domingo, 8 de julho de 2012

Salmo (Salmos 122)



14º Domingo Comum


— Os nossos olhos estão fitos no Senhor:/ tende piedade, ó Senhor, tende piedade!
— Os nossos olhos estão fitos no Senhor:/ tende piedade, ó Senhor, tende piedade!


— Eu levanto os meus olhos para vós,/ que habitais nos altos céus./ Como os olhos dos escravos estão fitos/ nas mãos do seu senhor.

— Como os olhos das escravas estão fitos/ nas mãos de sua senhora,/ assim os nossos olhos, no Senhor,/ até de nós ter piedade.
— Tende piedade, ó Senhor, tende piedade;/ já é demais esse desprezo!/ Estamos fartos do escárnio dos ricaços/ e do desprezo dos soberbos!

Um pouco de Reflexão!

O evangelista Marcos narra que Jesus foi para “Sua própria terra”, isto é, para Sua cidade de origem, a cidade de Sua família: Nazaré. Para Marcos, esta é a última vez que Ele àquele lugar. É também a última vez que Ele entra numa sinagoga, lugar onde os judeus se reuniam aos sábados para ouvir a Palavra de Deus e rezar. No início, quem se admira são os ouvintes. Porém, a admiração não os leva à fé em Jesus, mas sim a rejeitá-lo. No final desse Evangelho, é Jesus quem se admira com a falta de fé daquele povo. Essa falta de fé no Homem-Jesus impede a realização de milagres, isto é, o Reino acaba não acontecendo em Nazaré.
Marcos dá a entender que o povo estava cansado com esse costume. De fato, quando o Senhor entra, pela primeira vez, numa sinagoga e começa a ensinar (cf. 1,21-28), o povo gosta desse novo ensinamento dado com autoridade (cf. 1,27).
Em Nazaré, terra de Jesus, as coisas tomaram um rumo diferente. É que Ele não havia frequentado nenhuma escola de ensino das Escrituras, não fez nenhuma especialização. Além disso, Seu ensinamento é acompanhado de uma prática que livra as pessoas de qualquer tipo de opressão. Marcos não consegue mostrá-Lo ensinando sem que antes Ele desse a verdadeira liberdade ao homem. Mais ainda: Seu ensinamento é uma prática de autêntica liberdade.
Em Nazaré, num dia de sábado, Jesus está ensinando na sinagoga. Mais uma vez o evangelista não diz o que Jesus ensina. Nós não precisamos de explicações, pois conhecemos que tipo de ensinamento é o d’Ele.
O povo que está na sinagoga manifesta sua perplexidade e descrédito em relação a Jesus. A primeira e a segunda levantam suspeita e ceticismo: “De onde ele recebeu tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria?” Por trás dessas objeções está o início da rejeição de Jesus como Messias. Naquele tempo, especulavam muito sobre a origem do Messias. E a conclusão a que chegaram era esta: “Nós sabemos de onde vem esse Jesus, mas, quando chegar o Messias, ninguém saberá de onde ele vem” (Jo 7,27). Jesus, portanto, não poderia ser o Messias, pois sua origem era conhecida por todos. Além disso, para os conterrâneos de Cristo é impossível “fazer teologia” sem passar pela escola dos doutores da Lei e fariseus.
A terceira pergunta levanta suspeitas sobre quem age por meio de Jesus: “E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos?” Um pouco antes, alguns doutores da Lei afirmavam que o chefe dos demônios agia em Jesus, levando-O a expulsar demônios. O povo de Nazaré deixa transparecer essa mentalidade.
A última pergunta sintetiza todas as anteriores: “Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” É uma pergunta desmoralizante e debochada. Quando se queria desprezar alguém, bastava substituir o nome do pai pelo da mãe. Por isso, a expressão “filho de Maria” (a não ser que José já tivesse morrido) é altamente depreciativa. E a conclusão é muito simples: “Ficaram escandalizados por causa dele”, isto é, seus conterrâneos O rejeitaram.
Jesus, portanto, foi rejeitado, porque se apresentou como um trabalhador que cresceu em Nazaré ao lado de parentes, amigos e conhecidos. Seus conterrâneos não descobriram n’Ele nada de extraordinário que pudesse indicá-Lo como o Messias de Deus, mas a extraordinariedade de Jesus-Messias está justamente aí, na Encarnação, no fato de não ter nada que possa diferir da condição humana comum. O Filho de Deus se fez como qualquer um de nós, e aqui está o “nó da questão”. Muitos afirmam que “não creem, porque não veem”. Os conterrâneos de Jesus não creem, justamente porque veem Jesus trabalhador, o filho de Maria, um homem do povo, que não frequentou nenhuma escola superior, um homem que vem de Nazaré, lugarejo insignificante.
O “escândalo” da Encarnação continua sendo um espinho atravessado na garganta de muito cristão de boa vontade. Por se encarnar nas realidades humanas, Jesus-Messias foi rejeitado. Isso faz pensar no desafio que é a encarnação do Evangelho na realidade do povo. Ficaremos paralisados como os conterrâneos de Jesus?
Pai, abra minha mente e meu coração para eu compreender que o Senhor se serve de meios humanamente modestos para realizar as suas maravilhas.
Padre Bantu Mendonça- Canção Nova

