sábado, 17 de outubro de 2015

Arcebispo de Fortaleza convoca presbíteros para o retiro espiritual

Acontecerá de 19 a 23 de outubro de 2015 o RETIRO ESPIRITUAL  ANUAL do presbitério Arquidiocesano de Fortaleza. O local do evento será a pousada dos capuchinhos, em Guaramiranga.
Informações pelo fone (85) 4005-7860, com Maria de Jesus

Dados sobre o Sínodo

padre-Brenda20014 de Outubro
Há 270 padres sinodais com direito a voto na 14ª. Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada às questões da família, que vai decorrer entre os dias 4 e 25 deste mês. A lista inclui delegados eleitos por mais de 110 conferências episcopais e os chefes das Igrejas Orientais com direito próprio, além de 10 religiosos eleitos pela sua União de Superiores Maiores. Os participantes com direito a voto são provenientes dos cinco continentes: 54 da África, 64 da América, 36 da Ásia, 107 da Europa e 9 da Oceânia. Os bispos brasileiros com direito a voto são: Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília; Dom João Carlos Petrini, bispo de Camaçari; Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana; Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo; Cardeal Raymundo Damacendo Assis, arcebispo de Aparecida; e Dom Sérgio Eduardo Castriani, arcebispo de Manaus.
Entre os participantes estão também os 25 presidentes dos Dicastérios da Cúria Romana, o secretário-geral e o subsecretário do Sínodo dos Bispos, bem como 45 cardeais, bispos e padres selecionados pelo Papa, que aprovou ainda a escolha de 24 peritos e 51 ouvintes, lote no qual se incluem 18 casais de vários países. Entre os peritos está o religioso brasileiro António Moser, especialista em teologia moral. Os trabalhos estão sendo divididos em três semanas, abordando cada uma das partes do instrumento de trabalho (desafios, vocação e3 missão da família) com intervenções gerais e 13 sessões de trabalho de grupo semanais cujas conclusões serão publicados.
Cada um dos 318 participantes com direito à palavra tem 3 minutos para intervir nas chamadas congregações gerais, que são 18 no total. No final destas três etapas, uma comissão vai elaborar um projeto de relatório final, que é depois votado pelos participantes a 24 de outubro. Esse texto é depois apresentado ao papa Francisco, a quem compete tomar as decisões relativas a estas propostas. O Sínodo dos Bispos, convocado pelo Papa Francisco, a quem compete tomar as decisões relativas a estas propostas. O Sínodo dos Bispos, convocado pelo Papa, pode ser definido em termos gerais como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo. Até hoje houve 13 assembleias gerais ordinárias e três extraordinárias, a última das quais em outubro de 2014.
Fonte: Agência Ecclesia Vaticana.
                                                Pe. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

