, o novo Israel, é cada um de nós... Alegremo-nos, apesar das tristezas da vida, apesar da consciência dos nossos pecados! Alegremo-nos, porque a misericórdia do Senhor é maior que nossa miséria humana!
Como o povo da Antiga Aliança, também nós tantas vezes somos infiéis – já vimos isso claramente a esta altura da Quaresma! É trágico, na primeira leitura, o resumo que o Livro das Crônicas traçou da história de Israel: "Todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs. O Senhor Deus dirigia-lhes a palavra por meio de seus mensageiros, porque tinha compaixão do seu povo. Mas, eles zombavam dos enviados de Deus, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não teve mais jeito". Com estas palavras dramáticas, o Autor Sagrado nos explica o motivo do terrível e doloroso exílio da Babilônia: Israel fez pouco de Deus, virou-lhe as costas; por isso mesmo, experimentou a expulsão do aconchego do Senhor na Terra que lhe fora prometida, perdeu a liberdade, o Templo, a Cidade Santa, e tornou-se escravo no Exílio de Babilônia. Aqui aparecem todas as consequências do pecado: o exílio do coração, a escravidão da vida!
O pecado, afastando-nos de Deus, nos desfigura e nos faz perder o rumo e o sentido da existência. Por isso mesmo, o Senhor vem em nosso socorro! Pois bem, o Senhor levou, então, seu povo para o terrível deserto do Exílio para fazê-lo voltar de todo o coração para Aquele que é seu único bem, sua verdadeira riqueza – aquele que é o seu Deus! É por misericórdia que Ele corrige Israel, por misericórdia que nos corrige: "Pois o Senhor não rejeita para sempre: se Ele aflige, Ele se compadece, segundo sua grande bondade. Pois não é de bom grado que Ele humilha e que aflige os filhos do homem" (Lm 3,31-33). Deus é amor e misericórdia! A leitura do Livro das Crônicas nos mostrou que, uma vez Israel convertido, corrigido, o Senhor fá-lo voltar para a Terra sempre prometida.
O Evangelho (Jo 3, 14-21) nos apresenta a conclusão do diálogo de Jesus com Nicodemos: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 14-16). No deserto, os hebreus olhavam a serpente levantada por Moisés como sinal de cura e libertação. Faz lembrar a cruz onde foi levantado o Filho do Homem. Da Cruz de Jesus brota a vida e a salvação para todos. Ao olhar com fé para este sinal, ficamos curados.
Nesse tempo de conversão, que é a Quaresma, meditemos na Cruz, na alegria da Cruz! É sempre o mesmo júbilo de estar com Cristo: “Somente d’Ele é que cada um de nós pode dizer com plena verdade, juntamente com São Paulo: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gal 2,20). Daí deve partir a vossa alegria mais profunda, daí deve advir também a vossa força e o vosso ponto de apoio. Se, por desgraça, deveis encontrar amarguras, padecer sofrimentos, experimentar incompreensões e até cair em pecado, que o vosso pensamento se dirija rapidamente para Aquele que vos ama sempre e que, com o seu amor ilimitado, faz vencer todas as provas, preenche todos os nossos vazios, perdoa todos os nossos pecados e nos impele com entusiasmo para um caminho novamente seguro e alegre” (São João Paulo II). Como nos lembra hoje a carta aos Efésios: “é por graça que vós sois salvos”, “é pela graça que sois salvos, mediante a fé” (2, 5b.8a).
A Igreja quer recordar-nos que a alegria é perfeitamente compatível com a mortificação e a dor. O que se opõe à alegria é a tristeza, não a penitência! Vivendo com profundidade o tempo da Quaresma, que conduz à Paixão – e, portanto, à dor –, compreendemos que aproximar-se da Cruz significa também aproximar-se do momento da Redenção, e, por isso, a Igreja e cada um dos seus filhos se enchem de alegria. A mortificação que procuramos viver nestes dias não deve ofuscar a nossa alegria interior, mas, pelo contrário, deve fazê-la crescer, porque está prestes a realizar-se essa prova máxima de amor pelos homens, que é a Paixão, e é iminente o júbilo da Páscoa. Sendo assim, queremos estar muito unidos ao Senhor, para que também na nossa vida se repita o mesmo processo da sua: chegarmos, pela sua Paixão e Cruz, à glória e à alegria da sua Ressurreição.
 Fonte: CNBB