Evangelho (Marcos 6,1-6)


Domingo, 8 de Julho de 2012
14º Domingo Comum


— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo,
1Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam.
2
Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres realizados por suas mãos?
3
Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?”
E ficaram escandalizados por causa dele.
4
Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”.
5
E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6E admirou-se com a falta de fé deles.
Jesus percorria os povoados da redondeza, ensinando.

 
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.


sábado, 7 de julho de 2012

A Existência de Deus


Aqui no Brasil há tempo uma parcela da população está perdendo o sentido de Deus. Muitos negam sua existência. Os meios de comunicação social noticiam crimes, assaltos, estupros, abusos sexuais, sequestros, assassinatos etc. numa escala sem precedentes. Acredito que muitos dos que se entregam à vida de crimes e violências são movidos pela injusta distribuição dos bens que provocam fome e miséria, pela disseminação do narcotráfico etc. Obviamente há também quadros patológicos motivadores de crimes brutais e hediondos. Todavia, não se pode deixar de mencionar um fator, ainda mais profundo ou decisivo para explicar a onda de crimes e violências aqui no Brasil e no mundo.
É o filósofo francês Jean-Paul Sartre quem aponta tal fator mediante o seguinte raciocínio exposto em “L’Existentialisme est um humanisme?” ( O Existencialismo é um humanismo?) em 1948. Os pensadores positivistas, no século passado, declararam a não existência de Deus. Não obstante, estimularam a ética rigorosa do respeito ao semelhante, da prática da honestidade, da sinceridade, da veracidade etc. Observa Sarte: “tal posição é insustentável; porque se Deus não existe, não há autoridade habilitada a me impor tal ou tal comportamento. Com efeito, em nome de quem um homem, igual a mim, pode impor-me normas às quais eu devo obedecer reverentemente?”. Sarte cita então o pensador russo Dostoievski, que dizia: “Se Deus não existe tudo é permitido”. Sarte julga que a posição de Dostoievski é mais lógica do que a dos positivistas, e adota-a como sua. Querer defender uma ética normativa sem Deus, ou seja, baseada unicamente nos valores humanos, parece a Sarte artificial e inconsistente. A escola estruturalista mais recente comprovou esta conclusão; na verdade a “morte de Deus” acarretou a “morte do homem”. Com efeito, como salvaguardar o que há de respeitável, de intocável ou de sagrado no homem, se Deus não existe?
A grande pergunta que o homem contemporâneo formula a si é sobre o sentido da vida. Não há quem não procure uma justificativa para o trabalho, para a luta e para todo sofrimento que afeta nossas vidas. É exatamente a existência de Deus que fundamenta o valor do ser humano, (feito “à imagem e semelhança de Deus”) e explica os objetivos e a finalidade da vida. Houve quem considerasse Deus como, rival do homem ou um produto imaginário da mente do homem ignorante e amedrontado. Tais pensadores realmente nunca descobriram Deus, e escreveram tão somente na base de caricaturas e deformações dos conceitos de Deus e de religião. A existência de Deus é que leva cada um a respeitar o seu semelhante, ainda que isto lhe custe autodisciplina ou até grande renúncia. Somos todos filhos e filhas do mesmo Pai. Negar a existência de Deus, como muitos fazem hoje em dia, é obrigar o homem a criar novos ídolos e novas místicas. O dinheiro e o “ter” são alguns dos novos ídolos e nosso tempo. O esoterismo e as inúmeras seitas que aparecem diariamente são exemplos das novas místicas. Ensinar novamente a “Lei de Cristo”, que é uma lei de amor, de perdão, de respeito mútuo, de compreensão, de solidariedade e de diálogo, talvez produzisse melhores resultados contra o mal em nossos dias. Deus existe e está presente e atuante no mundo, só nos falta aplicar seu mandamento maior: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”.
Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald, padre Redentorista e assessor da CNBB Regional NE1