Nossa sede de felicidade

Por Padre Geovane Saraiva*
geovane200Há cinco séculos nascia Teresa D’Ávila (15/10/1515), mulher que encontrou, em Deus, seu único e maior tesouro, que a fez santa e sábia. Agradecidos pelo dom indizível da vida dessa mulher, por excelência descomunal e atemporal, saibamos suplicar do alto os dons indispensáveis em uma íntima reflexão sobre o absoluto de Deus, no sentido de descobrir o mesmo tesouro por ela encontrado. Na exortação do 28º Domingo Comum, que precede sempre a oração do Angelus (11/10/2015), o Santo Padre, no seu dever de interpretar autenticamente o Evangelho (Mc 10, 17-30), na condição de Sumo Pontífice, falou de algo incalculável e indescritível, do desapego às falsas riquezas, como condição sine qua non, para que os cristãos entrem na lógica da verdadeira vida e descubram seu maior tesouro, asseverando: “Que Nossa Senhora nos ajude a abrir o nosso coração ao amor de Jesus; somente ele pode satisfazer nossa sede de felicidade. E eu pergunto a vocês, jovens, meninos e meninas, que estão agora na praça: vocês sentiram o olhar de Jesus sobre vocês? O que vocês responderão a Ele? Preferem deixar esta praça com a alegria que Jesus nos dá ou com a tristeza no coração que o mundo nos oferece?”.
Temos consciência de que todo ser humano, por decisão de Deus, chega a este mundo com uma vocação primeira e fundamental, que é da sua própria existência. Vocação para ser gente, para ser criatura humana. Por isso mesmo é que é muito importante pensar naquilo que nos é proposto durante a trajetória de nossa vida. Cícero, o maior orador romano, ao tratar sobre a idade da vetustez, que significa mais do que velhice ou idade avançada, quer dizer reverência e respeitabilidade, afirmou: “Vivi de tal forma que sinto não ter nascido em vão”. À medida que o ser humano entende que é necessário percorrer com muita disposição o seu percurso natural, interiormente, cresce e se realiza, encontrando-se consigo mesmo e integrando-se na comunidade, na qual está inserido, oferecendo generosamente sua contribuição através da missão, que é servir e testemunhar, de acordo com a Boa-Nova: “Quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos” (Mc 16, 44).
Não nascer em vão, à medida que haja um esforço de se vivenciar os três olhares de Jesus de Nazaré no Evangelho acima mencionado, na reflexão do Papa Francisco, vemos que Jesus se volta para o jovem com um olhar de ternura e afeto, fazendo-lhe uma proposta concreta: dar todos os bens aos pobres e depois segui-lo. Aquele senhor tem o coração dividido entre Deus e o dinheiro, e vai embora triste. Isso demonstra uma incompatibilidade entre a fé e o apego às riquezas. O Santo Padre se refere ao segundo olhar de Jesus como um olhar de advertência, ao se expressar: “Como será difícil para os que têm riquezas entrar no Reino dos Céus”. Agora, diante da admiração dos discípulos, Jesus dedica-lhes um olhar de encorajamento, dizendo que a salvação é “impossível aos homens, mas não a Deus”. A privação dos bens dá-nos em troca o verdadeiro bem – enfatizou o Romano Pontífice, na afirmação de que “há mais alegria em dar do que em receber” (At 20, 35). Se confiamos no Senhor, podemos superar todos os obstáculos que nos impedem de segui-lo no caminho da fé.
Francisco disse que o jovem não se deixou conquistar pelo olhar de amor de Jesus e, assim, tornou impossível uma mudança. Somente acolhendo com humilde gratidão o amor do Senhor, ficamos livres das seduções dos ídolos e da cegueira das nossas ilusões. O dinheiro, o prazer e o sucesso deslumbram, mas depois desiludem; prometem vida, mas trazem morte. O Senhor nos pede para nos desapegarmos dessas falsas riquezas, para entrarmos na vida verdadeira, na vida plena, autêntica, iluminada. Como é maravilhoso aprender, no final do Ano Jubilar dos 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus, dentro de um conjunto de iniciativas de âmbito espiritual e cultural, com exposições, cursos e peregrinações, indicando-nos um bem e tesouro maior: “Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque O veremos como ele é” (1 Jo 3, 2).
*Escritor, blogueiro, colunista, vice-presidente da Previdência Sacerdotal e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE – geovanesaraiva@gmail.com

Carta aberta: Assembleia do Regional NE 1 da CNBB – O despertar da misericórdia

Pastoral-Carcerária1“Decidi convocar um Jubileu Extraordinário que tenha o seu centro na Misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia.” Foi com estas palavras que o Papa Francisco anunciou o Jubileu da Misericórdia, que terá início no dia 8 de dezembro de 2015 e se concluirá no dia 20 de novembro de 2016.
São várias as motivações elencadas pelo Papa para a proclamação deste Ano Santo. Na Bula intitulada Misericordiae Vultus (“O rosto da misericórdia”), o Pontífice se refere a todos aqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais e que, justamente por isso, necessitam de um olhar misericordioso por parte da sociedade e das nossas comunidades eclesiais.  E, com todo o carinho que lhe é peculiar, acrescenta: “O meu pensamento dirige-se também aos encarcerados, que experimentam a limitação da sua liberdade. O Jubileu constituiu sempre a oportunidade de uma grande amnistia, destinada a envolver muitas pessoas que, mesmo merecedoras de punição, todavia tomaram consciência da injustiça perpetrada e desejam sinceramente inserir-se de novo na sociedade, oferecendo o seu contributo honesto. A todos eles chegue concretamente a misericórdia do Pai que quer estar próximo de quem mais necessita do seu perdão”.
Na iminência do Ano Santo da Misericórdia, nós que fazemos a Pastoral Carcerária do Regional Nordeste 1 da CNBB e que assumimos a missão de sermos a presença de nossas Igrejas no mundo dos cárceres, nos sentimos profundamente animados com o testemunho e com a singela preocupação do Papa para com os encarcerados.
Conhecemos bem de perto a cruel realidade carcerária e sabemos o quanto é importante oferecer esse olhar misericordioso a todos àqueles que experimentam o drama da privação de sua liberdade, seja qual for a causa do encarceramento.
Fonte: Arquidiocese de Fortaleza

Infância Missionária

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Neste domingo celebramos o Dia Mundial das Missões, com a mensagem do Papa Francisco comentando sobre a vida religiosa missionária, e o tema do Brasil sobre a Missão como serviço. É também o Dia da Obra Pontifícia da Infância Missionária.
Eu me recordo de que nos meus tempos de criança uma das revistas que nos alimentava na reflexão se chamava “ O pequeno missionário”, e que tanto bem me fez. Isso me remete a empreender uma reflexão sobre a Infância Missionária. 
Acrescento a isso a importância do nosso gesto concreto neste Ano da Esperança, que é a continuação das reuniões missionárias, neste mês levando a cruz em forma de chama para marcar nossa presença de evangelizadores. Daqui a dois meses aproximadamente estaremos dentro do Ano do Jubileu da Misericórdia. Creio que será muito bom meditar sobre a necessidade de nossa consciência sobre essa obra pontifícia.
A Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária (IAM) foi fundada por Dom Carlos Forbin Janson, Bispo de Nancy, França, em 19 de maio de 1843. Carlos Forbin Janson sempre se interessou muito pela realidade e evangelização dos povos. Já na adolescência manteve estreita ligação com os missionários da China. Seu desejo era ir à China e ser missionário com os missionários.
Era frequente receber cartas como estas, da qual transcrevemos algumas passagens: “Encontro-me rodeado, mesmo sem saber como, de uma dezena de crianças, umas de peito, outras de dois, três, quatro anos de idade, algumas cobertas de sarna, outras, de feridas. Os pobrezinhos já não têm o que comer e se cansam de chorar. É preciso conseguir comida para eles, e pagá-la... Enquanto isso, para não morrerem de fome, vejo-me obrigado a preparar-lhes eu mesmo um prato de farinha e açúcar, depois tento arranjar-lhes roupa, medicá-los, lavá-los, dar-lhes um teto, enfim, fazer às vezes de uma mãe... Deus concede-me as forças para sustentar tantas crianças, mas, se eu não for ajudado com alguma esmola, morrerei com eles”. "(...) falando de batizados, refiro-me a adultos. Na realidade, batizamos muitas crianças que são expostas diariamente nas ruas (...). Para nós, uma das primeiras preocupações é mandar todas as manhãs nossos catequistas para todos os arredores da cidade e batizar as crianças que ainda estão vivas. De 20 a 30 mil que são expostas cada ano, nossos catequistas conseguem batizar cerca de três mil".
De posse de informações a respeito do sofrimento de milhares de crianças, o bispo teve a inspiração de convocar as crianças católicas para se organizarem com o objetivo de prestar socorro às crianças nas mais tristes situações. Como fazer? Dom Carlos conversou com Paulina Jaricot. Ela, quando jovem, tinha dado início à Obra da Propagação da Fé. Ouvindo o plano de Dom Carlos, apoiou a ideia dele, e definiu essa iniciativa como "Obra da Propagação da Fé para as Crianças". Ela mesma expressou seu desejo de se alistar como primeira associada para a divulgação da Obra.
Era preciso fazer alguma coisa: Dom Carlos Forbin Janson resolveu convocar as crianças para socorrer as crianças. Propôs às crianças da França que ajudassem outras crianças recitando uma Ave Maria por dia e doando um dinheiro por mês; assim surgiu a Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária.
Dom Carlos tinha em mente visitar, uma após a outra, as nações da Europa, pregando esta nova cruzada de batismo, educação e resgate das crianças chinesas, e, uma vez garantida a Obra, embarcar ele próprio para aquele país, onde esperava que Deus lhe desse a graça de misturar seu sangue ao sangue dos outros mártires. Mas, esgotado com tanta atividade, sua saúde não resistiu, enquanto sua Obra se ia difundindo. No dia de sua morte repentina, em 11 de julho de 1844, a Obra da Santa Infância estava estabelecida em 65 dioceses. Hoje, a IAM está presente em todos os continentes, em mais de 130 países.
Em 1922, o Papa Pio XI a declarou Pontifícia, isto é, do Papa, e, portanto, de toda a Igreja, juntamente com as obras missionárias da Propagação da Fé e de São Pedro Apóstolo, às quais se uniu, em 1956 (Pio XII), a União Missionária, constituiu-se as Pontifícias Obras Missionárias. No Brasil, ela foi trazida por missionários franceses, em 1958. A partir de 1993, nas comemorações dos 150 anos de fundação, sua "chama ainda fumegante" readquiriu novo ardor, organizando-se e difundindo-se em todo o país.
Os protagonistas são as crianças e adolescentes, que se dedicam em favor das crianças do mundo inteiro, independentemente da cultura, raça ou religião. O nome “Infância e Adolescência Missionária” vem de uma devoção existente então na França: a infância do Menino Jesus. Por isto surgiu com o nome de “Santa Infância”.
É missionária porque educa as crianças no crescimento da fé, inserindo-as nas atividades missionárias numa dimensão universal. Pelo compromisso do batismo, vivem concretamente a experiência da partilha da fé e seus bens com todas as crianças do mundo.
É Pontifícia porque se diferencia de uma atividade apostólica transitória. Sua organização, a presença em todo o mundo, pelo seu testemunho e eficiência, tendo sido aprovada e assumida pelo Papa (Pio XI) como Obra evangelizadora a serviço de toda a Igreja.
Tem como finalidade suscitar o espírito missionário universal nas crianças, desenvolvendo-lhes o protagonismo na solidariedade e na evangelização e, por meio delas, em todo o Povo de Deus: "Crianças ajudam e evangelizam crianças". São crianças em favor de outras crianças. Tomando como exemplo a vida de Jesus e de seus discípu¬los, a Infância Missionária tem em Maria, a mãe de Jesus, uma fiel testemunha da autêntica ação evangelizadora. Inspira-se também em São Francisco Xavier e Santa Teresinha do Menino Jesus, Padroeiros das Missões. Ambos viveram ardentemente o carisma missionário universal, doando suas vidas pelo anúncio do Evangelho.
Embora a Obra tenha nascido para socorrer a triste situação das crianças chinesas, logo abriu seus horizontes para o mundo inteiro. O resgate, o batismo, o sustento e a educação das crianças dos povos que não conhecem Jesus Cristo foram, desde o início, os objetivos da Infância e Adolescência Missionária. Um plano ambicioso: prestar todos os socorros materiais, morais, intelectuais e religiosos de que necessitam as crianças de todos os lugares, culturas, raças e crenças.
 16 de Outubro
 Fonte: CNBB