Card. Hummes: “Igreja na Amazônia está viva, mas preocupada com falta de clero”



Cardeal dom Claudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal para a Aamzônia, concede entrevista à Rádio Vaticano e reflete sobre o significado do encontro que se realiza esta semana no estado do Pará para celebrar e avaliar a caminhada da Igreja na região amazônica nos últimos 40 anos, inspirada pelo Documento de Santarém (1972).
A entrevista foi feita pela Rádio Vaticano.
“Estamos revisitando o célebre Documento de Santarém, de 40 anos atrás, um documento muito interessante na época, justamente depois de Medellín e do Concílio Vaticano II. No Documento, foi a primeira vez que se falou no Brasil de prioridades pastorais, de inculturação, de pastoral indígena, das comunidades eclesiais de base, que na época se chamavam comunidades cristãs de base. Enfim, o documento foi muito interessante na época, e agora está sendo revisitado.
Vemos que a Igreja aqui está muito viva, mas ao mesmo tempo, preocupada com a falta de padres, com a falta de condições de formar padres. Faltam recursos econômicos, porque hoje é muito caro formar um padre. Por outro lado, há uma grande vontade de formar o clero autóctone, de indígenas, com todos os desafios que isto comporta”.
Notícia da CNBB.


Primeira leitura (Amós 9,11-15)



13ª Semana Comum


Leitura da Profecia de Amós.
Assim diz o Senhor:
11Naquele dia, reerguerei a tenda de Davi, em ruínas, e consertarei seus estragos, levantando-a dos escombros, e reconstruindo tudo, como nos dias de outrora; 12deste modo possuirão todos o resto de Edom e das outras nações, que são chamadas com o meu nome, diz o Senhor, que tudo isso realiza.
13
Eis que dias virão, diz o Senhor, em que se seguirão de perto quem ara e quem ceifa, o que pisa as uvas e o que lança a semente; os montes destilarão vinho e as colinas parecerão liquefazer-se. 14Mudarei a sorte de Israel, meu povo, cativo; eles reconstruirão as cidades devastadas, e as habitarão, plantarão vinhas e tomarão o vinho, cultivarão pomares e comerão seus frutos. 15Eu os plantarei sobre o seu solo e eles nunca mais serão arrancados de sua terra, que eu lhes dei”, diz o Senhor teu Deus.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 84)



13ª Semana Comum


— O Senhor anunciará a paz para o seu povo.
— O Senhor anunciará a paz para o seu povo.


— Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar; a paz para o seu povo e seus amigos, para os que voltam ao Senhor seu coração.

— A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.
— O Senhor nos dará tudo o que é bom, e nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.