Missão é Servir

Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)
Conscientes de que a missão é parte inerente ao ser da Igreja, dedicamos o mês de outubro e, mais especificamente o terceiro domingo do mês, para o aprofundamento da dimensão missionária. Fazemos isso na convicção de que, conforme diz São Paulo “anunciar o Evangelho não é uma glória, mas sim uma obrigação que se me impõe” (1 Cor 9,16).
Em 2015, o tema do mês missionário liga serviço e missão, recordando que “quem quiser ser o primeiro seja o servo de todos” (Mc 10,44). O tema está em sintonia com uma das insistências do Papa Francisco de que a Igreja deve sair e ir ao encontro das pessoas.  “Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo” (EG, 23).  A radicalidade desta afirmação está expressa nas palavras que do Papa: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (EG, 49).
Os campos da missão, hoje, conforme o Sínodo dos Bispos de 2012, tem como destinatários, em primeiro lugar, “as pessoas batizadas que, porém, não vivem as exigências do Batismo, não sentem uma pertença cordial à Igreja e já não experimentam a consolação da fé” (EG, 14). Em segundo lugar estão “aqueles que não conhecem Jesus Cristo ou que sempre O recusaram”. A todos eles devemos anunciar Jesus Cristo, “sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível” (EG, 14).
O mês de outubro deve servir para aprofundarmos a nossa missão no mundo, cientes de que a Igreja existe para anunciar e testemunhar o Reino de Deus. Por isso “não podemos ficar tranquilos em espera passiva em nossos templos, mas é urgente ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não têm a última palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e  salvos pela vitória pascal do Senhor da história, que Ele nos convoca em Igreja, e quer multiplicar o número de seus discípulos na construção do seu Reino” (DA, 548).
Aproveitemos, pois, este mês e particularmente o próximo final de semana para reavivarmos o nosso compromisso missionário. Rezemos por aquelas pessoas que estão nos campos de missão e colaboremos com o seu sustento através da coleta missionária que é feita neste final de semana. Acima de tudo, porém, aproveitemos o momento para exercermos a missão recebida de Jesus Cristo, anunciando a boa nova da salvação às pessoas que vivem próximas a nós, mas deixaram de se sentir pertencentes à Igreja e já não sentem o consolo da fé.
Fonte: CNBB

Igreja em saída, desafio

Dom Walmor Oliveira de Azevedo 
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
A expressão “Igreja em saída”, utilizada pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, significa uma Igreja de portas abertas para acolher e, ao mesmo tempo, pronta para ir ao encontro do outro, capaz de chegar às periferias humanas. Nesse horizonte, o Documento de Aparecida, fruto da 5ª Conferência Latino-americana e Caribenha dos Bispos da Igreja Católica, sublinha a urgência de um despertar missionário, na forma de Missão Continental. A compreensão de uma “Igreja em saída”, em estado permanente de missão, decididamente depende da vivência do Evangelho, sempre Boa-Nova. Necessita de homens e mulheres renovados, que vivenciem essa tradição e novidade como discípulos de Jesus Cristo.
O núcleo central é, portanto, a fé no Deus amor. Eis o desafio: saber tratar a fé à luz da Palavra de Deus, instância com força de correção diante das complexidades da vida contemporânea. Desse modo, é possível tocar o núcleo existencial de cada pessoa e, assim, promover qualificação, constituir sólido alicerce para escolhas que garantam a fecundidade de uma cidadania civil e eclesial. Muitas são as dificuldades enfrentadas hoje pela Igreja Católica, desafiada a dar novas respostas. Isso não se resume simplesmente à análise de dados estatísticos envolvendo perda de fiéis ou a verificação de trânsito religioso. Para além de números, embora eles sejam importantes indicadores na avaliação de processos, o desafio reside no fortalecimento da capacidade para ajudar cada pessoa a qualificar sua dimensão existencial.
As dinâmicas de evangelização na Igreja estão girando entre polarizações - como as próprias do pentecostalismo e aquelas já morridas do racionalismo. Urgente é uma “Igreja em saída”, que eleja como meta as periferias humanas, sem desconsiderar as periferias geográficas. Para isso, conforme sublinha o Papa Francisco, são necessárias transformações de costumes, estilos, horários e de toda a linguagem eclesial. A autopreservação, no dizer do Papa, ou pastoral de conservação, desenha a enorme barreira que atrasa ou impede a esperada resposta.
Assim, estruturas eclesiais que condicionam o dinamismo evangelizador precisam ser renovadas para que a Igreja possa, cada vez mais, ajudar o mundo a superar seus desafios. Esse passo de conversão e essa resposta não são alcançados apenas pela reafirmação conceitual das verdades intocáveis que definem a fé cristã, sua vivência e testemunho. Almeja-se uma nova e inadiável consideração da dimensão existencial do ser humano, para fortalecer a centralidade da fé vivida e professada. Nesse caminho, por meio da Palavra de Deus, será possível qualificar cada pessoa. O primeiro passo é uma revitalização no modo de ser cristão-católico e, consequentemente, avaliar melhor as escolhas pessoais. Não basta investir conceitualmente em mudanças de configurações organizacionais sistêmicas no conjunto dos funcionamentos das estruturas eclesiais. O que precisa ser priorizado é o existencial humano, aprisionado pelo individualismo, dominado exclusivamente por emoções e devocionismos tortos, ou presidido pela hegemonia de uma autonomia que cega, impossibilitando o gosto transformador e libertador de crer.
A luta que atrasa esperados avanços rumo à meta de uma “Igreja em saída” requer urgente substituição de modelos, mentalidades e entendimentos engessados. A prioridade é o dom do encontro com Jesus Cristo pela escuta e vivência da Palavra de Deus. Oportuno é lembrar o que diz o Documento de Aparecida: “Nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, na qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez”. Diante dos modelos obsoletos que presidem práticas pastorais e vivências eclesiais e da fé, vale a advertência poética de Fernando Pessoa: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma de nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam aos mesmos lugares”. Ora, continua ele dizendo, “é tempo de travessia, e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. Esse é o desafio!
Fonte: CNBB